Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Difel
Número de páginas: 564
Sinopse
Neste livro a autora reimaginou a história da Guerra de Tróia e reconta-a do ponto de vista de Cassandra, a bela e atormentada princesa real de Tróia.
Na sua brilhante recriação da famosa lenda, a queda de Tróia desenrola-se de uma nova e ousada maneira a partir do julgamento de Páris, do rapto de Helena (esta não sendo aqui a perversa adúltera da lenda, mas sim uma mulher afectuosa e dedicada a Páris e aos seus filhos), e do levantamento dos exércitos gregos por Agamemnon, cunhado enfurecido de Helena, até à tragédia final da destruição da cidade, predestinada pelos deuses e pelo obstinado orgulho dos seus líderes masculinos.
A heroína deste conto épico é Cassandra, e a poderosa tensão do romance deriva tanto da luta interna, por ela travada, com as suas próprias lealdades divididas (visto que a sua lealdade ao pai, o rei, e aos irmãos é contraposta à sua submissão crescente à fé mais antiga no Matriarcado e na Terra-Mãe), como do amargo conflito entre Troianos e Gregosm no qual prevê fantasmagoricamente a destruição ou a maldição do tudo que lhe é querido, visto ter o poder da profecia.
Opinião
Quem não conhece Marion Zimmer Bradley? Quem não ouviu falar
da sua forma de recontar uma história conhecida à sua maneira e torná-la única?
Quase ninguém, em todo o mundo. Mesmo para quem não tenha lido a sua obra esta
senhora da fantasia e do movimento feminista não é desconhecida. Há anos que
ouço falar dela e quero ler a sua obra.
E quando as oportunidades surgem há que agarrá-las. Foi o
que eu fiz quando o meu professor de Religião e Mitologia Grega nos pediu para
fazer um trabalho sobre a recepção de um mito numa forma de cultura e me propôs
tratar da Guerra de Tróia na perspectiva deste livro. Não vos vou contar a
figura de parva que fiz à frente do professor e no meio do corredor. E tanta
euforia porquê? Porque finalmente ia poder lavar a cara da vergonha e ler
Marion Zimmer Bradley e porque ia fazer um trabalho sobre um dos meus temas
preferidos de sempre: a Guerra de Tróia.
Apesar de tanto entusiasmo, demorei algum tempo a ler este
livro visto que tive exames pelo meio e à medida que o ia lendo tinha de tirar
apontamentos para o trabalho e tal pois a verdade é que tinha de ter o dobro da
atenção a ler este livro. Até que perdi a cabeça e o li de rajada. Não consegui
evitar. O problema é que mesmo assim não consegui deixar de ser uma leitora que
já estudou este assunto de todas as perspectivas e foi ensinada a analisar esta
história de uma forma crítica e objectiva. O que não me permitiu gostar tanto
do livro como eu queria.
Tal como a Marion nos diz nos Agradecimentos, a mim também não
me satisfaz a Íliada ou a Odisseia ou todas as tragédias gregas
que falam sobre o assunto e que nos permitiram conhecer os pormenores da Guerra
mais famosa de sempre. Este é um tema sobre o qual a minha mente não se farta e
sobre o qual eu quero sempre saber mais. Mas não posso esquecer tudo aquilo que
aprendi nas aulas ou o que li.
A verdade é que se eu tivesse lido este livro à três, quatro
anos atrás, teria amado o livro até a exaustão. Hoje não consigo. E passo a
explicar porquê. Estes não são os heróis que eu conheço das epopeias. Falta-me
os momentos dramáticos e intensos, falta-me a honra, o orgulho, a sede de amor
e poder que esta história nos transmite. Falta-me a magnitude e beleza das
grandes histórias que foram transmitidas durante séculos.
Contudo, admito que este é um romance, mesmo tendo a
escritora alterado muitos factos que me deixaram ultrajada, escrito de uma
forma única e com uma protagonista sobre a qual eu sempre tive curiosidade:
Cassandra. Eu nunca vivi bem com o facto de ela ser a única a ver a realidade
desta guerra e ser uma das personagens mais esquecidas por todos. Ela foi um
dos pontos altos deste livro e devo admitir que a escritora tem um talento
soberbo para criar personagens femininas. Também a forma como nos conta esta
história tão conhecida é bela, de uma visão, mais uma vez única, e que vale a
pena ser lida.
