segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Opinião - Bel-Ami

Título Original: Bel-Ami
Autor: Guy de Maupassant
Editora: Biblioteca Novis-Visão
Nº de Páginas: 320

Sinopse
 Guy de Maupassant é considerado um dos mais influentes contistas e romancistas franceses da segunda metade do século XIX, apesar de uma actividade literária que durou apenas dez anos, durante os quais escreveu cerca de trezentos contos e seis romances. Entre estes últimos, salienta-se Bel-Ami, no qual o autor oferece um retrato do seu tempo e da sua classe social, narrando as peripécias de George Duroy, que deambula pelas ruas de Paris em busca de dinheiro e êxito. Uma obra em que se patenteiam os princípios literários de Guy de Maupassant, nomeadamente o estilo objectivo, a linguagem rigorosa e o realismo psicológico.
  
Opinião 
 Um clássico da literatura do século XIX, Bel-Ami é um retrato da classe alta burguesa da Paris jornalística e republicana em que os conhecimentos e a forma de estar bastavam para ir longe e deitar muitos abaixo. Numa sociedade de “cunhas”, segredos e escândalos, Guy de Maupassant dá-nos um retrato real e actual do seu tempo usando de todos os meios para construir o seu maior romance e aquele que o colocou no topo da literatura clássica do seu século.
A adaptação deste filme chegou aos cinemas nacionais na passada quinta-feira e foi o desejo de o ir ver que me fez, finalmente, ler este livro. Entre tantos clássicos que ainda me faltam ler, este não estava nas prioridades porque nunca me havia chamado a atenção mas como é raro eu ver um filme sem ler o livro primeiro, actualmente, lá fui a casa da avó buscar esta edição, muito mal traduzida diga-se de passagem, para me situar e saber o que esperar.
Fiquei agradavelmente surpreendida porque o livro não foi nada do que eu estava a espera e mais uma vez me relembrei porque gosto tanto de clássicos. Guy de Maupassant tem uma escrita fluida e nada complicada, sendo facilmente perceptível o que o escritor nos quer transmitir com a sua história. para além da história de um rapaz que soube rapidamente na escala social, temos também um retrato da sociedade parisiense que me fez lembrar o nosso Eça mas não com o seu talento. Ou seja, de uma forma sarcástica e irónica temos uma caracterização do pior dos senhores de bem e da situação política e social de Paris na altura que Tânger é passa a fazer parte do domínio francês.
Para esta “caricatura” Maupassant tem um leque de personagens elegantes e cheias de clichés, representado cada uma o seu papel no palco da boa vida parisiense, com os seus costumes e tradições, a forma como conviviam no dia-a-dia e as preocupações daqueles que dominavam os destinos da França. De uma forma mais subtil que a do nosso Eça, o escritor retrata esta classe social como ambiciosa e de aparências em que o que interessa é vingar na vida e mostrar aos outros a riqueza e o poder pessoal mesmo que em termos de personalidade nos detenhamos em pessoas quase ridículas que se deixam enganar com facilidade e que fecham os olhos a tudo o que não as possa atingir pessoalmente.
Depois temos o roteiro pela Paris dos burgueses, os locais mais emblemáticos em que aqueles que importavam marcavam presença de forma assídua. Tenho pena de não ter visto um pouco mais de descrição para me situar melhor porque acho que seriam cenários muito interessantes de explorar.
Mesmo assim acho que lhe falta um pouco de profundidade e mais detalhes, gostava de ter visto algumas coisas mais desenvolvidas e algumas questões foram tratadas de forma abrupta. Outra coisa é que este tipo de leitura dá azo a livros de muitas páginas e este é pequeno mas no seu caso percebe-se porque acontece.
De resto é um clássico que não me marcou como outros mas que ainda bem que tive a oportunidade de o ler pois acabou por me dar umas horas agradáveis e de fácil leitura em que não foi preciso puxar muito pela cabecinha.


5*

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