sábado, 10 de dezembro de 2011

Opinião - Graceling, O Dom de Katsa

Título Original: Graceling (#1 A Saga dos Sete Reinos)
Autor: Kristin Cashore
Editora: Objectiva (chancela Alfaguara)
Número de páginas: 435


Sinopse
 No universo dos Sete Reinos. Katsa é uma Graceling, um ser raro com um dom extraordinário: desde os oito anos que é capaz de matar sem recurso a qualquer arma. O rei de Middluns, tio de Katsa, força a sobrinha órfã a usar o dom ao seu serviço, encarregando-a de matar todos os que lhe criem obstáculos.
Quando conhece um estranho príncipe cujo misterioso dom poderá estar à altura do dela, enfrenta pela primeira vez a perigosa sedução dos corrompidos pelo poder, mas aprende também a ter a coragem de confiar nos outros – e em si própria.
A oportunidade de empregar o seu talento ao serviço do Bem surge quando Katsa descobre que os Sete Reinos se encontram sob a ameaça de uma força sombria, que só um acto de heroísmo poderá vencer.
Com uma escrita elegante e envolvente, e um elenco de personagens inesquecíveis, Kristin Cashore cria um universo enfeitiçante, uma aventura que desafia a própria morte, e uma belíssima história de amor.
Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair…


Opinião 
 
Obra de estreia de Kristin Cashore, Graceling é o volume introdutório da trilogia A Saga dos Sete Reinos e pode ser considerado uma lufada de ar fresco no género da fantasia. Uma obra delicada onde os sentimentos mais nobres e a profundidade da relação humana é tomada como centro da acção para criar uma história enternecedora.
Eu comecei esta trilogia pela prequela Fogo, pelas razões que explico na sua opinião, tendo-me deixado levar pela doçura, ingenuidade e sensação de conto de fadas que o livro, bem como a escrita da autora, me transmitiram e, após opiniões claras que este primeiro volume era melhor, decidi-me a lê-lo numa altura em que necessitava de uma leitura leve e porque este mundo me havia suscitado uma sensação diferente do que é habitual.
Ao seu predecessor não falta a mesma capacidade de nos levar ao encanto quase infantil, através de personagens com um certo nível de sentimentalismo e nobreza e com histórias e cenários totalmente diferentes das que eu havia lido no outro livro. A escritora deve ser uma alma conquistada pelas histórias que nos ensinavam o bem e o mal e que nunca esqueceu a sensação que essas histórias nos transmitiam mas sem esquecer que todos nós temos um pouco de cada. Isso nota-se bastante nas suas protagonistas, ensinadas a fazer o mal mas que se rebelam contra tal e tentam ao máximo modificar os destinos que lhes destinam.
E é nas suas personagens que está o bom e o mau do livro. Apesar de ela alterar a base não altera o “miolo”. É fácil confundirmos os protagonistas de ambos os livros ou as restantes personagens umas com as outras. Mesmo modificando a caracterização física e pormenores da personalidade, é quase como se a escritora tivesse decalcado uma sobre a outra. Na minha sincera e pessoal opinião não acho que este primeiro livro seja melhor mas que tive a mesma sensação que outros tiveram quando leram o segundo livro de que este não me puxava tanto, exactamente, por já não ter originalidade.
Sem contar com o pormenor de que ambas as protagonistas estão envolvidas em “sociedades secretas” para combaterem o seu suposto lado mau; sem contar que às personagens secundárias parece que apenas foi mudado o nome, entre outras coisas que retiraram a esta leitura o sentimentalismo todo que a anterior me havia proporcionado. A única personagem que é ainda original é a Bitterblue que vai ser a protagonista do terceiro e último volume, e é nela que estou a depositar as esperanças do final da trilogia.
Por último, faltou algo a Po e Katsa. Sim, é de chorar as pedras da calçada mas o movimento, a emoção que dão vida a um livro perderam-se algures pelo caminho. Não há realmente um vilão que consigamos identificar, mal damos por ele e quando a acção surge é rapidamente cortada para haver demasiados momentos mortos. Pior, continuo sem perceber a finalidade, objectivo dos  graceling. Continua a não haver explicações para nada, sem uma ínfima pista.
Basicamente, continuo a achar que Kristin não soube dar corpo ao seu mundo e, pior ainda, que tem uma total falta de originalidade, imitando-se si mesma, o que consegue ser ainda mais deplorável do que copiar outro escritor. Quaisquer bons sentimentos que a leitura me pudesse ter trazido ficaram totalmente gorados. Ela prende-nos com um livro e repele-nos com o outro. Acho que não era esse objectivo.
Resumindo, não trouxe nada de novo. Soubesse o que sei hoje, tinha deixado este livro bem sossegadinho na estante da livraria donde o tirei e tinha-me ficado pelo Fogo.



3*

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