quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Opinião - Acácia, Ventos do Norte

Título original: Acacia - The War With The Mein
Autor: David Anthony Durham
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de páginas: 368


Sinopse
Um assassino enviado das regiões geladas do norte numa missão.
Um império poderoso cercado pelo seu mais antigo inimigo.
Quatro príncipes exilados, determinados a cumprir um destino.
Prepara-te, leitor, para entrar no mundo deslumbrante de Acácia.

Leodan Akaran, rei soberano do Mundo Conhecido, herdou o trono em aparente paz e prosperidade, conquistadas há gerações pelos seus antepassados. Viúvo, com uma inteligência superior, governa os destinos do reino a partir da ilha idílica de Acácia. O amor profundo que tem pelos seus quatro filhos, obriga-o a ocultar-lhes a realidade sombria do tráfico de droga e de vidas humanas, dos quais depende toda a riqueza do Império. Leodan sonha terminar com esse comércio vil, mas existem forças poderosas que se lhe opõem. Então, um terrível assassino enviado pelo povo dos Mein, exilado há muito numa fortaleza no norte gelado, ataca Leodan no coração de Acácia, enquanto o exército Mein empreende vários ataques por todo o império. Leodan, consegue tempo para colocar em prática um plano secreto que há muito preparara. Haverá esperança para o povo de Acácia? Poderão os seus filhos ser a chave para a redenção?

Opinião 
Foi com muita expectativa e curiosidade que aguardei o lançamento deste primeiro volume da trilogia de David A. Durham ao longo do ano. Afinal, a crítica compara-o a grandes autores do Fantástico como George R. R. Martin e considera-o «a grande revelação dos últimos anos na Fantasia». Como se esta já não fosse uma boa razão para não ficar indiferente à chegada de Acácia às nossas livrarias, a sua sinopse deixou-me, literalmente com “água na boca”. Uma promessa de Impérios, batalhas, intrigas e de profecias, bastou para que a minha “alma épica” não pudesse resistir ao “chamamento” deste livro.
A primeira coisa que me prendeu logo desde o início é as parecenças de Acácia com os Impérios da nossa História. Nota-se em cada pormenor da concepção deste mundo as influências dos Grandes Impérios do nosso passado em termos culturais, sociais ou bélicos, o que fez com que me identificasse de imediato com a estrutura da história e me adaptasse às mudanças que vão ocorrendo ao longo da trama. Como estudante de História e fã de literatura fantástica, esta junção entre uma e a outra de uma forma tão intrínseca deixou-me maravilhada pois é raro tais matérias serem tão bem aproveitadas e adaptadas a novas realidades.
Durham apresenta-nos ainda problemas actuais como a droga e o (eterno) tráfico humano que são a base da economia acaciana e o seu maior segredo pois ligado a ele está uma Liga que controla até a casa real, esteja ela do lado de quem estiver. Não vós faz lembrar nada? Numa base de sociedade antiga, o escritor consegue agregar os sistemas económicos e os problemas de actualidade, criando um Mundo Conhecido que nos traz lembranças do nosso próprio mundo.
Mas uma das maiores características é, sem dúvida, a multiplicidade de povos que povoa este Mundo Conhecido. Com influências variadas, estes povos apresentam uma complexidade de culturas, etnias, religiões e língua, trazendo um brilho diferente a toda a história e que me deixou perplexa. Aqui, em cada página, uma parte do nosso mundo está representado.
A parecença maior que encontrei com Martin, foi que o autor dá voz a cada uma das personagens, portanto também aqui pudemos ver a trama a desenrolar em várias perspectivas diferentes. Tem, de facto, um pouco da brutalidade deste mas não é nada de semelhante, até porque este é um volume introdutório e por isso ainda há muito para descobrir em Acácia.
As personagens ainda são um completo mistério, há muito para descobrir e entender destas mas daquilo que já li, agradou-me imenso. Parece quase como uma promessa no ar de que muito ainda está para vir e para acontecer. Adorei os destinos diversificados dos irmãos Akaran, deu um ar totalmente novo à história e adorei os vilões de tanto que dá vontade de odiá-los.
Os capítulos inicias são basicamente apresentação deste mundo e é nos últimos que existe uma movimentação bastante interessante e que deixou muitas duvidas mas que deu ainda mais interesse.
Depois de uma leitura intensa posso dizer-vos que estou perdida por este novo mundo e que valeu cada dia de espera. Para mim foi uma das melhores leituras do ano e mal posso esperar pela segunda parte que deve desvendar muito do que os Mein e os Akaran têm guardado para nós.

7*

2 comentários:

  1. Uma coisa que não gosto no livro é o facto de ter sido divido. Acho que um livro deste tamanho (700 pags) não se justifica ser divido.

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  2. Não se justifica mesmo! Principalmente porque o bocado que falta é aquele em que a história começa realmente a acontecer...

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