quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Opinião - Fogo

Título Original: Fire (#2 A Saga dos Sete Reinos)
Autor: Kristin Cashore
Editora: Editora Objectiva (chancela Alfaguara)
Número de páginas: 456


Sinopse
Ela é a última da sua espécie …

Vivem-se momentos conturbados nos Dells. Enquanto o rei Nash faz tudo para se manter no trono, o seu estatuto é ameaçado por chefes revolucionários que armam exércitos para o tirar do poder. À medida que a guerra se aproxima, as montanhas e florestas da região enchem-se de espiões e saltimbancos. É nestes domínios cheios de ameaças que vive Fogo, uma rapariga de cabelos vermelhos cuja beleza é impossível de resistir. A juntar à beleza enfeitiçante, Fogo tem o incrível poder de controlar as mentes de todos de quem se aproxima. O único ser imune ao poder de Fogo é o jovem Príncipe Brigan, filho do rei Nash.

Romântico e misterioso,
Fogo é o segundo volume da Saga dos Sete Reinos, iniciada com Graceling - O Dom de Katsa. A história de Fogo precede no tempo a história do primeiro livro da saga. Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair.

Opinião 
Uma promessa de romance, fantasia e mistério ao nível mais elevado num cenário diferente de qualquer um que possamos imaginar ou daqueles que já conhecemos, a trilogia A Saga dos Sete Reinos é a obra de estreia de Kristin Cashore e conquistou os fãs mais românticos da fantasia.
Fogo é o segundo volume desta trilogia e a prequela do primeiro, razão pela qual decidi lê-lo antes de adquirir o Graceling, livro que só recentemente consegui encontrar nas livrarias. Infelizmente, apesar da acção se passar anteriormente aos acontecimentos do primeiro, este não nos dá muita informação detalhada sobre os Sete Reinos, o que me dificultou por vezes a leitura pois houve momentos em que me senti perdida no desenrolar da história.
À parte a minha troca de ordem de leitura, entrar neste novo mundo da fantasia despertou-me alguma estranheza mas também um sentimento de retorno a infância, aos contos de fadas, ao “viver felizes para sempre”. Mas porquê? É o ritmo, a forma como Kristin nos apresenta as histórias dos protagonistas, o desenrolar da sua relação, os vilões que os separam e o final feliz. E, ao mesmo tempo, há algo de novo que nos consume, que nos encanta e nos baralha. Esta pode ser uma trilogia de fantasia, mas é acima de tudo, uma história sobre o amor, a amizade e a lealdade.
Como já salientei, o facto de ter começado pelo volume “errado” pode ter me deixado com má impressão da escrita da autora, uma vez que somos como atiradas para o meio da história sem qualquer explicação. Por exemplo, o prólogo para mim não faz qualquer sentido tal como os desenvolvimentos que acabam por ocorrer mais tarde com a dita personagem do tal prólogo, da qual já nem nos lembrávamos, pois parece uma cena que caí de pára-quedas no meio e que não traz nada de novo à trama. A autora devia ter, no meu entender, desenvolvido mais certas partes ou ter aproveitado a história inicial que ficou por ali meio perdida.
Acabando por se centrar na relação amorosa central, a escritora esqueceu-se dos bons alicerces que havia construído e que se tem sido bem aproveitados, tinham feito deste livro não só um belo livro romântico mas algo de se salientar e de original na fantasia. Podia ter conseguido muito mais do que isto, o que dá sensação de medo de tentar algo mais. Para mim, isso foi uma pena.
O que acaba mesmo por tornar Fogo um livro maravilhoso é a qualidade das suas personagens. As relações entre elas, os sentimentos que cada um transmite, a bela história de amor que a escritora nos dá são algo de belo e que pode quebrar um coração mais duro. Fogo, a protagonista, é o melhor exemplo do tipo de personagem que autora consegue criar. Existe algo de intransponível nesta personagem que nos transmite tudo aquilo que nos é contada sobre ela juntamente com uma aura de mistério, transparecendo a ideia do “nem tudo o que parece é”. As suas personagens femininas são as melhores e há para todos os gostos e feitios. O melhor do livro.
Apesar de nos transmitir apenas uma sombra do bom livro que podia ter sido, é sem sombra da dúvida um livro que encanta e enternece, original mesmo que mal aproveitado e, esperemos uma rampa para algo melhor.

5*

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