terça-feira, 6 de setembro de 2011

Opinião - A Paixão Secreta do Inquisidor

Autor: Nerea Riesco
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 344

Sinopse
Em 1610, em Logronho, onze pessoas são condenadas à fogueira acusadas de bruxaria. Apesar disso, as terras de Biscaia e Navarra continuam a sofrer com a presença do demónio e dos seus seguidores. Para tranquilizar o povo, o Santo Ofício envia Alonso de Salazar y Frías, um inquisidor secretamente descrente: perdeu a fé em Deus e já não acredita no Diabo nem em bruxas. A sua história cruza-se inevitavelmente com a de Mayo, que percorre as estradas espalhando encantamentos e feitiços. Durante a sua jornada, ambos terão de enfrentar perigos inimagináveis, poderes terrenos e também a morte daqueles que mais amam. 
Uma narrativa poderosa que recupera a força da tradição mágica da cultura espanhola, em que está implicada a elite do poder político e religioso do Século do Ouro e que se baseia num episódio da História, documentado e misteriosamente escondido nas caves obscuras do Santo Ofício durante mais de três séculos. 

Opinião
Baseado num episódio obscuro da História da Inquisição Espanhola e rodeado de magia e poder, este livro retrata uma busca constante por quem somos, no que acreditámos e aquilo que é ou não verdade. Brilhante em pormenores, rico em descrições, A Paixão Secreta do Inquisidor apresenta-nos uma imagem concreta de uma Espanha aterrorizada e demasiado crente. Representar com tal realidade o mundo fora do Santo Ofício e as consequências do medo sentido por aquilo que não conhecemos ou não pudemos explicar não é comum. Muitas vezes os livros acerca da Inquisição ou da caça às bruxas ou são exagerados ou só contam a história por um dos lados ou é esquecido que foram reais e não fruto do nosso imaginário, o que acaba por lhes retirar a realidade e serem demasiados romanceados.
Neste caso, existe uma pesquisa bem estruturada e nenhum dos envolvidos é esquecido, o que nos permite conhecer em pormenor o que envolvia o julgamento, a queima dos supostos culpados, as suas causas e consequências. Conhecemos o lado da Corte espanhola, o do Santo Ofício, o das “bruxas” e o do povo, nada é esquecido ao acaso. Cada personagem é um representante das suas “verdades” e cada um deles busca algo, existindo uma série de questões filosóficas e dogmáticas ao redor desta obra.
Este livro acabou por não receber, se calhar, um maior carinho da minha parte, não por culpa dele mas sim por causa da sua sinopse. Quando comprei este livro, admito, imaginei uma história de amor proibido entre um Inquisidor e uma bruxa (ninguém nos manda fazer suposições) e saiu-me «o tiro pela culatra». O Alonso e a Mayo nunca se chegam a cruzar realmente e a minha “fantasia” saiu-me bastante aldrabada e durou muito pouco tempo. Não, o livro não é nada daquilo que eu estava à espera (lá está, não imagines coisas!) mas graças aos seus pormenores históricos e ao detalhe e qualidade da sua escrita, a autora lá me agarrou, apesar de que o desgosto não é culpa dela mas sim da editora que publicou uma “sinopse enganadora”. Mas enfim.
Destaco Mayo que acabou por não se revelar a bruxa errante que espalha remédios e curas por onde passa que nos é descrita (acho que o final não conta até porque não tem nada a ver) mas sim uma jovem perdida, doce que procura a segurança que sempre teve e acaba por descobrir que é mais forte do que pensava e que afinal nem tudo o que parece é.
Em vez de um romance proibido, o no original Ars Magica, é um romance histórico de qualidade e que nos retrata uma época e um país num dos seus períodos mais negros de uma forma estudada e realista.

5/7 

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