sábado, 18 de fevereiro de 2012

Opinião - Um Cappuccino Vermelho

Título Original: Um Cappuccino Vermelho
Autor: Joel G. Gomes
Editora: Edições de Autor
Nº de Páginas: 260

Sinopse
 As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional.
Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir.

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João Martins é um escritor com prazos para cumprir e sem ideias para desenvolver. Até que tem a ideia de escrever sobre um escritor que é também assassino profissional.
A surpresa acontece quando pessoas à sua volta começam a morrer tal e qual ele descreve no seu livro. A dúvida surge de imediato: estarão as mortes a acontecer porque ele as escreve ou será ele um mero narrador de eventos predestinados a acontecer?


Opinião
Dois homens, a mesma profissão, um prazo para cumprir mas nada é como parece. Um deles é um assassino profissional que adora café, principalmente cappuccino. E sem saberem um dia a vida deles irá cruzar-se nas páginas de um livro.
Primeiro livro do autor, este é um livro simples com uma escrita directa que sem subterfúgios entrelaça várias pessoas e demonstra que o destino pode unir duas pessoas sem que estes alguma vez se cruzem e que sem sabermos pudemos estar a influenciar uma outra vida e alterá-la.
Temos aqui um enredo simples e interessante que bem desenvolvido podia tornar-se um daqueles policiais que apesar de ter uma história banal cativa os leitores e lhes permite passar umas boas horas. Tendo sido uma leitura rápida, não foi contudo uma leitura que me entusiasmasse. Talvez a culpa seja do facto de eu gostar de leituras cheias de pormenores e teorias, descrições e detalhes e não de factos directos, “preto no branco”. Não sei. Só sei que não foi o que eu estava a espera.
Com um início prometedor, rapidamente se tornou óbvio que me faltava ali qualquer coisa. A cada página este foi um sentimento que se foi intensificando, devido a vários factores, a começar pelas personagens. Acabei o livro sem as conhecer, sem perceber o que as motivava, o que as tinha levado até ali, quem eram afinal. Esta falta de personificação fez com que eu não gostasse de nenhuma delas, o que me fez sentir pena porque senti que o Ricardo teria sido uma personagem muito interessante de perceber e o seu mentor, de conhecer. A falta de emoção nelas fez com que também eu não sentisse nada ao longo da leitura, o que para mim é muito mau sinal.
Depois foi a falta de descrições, o não me sentir situada em lado nenhum. Apesar de ter diálogos directos, faltou o resto para ser compreensível, para mais uma vez nos puxar e identificar com algo ou alguém. Acaba por ser momentos sobre momentos a que eu tinha dificuldades de me ligar. Mesmo assim confesso que até aparecer o segundo protagonista, o João, eu ainda estava com esperanças que pelo menos o desenvolvimento decorresse de uma forma natural e estava a ler de uma forma rápida porque queria saber o que se passava. Após o primeiro capítulo do João, o entusiasmo que eu tivesse passou. A história acaba por se tornar repetitiva, o que me cansou, e torna-se confusa até ao ponto de eu já não saber que se o tempo decorria antes ou depois dos capítulos do Ricardo. Quando essa situação ficou mais visível, acabou por ser as cenas finais que me confundiram mais uma vez. Não existindo um elo de ligação, torna-se um final precipitado e confuso em que mais uma vez eu não consegui perceber quer o porquê como o como ou o quê.
Mais uma vez não sei se foi uma falha minha mas cheguei ao final sem perceber nada ou sentir nada. Não me cativou ou prendeu. Ao ser tão directo acaba por se tornar algo rápido e indolor. Acho que não perdia em ter mais páginas, mais história, mais explicações. O que me chateou é que é uma ideia interessante que podia ter dado “pano para mangas” e, infelizmente, não deu.
Uma leitura que prometia mas em que acabou por faltar quase tudo. Fica a ideia.

1*

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