Autor(a): Umberto Eco
Editora: Biblioteca Sábado
Número de Páginas: 480
Sinopse
No Inverno de 1327 frei Guilherme de Baskerville, um monge franciscano e antigo inquisidor, juntamente com o seu inseparável pupilo, Adso de Melk, acorre a uma abadia beneditina situada nos Alpes italianos, onde lhe pedem que ajude a esclarecer a estranha morte de um jovem monge miniaturista. Durante a sua estância na abadia, novas mortes de monges ir-se-ão somando à primeira em circunstâncias cada vez mais inquietantes e inexplicáveis para o modo de pensar medieval. Coma sua filosofia racional e científica, frei Guilherme seguirá o rasto dos crimes através das entranhas da abadia até descobrir que o seu adversário é a diabólica encarnação de um mundo que se resiste a desaparecer...
Opinião
Quem não viu O Nome da
Rosa com Sir Sean Connery e não o
classificou como um grande filme? E quem é que não leu o livro e sentiu que
para uma questão tão simples, nunca se pensaria que este livro se tornaria um
clássico? O nome de Umberto Eco jamais será esquecido por causa deste livro em
que questões filosóficas, teológicas e históricas nos dão uma visão de um grupo
selecto do século XIII e nos mostra um quadro acerca do pensamento e da vida
quotidiana da altura. A premissa é simples: Jesus Cristo riu? Através de um dos
maiores mistérios da História, o escritor criou um clássico apetrechado de
ensinamentos.
A primeira vez que vi o filme tinha 16 anos e foi numa aula
de Filosofia. Posso dizer que se tornou num ponto de referência e um dos meus
filmes favoritos. Durante anos pensei em ler o livro e tive oportunidade de o
arranjar mas só quando o professor de História das Culturas da Antiguidade
Clássica falou nele a semana passada é que percebi que já estava na altura de o
ler. Com mais conhecimentos, acho que a leitura deste livro veio na fase certa
da minha vida, tendo servido para recordar e aprofundar temáticas preciosas
para mim, tive uma visão mais clara deste livro, do que teria tido à 4/5 anos
atrás.
A escrita de Eco não é fácil e o facto de não existirem
notas de rodapé para as frases em latim dificultou-me um bocado a leitura, o
que fez com que o lesse devagar e com que voltasse atrás em várias situações. Apesar
de não ser uma escrita corrente, é forte e carismática como o próprio livro,
tendo-se adaptado perfeitamente a temática um pouco pesada do livro. Não é um
escritor para ler todos os dias mas é daqueles que se deve ler.
Quanto à temática em si, parece uma questão quase ridícula
mas era sem dúvida uma das milhentas questões que assaltavam o clero nesta
época e a partir dela passámos de uma forma natural a um dos mistérios e das
maiores perdas da História: a segunda parte da Poética de Aristóteles referente a um dos géneros preferidos dos
gregos da Antiguidade, a comédia. Com duas questões que se entrelaçam na perfeição,
o escritor cria um mistério que assalta as problemáticas religiosas deste
século e aborda-as em várias frentes, conseguindo demonstrar uma série de
características e detalhes de uma vida dedicada ao culto, ao pensamento e à
luta pela superioridade católica.
Todo o mistério é construído de uma forma perspicaz e
estudada levantando uma série de pormenores que, no todo, nos dá uma imagem
geral e que mesmo para quem viu o filme primeiro consegue ser surpreendente. Pena
as partes em latim não traduzidas porque tenho a certeza, escapou-me muita
coisa por causa delas e não consegui apreciar muito os diálogos à conta desse
problema.
Por falar em diálogos, eles são ricos em todos os aspectos
tal como as personagens que os assumem. A subtileza e engenho em redor de ambos
os aspectos dão-nos momentos de intensa actividade cerebral, preciosos em pormenores.
As próprias descrições ou écfrases que nos são apresentadas, são detalhadas ao
extremo, conseguindo com que visualizemos a imagem na nossa mente como se a
tivéssemos à nossa frente.
Não foi realmente uma leitura fácil. Foi desgastante mas
posso dizer-me satisfeita e surpreendida, senão mesmo maravilhada. Tão cedo não
regressarei a Umberto Eco mas já não tenho “medo” de pegar num livro seu. Um
livro ainda mais brilhante do que o filme ao qual deu a vida.
6*

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