terça-feira, 26 de julho de 2011

Opinião - A Usurpadora

Autor: José Frèches
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 423

Sinopse:
A trilogia A Imperatriz da Seda é um romance de aventuras, de religiões, de fascinante descoberta da diferença. Em A Usurpadora, o volume que encerra a trilogia, muitos acontecimentos esperam, ainda, os nossos heróis: a jovem Umara, que recusa confessar onde estão os inestimáveis «Olhos de Buda», é sequestrada pelo chefe máximo do budismo chinês; a bonita chinesa Lua-de-Jade é raptada e depois vendida a um sultão riquíssimo...
Adorados por milhares de peregrinos que vêem neles a reencarnação de um casal mítico, os pequenos Gémeos Celestes, que foram levados para a China pela Rota da Seda, são mimados pela Imperatriz, «a tia Wu», que trata deles sempre que os assuntos de Estado e as extravagâncias eróticas lhe deixam algum tempo livre.
No dia em que por efeito da magia da Rota da Seda, os caminhos convergirem para a Corte da China, a imperatriz triunfará e todos os heróis poderão, finalmente, assumir os seus amores, ou a sua fé, à luz do dia.


Opinião
 Neste último volume da trilogia de José Frèches sobre a dinastia dos Tang e as questões religiosas e políticas que assolaram a China do Centro durante o século VIII d. C., assistimos, finalmente, ao culminar das aventuras dos protagonistas que chegam ao final da sua demanda por amor, compreensão, poder e união.
Mais, uma vez, o autor apresenta-nos uma escrita cuidada e irrepreensível, onde é evidente a atenção aos pormenores, construindo uma história concisa de qualidade sobre um tema não muito debatido e, por vezes, esquecido como é a história da China. O facto de pudermos por esta leitura entender, não só, o sistema político da China como o papel do Imperador e das Cem Famílias na administração imperial, a relevância da seda para a economia e o seu simbolismo de poder e riqueza, tornando-se base para  tratados de paz ou de guerra e, acima de tudo, a multiplicidade e divergência entre as várias religiões, clandestinas e oficiais,  que dominavam a China e suas fronteiras,as mentalidades e aqueles que escreveram a História, torna-a uma leitura tão enriquecedora quanto estimulante e, em termos históricos, diferente.
Aqui as personagens são tão humanas quanto nós mesmos, mostrando que poucos são aqueles que atingem a perfeição do «nirvana», e que muitas vezes, a alma humana não resiste aos poderes materiais. Um exemplo da realidade chinesa desta época, sendo o melhor exemplo, aquela que é a personagem central desta trilogia e que interliga em si todas as outras, a imperatriz Wuzhao. Sinónimo de tudo aquilo que o ser humano é capaz pelos seus sonhos, no bom e no mau, Wu é a tal personagem que amámos e odiámos e que nos marca pelos seus actos. Numa história tão bem construída como esta, não é só a imperatriz que nos conquista. Os dois casais da trama, Umara e Cinco-Defesas, Ponta de Luz e Lua-de-Jade, representam o que o poder do amor é capaz de fazer e até onde pode ir sem nunca desistir.
O que surpreende e parece bastante estranho é que, apesar do grande espaço geográfico em que a trilogia decorre, (quase) todas as personagens se conhecem! O que aparenta algo forçado e pouco imaginativo e é capaz de enervar. Outro dos problemas é haver demasiada informação a assimilar o que torna difícil a sua leitura, principalmente, quando a informação aparece do nada e nos deixa baralhados e a pensar se nos esquecemos de ler alguma coisa.
É uma leitura forte que deve ser seguida por quem aprecia este tipo de leitura e, para quem gosta da história do oriente asiático, uma trilogia a não perder.

5/7

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