domingo, 2 de outubro de 2011

Opinião - Corações Sagrados

Título original: Sacred Hearts
Autor: Sarah Dunant
Editora: Edições Asa
Número de páginas: 448

Sinopse
Em plena Renascença, o convento de Santa Caterina está repleto de mulheres da nobreza cujos comportamentos foram reprovados pelas suas famílias. Muitas estão já resignadas com esse destino. Mas a recém-chegada Serafina não se conforma. Vive obcecada com a fuga e o homem que ama. A sua revolta quebra a harmonia do convento dirigido por Madonna Chiara, uma abadessa tão à vontade na política como na oração. Ela  entrega Serafina aos cuidados da Suora Zuana, a jovem freira que dirige o dispensário e trata todas as maleitas, da pestilência à melancolia e à automutilação. Perante a improvável amizade que vai unir estas duas mulheres, há quem se mantenha vigilante, como é o caso da severa Suora Umiliana e da misteriosa Magdalena, com um passado de êxtases e visões... Mas o espírito rebelde de Serafina vai abalar irreversivelmente a vida do convento e as mais profundas convicções das suas ocupantes.
Com um fascinante elenco de personagens femininas, Corações Sagrados é um romance sobre poder, criatividade, paixão -secular e espiritual - e o indomável espírito das mulheres numa época em que as forças religiosas, políticas e sociais se uniam contra elas.

Opinião
A chamada Idade Moderna sempre foi a minha preferida. A minha paixão avassaladora pelo Renascimento, principalmente o italiano, encontrou o seu meio de inspiração em Sarah Dunant há já algum tempo. O Nascimento de Vénus é um dos meus livros preferidos de sempre (já a ser transposto para filme) e Na Companhia da Cortesã é um dos livros mais encantadoramente estranhos que já li.
Portanto foi com altas expectativas que li Corações Sagrados e que me deixei de novo envolver pela bela e intensamente maravilhosa escrita desta senhora, que consegue sempre apresentar-nos as suas histórias de uma forma lírica e através das personagens mais perfeitas, tanto no mal como no bem que existe em cada ser humano. A forma como a história nos é contada é um ataque a todos os nossos sentidos, destina-se a colocar-nos na pele das personagens, a aceitá-las e compreende-las em vez de as adorarmos, a vivermos cada momento como se elas fossem reais, como se pudéssemos ser uma delas.
Sarah Dunant tem uma escrita única que nos envolve e conquista e um cuidado imenso para não falhar os pormenores históricos, notando-se que o trabalho de pesquisa não fica só pelo geral mas vai aos mais ínfimos pormenores, existe uma preocupação pelas “pequenas coisas” que escapam a muitos escritores de romances históricos.
Este Corações Sagrados tem uma história diferente dos outros dois que já havia lido e o mais centrado no mundo feminino dos três e também o que tem menor espaço geográfico e quantidade de personagens, o que me fez estranhar ao início. E se calhar, é por isso mesmo que melhor se nota o talento para criar as mais diversas personagens, cada uma com uma história pessoal e uma personalidade distinta, que a autora tem.
Entrelaçando as vidas de várias mulheres, os seus segredos e histórias de vida, acompanhamos não uma história principal mas várias que irão desenvolver e criar as relações que aparecem entre todas estas mulheres, umas de mais fé do que outras, mas todas apaixonadas por algo.
Uma história sobre a fé e o amor, a não liberdade das mulheres, sobre uma sociedade que entregava as filhas ao casamento ou com Deus ou com o homem contra a sua vontade, este livro relata a força de vontade e a coragem das mulheres que aceitavam os seus destinos e aprendiam a tirar proveito dele e daquelas que contra todos sonharam e conquistaram o seu próprio final.
É difícil não me sentir cativada por algo que venha desta autora pois ela consegue sempre surpreender-me das mais diversas formas, criando sempre algo diferente e superando-se a si mesma, usando os mais diversos cenários e criando as mais magníficas personagens, introduzindo as suas histórias nos vários diferentes momentos da Renascença italiana, com ou sem personagens históricas verídicas.

6*

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