Autor: Anne Rice
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 254
Sinopse
"Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade.
Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa."
Opinião
Crónica Vampíricas
tornou-se um sucesso em 1976 quando o seu primeiro volume foi publicado e,
em pleno século XXI, ainda não perdeu a sua personalidade cativando as novas gerações
que procuram um tipo de vampiro “à moda antiga” num mundo recheado de
literatura vampírica. Dois filmes e onze livros depois, apesar de Anne Rice actualmente
se dedicar à religião esta será sempre a série que a tornou um dos nomes da
literatura gótica e vai marcar sempre a forma como os vampiros são vistos, logo
a seguir ao Drácula de Bram Stoker.
O Vampiro Lestat
conta-nos a história da personagem com o mesmo nome, sendo que nesta primeira
parte, é nos relatados acontecimentos muito anteriores aos que ocorrem em A Entrevista com o Vampiro. Se o
primeiro serviu para aguçar a curiosidade dos leitores, este é a intensificação,
a (re)descoberta, o livro que vai manter o leitor agarrado até às últimas
páginas. Se Anne Rice é a “mãe dos vampiros” e Bram Stoker “o pai”, podem ter a
certeza que Lestat é um “irmão mais novo” à medida para Drácula.
Mais uma vez, foi difícil resistir à escrita desta escritora
e, mais uma vez, vi confirmado o seu enorme talento pois neste livro ela
apresenta-se com uma obscuridade e beleza superior as do livro anterior,
tornando impossível não seguir Lestat pelas ruas de Paris do século XVIII completamente
enfeitiçados. Quer pelas descrições da cidade em pleno “Século das Luzes” com a
Revolução à porta, quer pelos cenários animalescos ou pela intensa narração que
vai nos vai prendendo a cada parágrafo. É inevitável não nos arrepiarmos com a sedução
de algumas cenas macabras, como lemos algo que nunca aceitaríamos com um
espanto mudo, completamente rendidos à voz que se solta de cada palavra.
Já referi que Lestat é tudo o que odiamos e amamos. Neste livro
é menos e mais, ao mesmo tempo, permitindo-nos conhecer o antes e o que levou ao
vampiro que Louis tão bem recorda, deixando-nos antever as fragilidades e lutas,
permitindo-nos conhecê-lo ainda melhor e seduzindo-nos com o seu eu de uma
forma tão descarada e brilhante, umas vezes, introspectiva e frágil, noutras,
Lestat é a personagem “excelência” deste livro, é a alma e o carácter de uma
história sombria sobre uma época luminosa construída em cima de sangue e obsessões.
A maneira como a escritora consegue transpor a época e o ambiente para a
personagem, para a própria história deixou-me maravilhada por aquela Paris
escura e efervescente, pela maneira como o velho e pagão se mistura e separa do
novo e racional.
Com as novas e restantes personagens, fiquei muito com a sensação
de que, com as suas presenças curtas e fortemente acentuadas, elas marcarão Lestat
para o resto da série, mesmo que não sobrevivam muito mais. A verdade, é que
ele as monopoliza mas a sua influência é enorme nele e, apesar, de vermos
maioritariamente Lestat, elas estão tão vincadas na história quanto ele. As mudanças
bruscas de carácter são justificadas pela liberdade, pela loucura, pelas
descobertas interiores e são necessárias para chegarmos a uma conclusão que me
parece ainda vir longe. Referencio que existe uma personagem que nunca pensei
reencontrar neste livro e me fez querer juntar peças e saber muito mais!
Por fim, o livro não seria o mesmo sem os pensamentos e
dúvidas de Lestat, acho que se tivesse sido escrito de outra forma, não teria o
fascínio que o caracteriza nem nos agarraria da mesma maneira. A maneira
filosófica e por vezes ingénua e egoísta com que o vampiro lida com as coisas
marca muito este livro e penso que faz com que tenhamos sempre uma predileção
por este vampiro.
Ansiosa por mais e completamente fascinada por Lestat,
espero ler em breve a continuação e depois de um final assim, preciso de saber
mais, muito mais. Estou rendida a estas Crónicas
Vampíricas.

Anne Rice é muito boa mesmo e o Lestat é dos meus personagens vampiros favoritos de sempre! A escrita de Rice é tão poética e tão bela.
ResponderEliminarAdoro, adoro o Lestat *.* É mesmo, é impossível levantar os olhos da escrita dela.
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