Mas não consigo deixar de pensar que Marion relegou para
segundo plano ou transformou em autênticos “homens das cavernas” os heróis por excelência
de toda a literatura ocidental. A morte de Heitor foi uma facada no meu coração.
Passa por nos completamente despercebida! Como é possível? O Odisseu não é o
nosso Odisseu das patranhas e dos mil ardis. Onde está o amor intemporal de
Andrómaca e Heitor, que protagonizaram o primeiro momento de amor romântico da
literatura? O seu amor só é notado no sofrimento dela após a morte dele! Sem falar
noutras coisas que me deixaram realmente desfeita com esta versão.
Desculpem o sentimentalismo desta opinião, que é a minha. Não
posso relegar, apesar disto, a contadora de histórias que Bradley, e aconselho
mesmo assim esta obra a quem gostar desta escritora e a quem não ligar a estes
pormenores que para mim foram tão essenciais. E espero muito em breve ler As Brumas de Avalon e, quem sabe, recomeçar
com esta grande senhora da Fantasia.
5*

ah... como te compreendo. Mas comigo é ao contrário. Li a Ilíada e a Odisseia em versão juvenil, depois li o presságio de fogo e apaixonei-me. Só depois comecei a ler as versões originais e dicionários e mitologia e basicamente sentia-me ultrajada pela forma como algumas personagens são apresentadas. Quando vi o filme, então, ia-me dando uma coisinha má. E acontece-me exactamente o mesmo com as Brumas de Avalon... ver a Morgaine (ou Morgan le Fay) como bruxa má é uma facada no coração. Como li primeiro as versões da MZB sou muito, muito parcial.
ResponderEliminarPatrícia, acerca do assunto da Guerra de Tróia, um livro que está muito bom é o "Helena de Tróia" da Margaret George, editado pela Saída de Emergência em dois volumes.
ResponderEliminarQuanto as "Brumas de Avalon" espero lê-las, finalmente, para o ano. Veremos se me agradam mais...
Como eu amo esta autora! E como gostava de fazer trabalhos que envolvessem ler obras dela!
ResponderEliminarInfelizmente ainda não li este livro, que tenho religiosamente guardado na prateleira. Quem sabe será o próximo?
Mas uma coisa é certa, acicataste-me a leitura!
E "As brumas de Avalon" são, sem dúvida, a melhor obra dela. Vai a correr ler!!!!
Mar, estou a espera que a SdE as reedite! Assim que sair compro, prometo-te!
ResponderEliminarSegundo vi por aí, deve sair em 2012. Eles obviamente vão começar pela edição das Brumas, embora a Safaa (creio que foi ela e não estar a confundir ninguém) tenha dito que planeavam editar alguns volumes de Darkover *brilhozinho nos olhos*
ResponderEliminarEu como tenho as edições da Difel de capa meio branca (aquelas bem velhinhas) não devo comprar, mas se as capas forem tão bonitas como é costume, bem que vai ser uma tentação!
É quase como Harry Potter e as capas lindas de qualquer nova edição. Quero tudo!XD
Nem me falas nas capas do Harry Potter ;_; apesar que gosto muito das velhinhas =)
ResponderEliminarÉ isso é! O primeiro sai em Fevereiro! Epa estou farta de ouvir falar nessa saga mas não conheço *shame on me*
Comentário só para dizer que eu babo-me toda com o Eneias...
ResponderEliminarI know... But I can't help it!
Loool eu é pelo Heitor, mas a Marion faz dele um troglodita -.-'
ResponderEliminarQuando eu me decidir a ler a Ilíada talvez babe pelos 2 e está o problema resolvido!
ResponderEliminarMas até que nem faz. Vá, comparado com o Páris ou o Aquiles, o Heitor até que é bem simpático.
Pois mas mesmo assim ainda não me enche as medidas! E ele na Ilíada tem um momento tão bonito com a Andrómaca *.*
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