sábado, 29 de outubro de 2011

Opinião - A Rainha Vermelha

Título Original: The Red Queen
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de páginas: 408

Sinopse
Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer, a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York.
Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior.


Opinião
A minha paixão por esta escritora iniciou-se com o primeiro volume desta trilogia, A Rainha Branca. A Guerra das Rosas, é um dos meus temas preferidos da Idade Média e a retratação que Philippa fez de uma famílias antagonistas através de uma das protagonistas mais magníficas que tive o prazer de conhecer, deixou-me extasiada.
Não fosse só a sua escrita detalhada e apaixonada que nos envolve directamente na história, fazendo-nos querer tomar um lado na contenda, também o seu cuidado com os pormenores históricos e para que a parte romanceada encaixe na perfeição com a realidade conquistam qualquer amante de História. Como se não bastasse, a sua maneira de nos dar, através das páginas, uma personalidade e uma história a estas personagens reais, obriga-nos a oferecer a nossa simpatia para com a sua causa, a querer acreditar nas suas razões, a odiar os seus inimigos.
Iniciar este livro foi à partida uma aventura para a qual já me achava preparada e para a qual já estava preparada para gostar mas tive uma pequena surpresa quando comecei. O ódio visceral que senti por Margarida Beaufort e a admiração que senti pela sua louca determinação mudaram toda a minha visão deste livro. Uma única personagem pode modificar a nossa forma de ver um livro inteiro e, esta foi uma daquelas protagonistas que consegue mesmo dar-nos a volta ao estômago e à mente.
E é aqui que se vê o talento de alguém que nos conta uma história sobre algo que já aconteceu e sobre pessoas que já viveram. Esta é daquelas que não mente. Em vez de nos apresentar uma boazinha e “pobre coitada”, a escritora dá-nos a realidade, correndo o risco de odiarmos o livro por causa da dita, que afinal é fanática e intransigente. Por causa dela, apeteceu-me bater com o livro em alguém e provocou-me algum custo na leitura que acabei por conseguir superar.
Mas mesmo com uma protagonista tão odiosa, a forma como Gregory leva-nos ao outro lado da Guerra dos Primos acaba por impedir que nos afastemos do livro, pois quando uma escrita é tão soberba, não há como tirar os olhos dela. E mesmo a própria Margarida e tudo e todos os que a rodeiam acabam por nos segurar, não da forma persuasiva do livro anterior, mas de uma forma desesperada, como se cada um dos livros reflectisse em si a personalidade daquelas que o protagonizam.
Por isso, apesar de não me ter deliciado da mesma forma que o primeiro livro desta série, A Rainha Vermelha foi uma surpresa viciante.
Através da sua forma única para contar a história de uma Guerra que mudou um país e o tornou no que é hoje, Philippa alicia-nos para uma leitura intensa, única e de uma beleza prodigiosa. 

6*

Sem comentários:

Enviar um comentário