segunda-feira, 16 de abril de 2012

Opinião - A Árvore dos Segredos

Título Original: The Peach Keeper
Autor: Sarah Addison Allen
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 276

Sinopse
 Sarah Addison Allen dá-nos as boas-vindas a uma nova povoação: Walls of Water, na Carolina do Norte, onde os segredos são mais espessos do que o nevoeiro das famosas quedas-d’água da cidade, e as superstições são, de facto, reais.
Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época área de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. E a própria Willa há muito se esforçou para construir uma vida para lá da sombra da família Jackson. Não é tarefa fácil numa cidade moldada por anos de tradição e com fronteiras bem demarcadas entre ricos e pobres.
Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood - da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é mais um segredo que gira à volta de algo encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade.
Setenta e cinco anos antes, o carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water, e deixou a sua marca. Quem terá ele sido realmente? E por que motivo estão de repente a acontecer coisas estranhas em toda a cidade?
Agora, unidas numa improvável amizade e por um enorme mistério, Willa e Paxton tem de confrontar as paixões perigosas e as trágicas traições que outrora uniram as suas famílias e descobrir a verdade acerca dos antepassados que transcenderam o tempo e desafiaram a sepultura para tocar os corações e as almas dos vivos.
A Árvore dos Segredos é uma história sobre o poder profundo e duradouro da amizade, do amor e da tradição, e um retrato dos laços inquebráveis que – nos bons e nos maus momentos, de uma geração para a seguinte – duram para sempre.


Opinião 

Foi através da simplicidade e encanto das suas histórias que Sarah Addison Allen ganhou um lugar como uma das autoras bestsellers mais acarinhadas. Através de contos de fadas modernos, a autora tem deliciado os seus leitores com personagens facilmente identificáveis e com histórias de vidas onde facilmente nos reconhecemos, a juntar a isso a componente mágica da sua escrita, temos livros de sucesso que não deixam ninguém insensível.
Depois de descobrir esta escritora soube que não podia ficar muito tempo sem ler outro dos seus livros e tive a sorte de me emprestarem este, o último lançado em Portugal, e foi com rapidez que o li e com uma grande curiosidade pois já me tinham dito que O Jardim Encantado era o melhor de todos e, por isso, estava um pouco apreensiva com a qualidade deste livro. Contudo, como já sabia o que esperar, entrei na história mais familiarizada com o estilo da escritora e não me senti defraudada pois este livro contém a mesma magia do outro livro e tem os seus próprios encantos.
Se há coisa que eu gosto, e deve ter sido por isso que foi para área que fui, é de segredos do passado, histórias antigas que marcam a família e fazem com que descubramos algo em pessoas que conhecemos toda a vida, acontecimentos marcam toda uma vivência e criam mitos para as próximas gerações. Este livro é exactamente isso. Docemente pitoresco, relata o passado e o presente de uma pequena vila, onde todos sempre se conheceram e partilham as mesmas histórias de vida, e os segredos obscuros que se pode guardar num meio tão pequeno e, até, fazer esquecer marcos que influenciaram tudo e todos.
Como base do passado, temos uma mansão, anteriormente familiar, depois abandonada e mais tarde restaurada, no meio de toda a história, juntamente com um pessegueiro que influencia todos em seu redor. São estes os elementos que unirão o que foi passado e que restabelecerá aquilo que foi perdido. Isto é algo que autora tem como tema em ambos os livros que li, a necessidade de algo que ligue as personagens e que as recorde de antigas memórias, de forma a que elas as vejam de outra perspectiva. É familiar e encantador, e faz com que nos lembremos das pequenas coisas que nos rodeiam e sempre cá estarão para nós.
Para além disso, este livro também discute a forma como a adolescência e a opinião alheira podem alterar ou manter a personalidade do ser humano, a necessidade que este tem de se manter nas raízes ou, por outro lado, fugir delas, e como acaba por transformar a maneira como lidámos com o mundo. A autora dá-nos personagens humanas e de personalidades díspares, cada uma com os seus medos e segredos, que conseguem dizer algo aos seus leitores e transmitir-nos emoções tão reais como as que sentimos todos os dias. Personagens encantadoras as quais nos apegamos e para as quais só desejámos um final feliz como os dos contos de fadas.
A Árvore dos Segredos é também um livro sobre aparências, onde aquilo que parece não é, que nos ensina valores inestimáveis como a amizade, a confiança e a lealdade e o que realmente significa guardar um segredo. Este livro é uma versão pitoresca e encantadora da vida, onde acreditar em fantasmas e em velhos hábitos familiares tem um significado tri-dimensional.
Este livro pode não ter a magia do anterior mas não deixa de ser um romance mágico capaz de ensinar e deliciar os leitores assíduos deste tipo de romance e os novatos. Mais uma vez, deixei-me levar pela escrita simples e peculiarmente doce e irónica de Sarah Addison Allen e recomendo a todos que o façam.

6*

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