quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Ladrão de Arte

Autor: Noah Charney
Editora: Civilização Editora
Número de páginas: 332

Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma obra de Caravaggio desaparece sem deixar rasto.
Paris: Na cave da Sociedade Malevich, a conservadora Geneviéve Delacloche fica chocada ao reparar que o grande tesouro da sociedade desapareceu.
Londres: Na National Gallery of Modern Art, a última aquisição é roubada apenas algumas horas depois de ter sido comprada por mais de seis milhões de libras.
Em O Ladrão de Arte, três roubos são investigados em simultâneo em três cidades diferentes, mas estes crimes aparentemente isolados têm muito mais em comum do que se possa imaginar...
Repleto de pormenores históricos fascinantes, diálogos intrigantes e um enredo enigmático, este primeiro romance de Noah Charney é sofisticado, elegante e tão irresistível e multifacetado como uma obra de arte.

O que têm em comum um quadro renascentista e um quadro pertencente ao Modernismo russo? À primeira vista nada, tirando o facto de terem sido roubados. O primeiro desaparece de uma igreja italiana e, para além dos Carabinieri, é chamado Gabriel Coffin, ex-Carabinieri e, actualmente, académico e consultor da polícia em roubos de arte, um especialista em arte, xadrez e em traçar os perfis de ladrões de arte, é chamado para ajudar a deslindar este caso. O mais estranho é que Gabriel pede a libertação de uma famosa ladra que se encontra na prisão para o ajudar.
Na Sociedade Malevich, a sua sub-directora, Geneviéve Delacloche descobre que, após uma conversa telefónica para a Christie's a denunciar que a "peça estrela" do seu leilão é falsa pois a verdadeira encontra-se na dita Sociedade, o Suprematismo de Branco sobre Branco de Malevich (a tal "peça estrela") acaba de desaparecer da caixa-forte. Para tentar descobrir o que se passa com o dito quadro, Delacloche vai assistir ao leilão onde o falso quadro é vendido à National Gallery of Modern Art por seis milhões e trezentas libras e donde desaparece umas horas após a sua venda. Os roubos acabam por se interligar pois Coffin e Delacloche são chamados em intervir.
À  parte destes três roubos centrais, um professor de História de Arte e raptado por uns executivos que o levam para um armazém onde tem de identificar a veracidade dos quadros roubados, ou seja, as obras de Caravaggio e Malevich e, um quadro suprematista anónimo horroroso que fora comprado no mesmo leilão da Christie´s.
Foi uma leitura agradável com bons momentos de suspense e de muitas gargalhadas graças aos inspectores franceses, Bizot e Lesgouges, que (quase) passaram todo o livro a discutir a sobremesa, o esquecido e trapalhão Inspector Wickenden, as aulas do professor de História de Arte, Barrow, sempre a "dar na cabeça" dos alunos e, claro, o facto da polícia, fosse de qual fosse a nacionaldade, de cada vez que precisava de uma Bíblia a roubar de um hotel.
Apesar de os pormenores históricos não serem tão aprofundados como se esperaria, dá para absorver o essencial, sendo a lição mais visível que, quando não se tem uma Bíblia , o hotel tem de certeza. O final que não parecia muito inesperado acaba por surpreender pela positiva sendo apenas de lamentar que não é muito bem explicado o motivo real para os roubos nem como as várias personagens acabam por se envolver umas com as outras na sua participação ou, por exemplo, onde encaixa a ladra Vallombroso e a sua vingança e consequente relação com as outras personagens.

4/5





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