Autor: Kristin Cashore
Editora: Editora Objectiva (chancela Alfaguara)
Número de páginas: 456
Sinopse
Ela é a última da sua espécie …
Vivem-se momentos conturbados nos Dells. Enquanto o rei Nash faz tudo para se manter no trono, o seu estatuto é ameaçado por chefes revolucionários que armam exércitos para o tirar do poder. À medida que a guerra se aproxima, as montanhas e florestas da região enchem-se de espiões e saltimbancos. É nestes domínios cheios de ameaças que vive Fogo, uma rapariga de cabelos vermelhos cuja beleza é impossível de resistir. A juntar à beleza enfeitiçante, Fogo tem o incrível poder de controlar as mentes de todos de quem se aproxima. O único ser imune ao poder de Fogo é o jovem Príncipe Brigan, filho do rei Nash.
Romântico e misterioso, Fogo é o segundo volume da Saga dos Sete Reinos, iniciada com Graceling - O Dom de Katsa. A história de Fogo precede no tempo a história do primeiro livro da saga. Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair.
Opinião
Uma promessa de romance, fantasia e mistério ao nível mais
elevado num cenário diferente de qualquer um que possamos imaginar ou daqueles
que já conhecemos, a trilogia A Saga dos
Sete Reinos é a obra de estreia de Kristin Cashore e conquistou os fãs mais
românticos da fantasia.
Fogo é o segundo
volume desta trilogia e a prequela do primeiro, razão pela qual decidi lê-lo
antes de adquirir o Graceling, livro
que só recentemente consegui encontrar nas livrarias. Infelizmente, apesar da acção
se passar anteriormente aos acontecimentos do primeiro, este não nos dá muita
informação detalhada sobre os Sete Reinos, o que me dificultou por vezes a
leitura pois houve momentos em que me senti perdida no desenrolar da história.
À parte a minha troca de ordem de leitura, entrar neste novo
mundo da fantasia despertou-me alguma estranheza mas também um sentimento de
retorno a infância, aos contos de fadas, ao “viver felizes para sempre”. Mas
porquê? É o ritmo, a forma como Kristin nos apresenta as histórias dos
protagonistas, o desenrolar da sua relação, os vilões que os separam e o final
feliz. E, ao mesmo tempo, há algo de novo que nos consume, que nos encanta e
nos baralha. Esta pode ser uma trilogia de fantasia, mas é acima de tudo, uma
história sobre o amor, a amizade e a lealdade.
Como já salientei, o facto de ter começado pelo volume
“errado” pode ter me deixado com má impressão da escrita da autora, uma vez que
somos como atiradas para o meio da história sem qualquer explicação. Por
exemplo, o prólogo para mim não faz qualquer sentido tal como os
desenvolvimentos que acabam por ocorrer mais tarde com a dita personagem do tal
prólogo, da qual já nem nos lembrávamos, pois parece uma cena que caí de
pára-quedas no meio e que não traz nada de novo à trama. A autora devia ter, no
meu entender, desenvolvido mais certas partes ou ter aproveitado a história
inicial que ficou por ali meio perdida.
Acabando por se centrar na relação amorosa central, a
escritora esqueceu-se dos bons alicerces que havia construído e que se tem sido
bem aproveitados, tinham feito deste livro não só um belo livro romântico mas
algo de se salientar e de original na fantasia. Podia ter conseguido muito mais
do que isto, o que dá sensação de medo de tentar algo mais. Para mim, isso foi
uma pena.
O que acaba mesmo por tornar Fogo um livro maravilhoso é a qualidade das suas personagens. As
relações entre elas, os sentimentos que cada um transmite, a bela história de
amor que a escritora nos dá são algo de belo e que pode quebrar um coração mais
duro. Fogo, a protagonista, é o melhor exemplo do tipo de personagem que autora
consegue criar. Existe algo de intransponível nesta personagem que nos
transmite tudo aquilo que nos é contada sobre ela juntamente com uma aura de
mistério, transparecendo a ideia do “nem tudo o que parece é”. As suas
personagens femininas são as melhores e há para todos os gostos e feitios. O
melhor do livro.
Apesar de nos transmitir apenas uma sombra do bom livro que
podia ter sido, é sem sombra da dúvida um livro que encanta e enternece,
original mesmo que mal aproveitado e, esperemos uma rampa para algo melhor.
5*

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