sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Opinião - O Mago, Aprendiz

Título original: Magician (1º parte)
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de páginas: 416


Sinopse
Na fronteira do Reino das Ilhas, existe uma cidade tranquila chamada Crydee. Nessa cidade, vive um rapaz órfão de nome Pug. Trabalhando nas lides do castelo que o acolheu, ele sonha com o dia em que se tornará um guerreiro valoroso ao serviço do rei. Mas o destino troca-lhe as voltas e o franzino Pug acaba por tornar-se aprendiz do misterioso Mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos altera-se para todo o sempre. Subitamente a paz do reino é esmagada, sem piedade, por misteriosas criaturas que devastam cidade após cidade. Quando o mundo parece desabar a seus pés, Pug percebe que apenas ele poderá mudar o rumo dos acontecimentos, penetrar as barreiras do espaço e do tempo, e dominar os poderes de uma nova e estranha magia... Esta é uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde irá conhecer povos e culturas exóticas, aprender a amar e descobrir o verdadeiro valor da amizade. Mas, no seu caminho, terá de enfrentar tenebrosos perigos e derrotar os inimigos mais cruéis.

Opinião 
Considerado a obra-prima da fantasia, um dos cem livros mais memoráveis de sempre, O Mago – Aprendiz leva-nos numa viagem através de um mundo que nos pode relembrar um Senhor dos Anéis com menos negrume e sem ares de epopeia fantástica, mais leve e divertido. Uma leitura que muitos consideram adequada quer aos leitores de Harry Potter quer aos fãs de George R. R. Martin, capaz de encontrar consenso tanto num leitor mais jovem como num leitor mais amadurecido, a obra de Raymond E. Feist tem de tudo um pouco: magia, intriga, acção, romance e mais qualquer coisa é o que podem contar de encontrar neste livro.
Sorte a minha, na primeira vez que participo numa leitura Bang! calhou em votação este livro que esperava na minha estante à algum tempo para ser lido. Antes de mais, como podem imaginar não é fácil resistir à um livro que nos promete retornar a um tipo de leitura que marcou a nossa infância e imaginação quanto mais quando também é associado à maior obra de fantasia que vocês leram. E, como tal, é difícil não existir um certo tipo de expectativa em relação ao livro em causa (ando a falar muito em expectativas ultimamente) e a criar-se uma imagem na cabeça do que será.
Essa imagem não correspondeu, como acontece muitas vezes, mas o primeiro contacto entre mim e Crydee foi deveras entusiasmante. Um rol de personagens bastante diversas entre si que se relacionam de uma forma intensa, onde se reflecte os mais altos valores como a amizade, a lealdade, a honra ou o amor, agarra-nos de tal forma que as preferências tornam-se algo complicadas pois não haja dúvidas que estamos a lidar com um leque de personagens bastante interessantes a todos os níveis. Assistir ao crescimento da geração mais jovem é algo que marca a leitura deste volume de forma bastante intensa e que acaba por nos ligar ainda mais à história em si.
Sinceramente, não vejo o porque das comparações com as obras de J.K. Rowling ou de Martin, simplesmente não consigo ver grandes parecenças. Aliás, apesar de só ter visto os filmes de O Senhor dos Anéis, vejo mais parecenças com este do que com qualquer um dos outros, o que é normal, vendo a altura em que o livro foi editado pela primeira vez.
Influências à parte, a história de Pug tem as bases para uma daquelas obras de fantasia memoráveis. A escrita de Feist é leve, explicativa e sem subterfúgios o que ajuda na sua leitura, juntamente, com uma trama cheia de peripécias e cheia de aventuras, ainda com muitos mistérios por descobrir quanto mais para desvendar, que tem a sua dose de intriga, a sua dose para rir e até mesmo para chorar. Pode deixar o leitor embasbacado, e são as pequenas surpresas ao longo da narrativa que nos prendem.
Mas nada é perfeito. A forma como o autor não consegue controlar o tempo, que ora parece que não, ora anda rápido de mais, ainda por cima quando isto acontece nas cenas erradas puseram-me desnorteada. O tempo que certas personagens desaparecem para reaparecer psicologicamente diferentes ou o seu desaparecimento por completo foi aquilo que me fez mais confusão. Eu compreendo que seja uma forma de nos “obrigar” a querer ler o próximo mas pode ter o efeito contrário. Penso também que sendo o volume introdutório devia explicar mais e confundir menos pois acaba por dar a sensação que acontece tudo e mais alguma coisa para nada.
Mesmo com estes pontos negativos e sem a magia que parecia estar impregnada nesta história e que mal foi vista, parece-me que O Mago – Aprendiz ainda tem muito para dar e que no final, uma história boa pode tornar-se uma história fenomenal.
  
5*

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