Autor: António de Macedo
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de Páginas: 500
Sinopse
Quem se atreverá a entreabrir a porta do perigoso quarto onde se guarda e se esconde, da vista dos profanos, o código que decifra o segredo dos segredos?
Prepare-se para uma viagem fantástica que começa nas
ruínas da lendária Khalôm, cujas ruas eram percorridas pelas almas dos
mortos porque um terrível sortilégio impedia o acesso às regiões
celestes a quem morresse dentro das suas muralhas; uma viagem que
continua com o choque entre os fanáticos rigores da Inquisição e as
acções de bruxas que assolam uma vila no Alentejo; uma viagem que
termina com um professor que capta as frases ditas por Jesus um mês
antes da sua crucificação e que podem abalar os pilares em que assentam
os principais dogmas da Igreja.
Opinião
Há algo que sempre me fez impressão neste país. Os bons
escritores são aqueles que são publicitados, estão em tops e toda a gente lê
por causa disso. Ou então são aqueles que dão reconhecimento ao nosso país mas
só se lembraram deles passado um número de anos da sua morte. Ou então basta um
prémio para os adorarem. Não quero com isto dizer que alguns não são bons
escritores porque são mas essa é a minoria.
Há bons livros e maus livros tanto aqui como em qualquer
outro lado e como portuguesa, leitora, estudante, cidadã é sempre com orgulho
que quando leio um livro em português bom, realmente bom me sinta muito
satisfeita. Principalmente quando esse livro sai dos cânones típicos da
literatura que se escreve em Portugal. Principalmente quando é revolucionário
para a sua época, quando combateu preconceitos e varreu do ombro os queixumes
que se fizeram ouvir por aqueles que não sabem do que se fala nem se trata. E,
acima de tudo, porque afinal, até somos inovadores mas há quem se esqueça
disso.
Este livro é isso e muito mais. Para quem não sabe, O Sangue e o Fogo é constituído por três
peças escritas por António de Macedo, como indica o título original do livro, é
uma trilogia cénica, e foram idealizadas em alturas diferentes da sua vida, com
objectivos diferentes. A última a ser escrita, foi-o em 1988, se não me falha a
memória.
Para os leitores do Portugal de hoje, se calhar não o vão
achar tão original mas é exactamente para não terem tais ideias, antes da sua
leitura não podem deixar de ler o prefácio que o autor nos apresenta. É aí que
a vossa mente é esvaziada e preparada para o que vão ler a seguir. Foi aí, ao
conhecer a história das histórias, as razões e momentos que fazem delas mais do
que histórias que o meu entusiasmo cresceu. Porque muitas vezes esquecemo-nos disso.
O meu maior medo quanto a este livro foi que ele fosse muito
profundo, maçudo, muito intelectual. Para aqueles que são ou foram estudantes
universitários acho que percebem onde eu quero chegar. Geralmente os
professores tendem a parecer que vivem numa dimensão diferente da nossa, que
falam outra língua, e nos ficamos a sentir-nos parvos porque eles são demasiado
eruditos. Isso não acontece neste livro. É profundo sim, faz-nos pensar, é
subtil por vezes mas quando damos conta já lemos metade dele sem nos aborrecermos
e sem pensar “Não percebi nada disto”. Outras vezes é directo, sarcástico, da
ironia mais suave que eu já vi. É tão brilhante que quando acabámos de
processar a informação, dá gosto voltar atrás e reler mais uma vez.
Em cada uma das peças vemo-nos transportados para épocas e cenários
diferentes. Cada uma delas tem uma história para ser contada, as suas
personagens, os seus temas e objectivos. Em cada uma delas vão aprender algo de
novo. O vosso espírito vai ser preenchido e a vossa mente vai sentir-se
estimulada.
É brilhante, e se calhar até vão mesmo pensar que é inovador
para o século XXI. Uma coisa é certa, vão gostar de saber que o seu escritor é português.
6*
6*

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