Autor: Jean Webster
Editora: Biblok
Nº de Páginas: 191
Sinopse
Sallie McBride, uma rapariga de boas famílias, converte-se sem querer na nova encarregada do orfanato rural John Grier, um cargo para o qual não está preparada... Presa no campo, sem mais companhia do que o político retirado e o médico que trata os órfãos, Sallie descobrirá que há uma vida para lá da alta sociedade de Nova Iorque, aprenderá a ser altruísta... e conhecerá o seu verdadeiro amor.
Opinião
Da família de Mark Twain, Jean Webster foi uma mulher activa
que se envolveu na política, estudou economia e atendia aos mais diversos
eventos sociais, acabando por passar as suas actividades e interesses para os
seus livros. Defensora dos direitos das mulheres, é evidente em cada uma das suas
personagens femininas os ideais em que acreditava.
Querido Inimigo não
foi excepção e tal como o seu percursor Daddy
Long-Legs atingiu o estatuto de bestseller,
trazendo um pouco de bom senso e divertimento a um mundo em plena mudança.
Este foi o único livro que consegui da colecção de chick-lit que saiu numa revista, acho
que o verão passado, com muita pena minha mas só me soube da colecção quando
ela já estava a terminar.
Querido Inimigo é
contado na forma de correspondência, melhor dizendo, são nos apresentadas as
cartas que a protagonista envia para as restantes personagens e, é através
destas que ficamos a conhecer a sua história e como esta se desenvolve. Este método
acaba por criar confusão no leitor uma vez que apesar de a escrita de Sallie
ser muito expressiva e descritiva, nunca nos é apresentado a perspectiva das outras
personagens, apenas sabemos a versão da protagonista, o que torna a história
estranha e irreal porque, a meu ver, é muito complicado perceber desta forma
como é que as personagens se relacionam ou como se desenvolvem os sentimentos
entre elas. Acho que para uma ideia destas teria sido bom haver um certo apego
e mais conhecimento entre leitor e enredo geral.
Porque a verdade é que o livro é giro, divertido e leve para
os espíritos mais necessitados. A forma extremamente “expansiva” com que Sallie
nos vai relatando as suas aventuras permite-nos rir com ela e aceitar os seus
desejos, pedidos mais loucos e acharmos que ela tem razão por mais exagerados e
fúteis que possam ser. Aliás, se não fosse
a própria Sallie, a sua personalidade e desvairos este livro não era nada, ou
pelo menos não teria o mesmo impacto. Tenho pena de não me ter identificado com
o sistema “correio” porque sinto que se tivesse sido de outra forma este teria
sido um dos livros mais divertidos que já li.
Também a sua história, tão pouco aprofundada, é uma das
razões para nos fazer gostar desta leitura. Imaginem uma miss da alta sociedade encarregue de 111 criancinhas que ninguém sabe
de onde vieram e que, segundo a sociedade e o bom doutor, já têm o destino
traçado e não é dos melhores. E ela que é quase obrigada a aceitar o cargo
passa a adorar os seus filhos emprestados. Momentos geniais de riso puro mas
faltam pormenores porque há momentos enternecedores que se perdem pela rapidez
com que se passam.
A outra coisa que não me convenceu foi aquele amor repentino
entre Sallie e doutor. Fiquei a pensar se eles teriam batido os dois com a
cabeça ou algo assim. É que não há indícios, ou pelo menos não daqueles que nos
fazem compreender quem são os casais da trama, que estes dois iam acabar assim.
Não é que eu não tivesse percebido à primeira mas assim do nada? E depois
termina assim, abruptamente, quando eles se encontram nos braços um dou outro. Momento
pelo qual eu não dei por nada.
Mas a que dar a mão à palmatória e quando um livro me faz
rir como este merece ser elogiado, até porque este humor sarcástico do início
do século XX é delicioso e mesmo feminino, e eu fiquei com pena de não haver
mais e de não ter sido um pouco mais longo.
Isto podia parecer quase uma história de hoje (quase) e acho
que quem quer passar umas poucas horas a descontrair, se o tiver em casa, que o
agarre, sente-se e desfrute da Sallie.
4*

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