quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Opinião - O Crepúsculo de Avalon

Título Original: Twilight of Avalon (#1 Twilight of Avalon)
Autor: Anna Elliott
Editora: Planeta Manuscrito
Nº de Páginas: 440

Sinopse
 Ela é uma sacerdotisa, uma contadora de histórias, uma guerreira e uma rainha sem trono. Nas sombras da Bretanha do rei Artur, uma mulher conhece a verdade que poderia salvar um reino das mãos de um tirano…

Ressentimentos antigos, velhas feridas e a busca pelo poder imperam na corte da rainha recém-viúva Isolda. Mas passou uma geração após a queda de Camelot e Isolda chora o seu marido morto, o rei Constantino, um homem que ela sabe em segredo ter sido assassinado pelo perverso lorde Marche - o homem que acabou por assumir o título de Rei Supremo. Embora as suas aptidões enquanto curandeira sejam reconhecidas por todo o reino, no seguimento da morte de Constantino surgem acusações de feitiçaria e bruxaria.
Um dos poucos aliados de Isolda é Tristão, um prisioneiro com um passado solitário e conturbado. Nem saxão, nem bretão, Tristão não é atingido pelos esquemas políticos, rumores e acusações que rodeiam a bela rainha. Juntos escapam e enquanto o seu companheirismo muda de amizade ara amor, têm de encontrar uma maneira de provar o que sabem ser a verdade - que as manobras de Marche ameaçam não só as suas vidas mas a soberania do reino britânico.


Opinião 
 Existem lendas que perduram para alem das vidas e do tempo, que se alteram pelos valores e ideias que a época presente lhe adiciona. Mas há coisas como os ideais que não mudam para assim puderem continuar a ensinar e encantar todas as gerações vindouras. A lenda de Artur, com tudo o que ela representa, é assim. Alterável mas intemporal. E por mais adaptações que lhe sejam feitas, perdurará no imaginário de muitos por vários séculos.
A adaptação de Anna Elliott passa-se após a queda de Artur em Camlaan, numa época em que a Bretanha está dividida. Os seus protagonistas têm uma lenda só deles, que inspirou autores por todo o Mundo a escrever sobre o amor nascido do ódio. Tristão e Isolda. A autora une as duas lendas e torna Isolda a descendente de Morgana e Artur, e assim, conta-nos uma nova história repleta de espadas e magia.
Primeiro tenho de fazer o reparo que este livro é originalmente o primeiro de uma trilogia, sendo que os restantes volumes ainda não foram publicados em Portugal e, por isso, vou tratá-lo assim e não como um standalone, o que iria afectar a minha opinião deste livro.
A união das duas histórias foi uma das razões porque queria ler este livro mas acabou por me confundir um bocado talvez porque não conseguia enquadrar estas personagens no imaginário arturiano ou não conseguia associar as ligações pessoais umas às outras e talvez porque me fez muita confusão ser o Modred o pai de Isolda e não o Lancelot. Mas no fundo a ideia é boa e acaba por sair dos cânones habituais, trazendo-nos uma novidade num tema já tão debatido.
Uma das coisas que eu gostei é a autora situar na época histórica e no tema da cavalaria, dando-nos um livro que representa aquilo em que acabou por se tornar a história da Bretanha aos nossos olhos e em que houve um certo respeito pela pouca parte histórica que sabemos ser possivelmente real na altura de Camelot. Por falar na parte histórica, a escritora comete um erro na parte final em que refere que se sabe quem era o Rei Artur. Para aqueles que leram o livro, essa é uma das hipóteses e o livro referido é uma das obras de referência para o estudo do Ciclo Arturiano mas é datado de vários séculos depois e foi escrito com uma intenção especial por isso, tenham em conta que não se sabe quem era Artur e que existem dezenas de hipóteses ainda por comprovar.
Como volume inicial este é o livro onde tudo começa mas o seu desenvolvimento não tem um ritmo certo, ora sendo muito apressado, ora sendo muito lento, e se estão a contar com uma história de amor esqueçam porque neste volume não se passa nada quanto a isso. Sinceramente acabei por me sentir confusa porque a situação da protagonista é deveras estranha e eu não estava a conseguir conciliar as coisas. Acho que a escritora devia ter sido mais detalhada e explicativa porque acaba por se passar muita coisa que não se chega a perceber.
Quanto às personagens estão bem construídas, representativas da época em que vivem mas houve algumas surpresas que pareceram um bocado irreais que foi o caso do Merlin e da Hedda. Já as restantes foram plausíveis e gostava e ter visto um pouco mais de todas elas.
Estava a espera de outra coisa deste livro e sinto que se o resto da trilogia não for editado que li este livro para nada mas pode ser que para aí apareçam. Se vão ler o resto em inglês ou gostam muito de ambas as lendas, leiam que não perdem nada e acabam por conhecer outra vertente das duas histórias.



4*

3 comentários:

  1. Tenho-o há alguns anos na estante mas ainda não li na esperança que publicassem os restantes. Não és a primeira a dizer-me que acha que beneficiaria da leitura da continuação.

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  2. Beneficiaria porque este livro não nos diz quase nada, é basicamente uma introdução aos outros dois. O que eu acho triste é que se eu descobri que era uma trilogia porque quando o adicionei no goodreads apareceu os outros, senão não fazia a mínima ideia. A própria sinopse dá a ideia que é um standalone...

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  3. As sinopses conseguem ser muito enganadoras. A mim, ofereceram-me mas, tive a mesma experiência, quando o adicionei no goodreads apareceram os outros dois.

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