quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Opinião - Jovens Rebeldes

Autor: Edith Wharton
Editora:Publicações Europa-América
Número de páginas:  305

Sinopse
Nan e Jinny St.George são duas jovens possuidoras de beleza e dinheiro em generosas quantidades. Todavia, na sociedade nova-iorquina do fim do século passado, apenas as ricas famílias tradicionais têm direito ao estatuto de élite, e é nesse ponto que as duas irmãs estão condenadas ao fracasso.
A nova preceptora de Nan, Laura Testvalley, também ela uma estranha, sentindo pena da situação das duas jovens, resolve lançá-las junto da aristocracia britânica. Aparentemente, os lordes, duques, marqueses e membros do Parlamento não só apreciam a beleza como também o dinheiro que os
nouveaux riches de Nova Iorque podem trazer-lhes.
Jovens Rebeldes, uma história de amor e casamento entre classes abastadas, novas e antigas, é um retrato delicadamente sensível de um mundo à beira da mudança.


Opinião

Uma história sobre elites e “novos ricos”, sobre diferenças sociais e culturais, sobre duas cidades e sociedades distintas, este último romance de Edith Wharton dá-nos um ar da elegância e rebeldia que caracteriza as jovens protagonistas deste livro que deu azo a uma série televisiva.
Jovens Rebeldes lembra as Princesas de Nova Iorque (ou mais precisamente, ao contrário), no seu estado bruto e original onde as debutantes no meio da educação e do requinte começavam a demonstrar laivos de independência mas com mais qualidade e “brilho” na escrita ou não fosse a sua escritora, uma das maiores escritoras do século XX. As cinco “jovens rebeldes” são distintas entre si, cada uma com o seu feitio e beleza, concorrentes umas das outras, mais propriamente, as duas primogénitas e belezas do grupo, Virginia e Lizzy apesar de que na irreverência ganha a exótica Conchita que vai ser o exemplo do bom e do mau do grupo. Existe uma riqueza e pormenor nas personagens que nos faz compreendê-las a todas, acompanhar as suas ambições, casamentos e subidas na escala social com a satisfação que sentiríamos por alguém próximo. Elas são a causa deste livro e é volta delas que o livro gira, pudemos estar contra elas às vezes mas não conseguimos deixar de gostar delas por quem são. Já a tutora, Laura Testvalley é a “âncora” e o “cérebro” que resguarda e protege as americanas, principalmente a sua pupila, Nan que acaba por se transformar, de alguma forma, na protagonista do livro.
Apresentando dois ambientes tão diferentes como parecidos, duas elites que se equilibram entre si e umas protagonistas tão irresistíveis como estas é difícil não ficar conquistada pela escrita de Wharton. O único defeito a apontar é a mudança de espaço de tempo de uma forma abrupta e que nos deixa sem informação de uma cena para outra.
Claro que também se nota a diferença na terceira e quarta partes do livro que não foram escritas pela autora mas sim a partir do argumento da série e, também, baseado na sinopse deixada pela autora, não variando a história da ideia original. Há mudanças de personalidade e certos caminhos que parecem estranhos da ideia inicial mas consegue um equilíbrio.
O último clássico de uma grande escritora, este livro é uma leitura que me agradou imenso e me deixou regressar aos “clássicos” que não lia à algum tempo.

6/7
 

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