domingo, 13 de maio de 2012

Opinião - A Carta

Título Original: The Postmistress
Autor: Sarah Blake
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 352

Sinopse
 1940. A França rendeu-se. As bombas caem sobre Londres. Roosevelt promete que não vai mandar os americanos lutar em «guerras estrangeiras». Mas a radialista americana Frankie Bard, a primeira mulher a fazer emissões radiofónicas da blitzkrieg em Londres, quer apenas levar a guerra até casa. Enquanto isso, em Franklin, Massachusetts, Iris James ouve as emissões radiofónicas e sabe que é apenas uma questão de tempo até a guerra chegar às margens da sua terra. Responsável pelo correio, Iris acredita que o seu trabalho é entregar e guardar os segredos das pessoas. A ouvir Frankie estão também Will e Emma Fitch, o médico da povoação e a sua mulher, ambos a tentarem escapar a uma infância frágil e a forjar um futuro mais risonho. Quando Will segue o canto da sereia de Frankie até à guerra, os piores receios de Emma tornam-se realidade. Will parte para Londres e as vidas das três mulheres entrelaçam-se. Alternando entre uma América ainda resguardada no casulo da sua incapacidade em compreender o perigo próximo e uma Europa a ser dilacerada pela guerra, A Carta traz-nos duas mulheres que se descobrem incapazes de entregar correspondência, e uma terceira mulher desesperada por uma carta, mas com medo de a receber.

Opinião  
 A II Guerra Mundial tem mantido após tantos anos um fascínio e um horror imensos sobre a Humanidade, tendo-se repetido o seu tema, as suas atrocidades e a coragem daqueles que fizeram frente a um homem e a um regime tanto na tela como nas páginas de um livro. A Carta é um desses livros, que ao contrário de tantos outros, não se baseia na guerra em sim mas nas acções que essa guerra provocou em três mulheres, ligadas entre si por acontecimentos, naqueles que foram esquecidos quando mais precisavam e que hoje são lembrados com pena e remorso.
Sarah Blake apresenta uma ideia original sobre um tema já tão batido e consegue com que os seus leitores relembrem, não só os que combateram, mas também os que os esperavam, os que fizeram a diferença sem pegar em armas e aqueles que tiveram de esperar impotentes pela sobrevivência no dia a seguir.
Como estão fartíssimos de saber eu estudo História e é normal que este tipo de tema me fascine pois como alguém disse, a História é feita de pequenos actos e são esses que levam aos grandes acontecimentos, há sempre uma história interessante por trás da História. Outra grande verdade, é que esta não é a minha área de eleição, talvez pela forma como tem sido banalizada por todo o lado, talvez porque a única coisa que eu consigo sentir é medo e respeito e nadinha de fascínio, o que não quer dizer que um livro assim não me chame a atenção.
Apesar de ser uma ideia original, a verdade é que ela foi pouco desenvolvida ou, se quiserem, mal desenvolvida. Temos três visões femininas de uma guerra mas ao mesmo tempo apenas duas estão realmente ligadas a ela de alguma forma. Temos também dois cenários em tempo de guerra, uma Londres a ser bombardeada e uma cidadezinha de Massachusetts que ouve as notícias todos os dias e confiam que os seus homens não terão de combater nesta guerra. Mais uma vez, também isto foi original, uma forma de conhecermos os dois lados desta guerra e, mais uma vez, a coisa não foi bem aproveitada. Se as imagens de Londres eram fortes e nos faziam pensar, as da pequena cidade deixam muito a desejar.
Nisto tudo, os grandes pontos negativos foram as personagens e a escrita da autora. As personagens não agarram, não apegam, pura e simplesmente não as entendemos. Não há qualquer tipo de ligação com as três protagonistas ou quaisquer outras personagens, pois não há uma construção psicológica que nos dê a conhecer as personagens. Era necessário algo mais para sentirmos ao lado deles.
Depois a escrita da autora não é nada de especial. Muito confusa, pouco descritiva e sem qualquer chama. Não há uma explicação lógica para qualquer acto e muitos dos acontecimentos não fazem qualquer sentido. Apenas na viagem de Frankie pela Europa podemos ver a alma que este livro podia ter tido, uma alma gigante e poderosa que morreu antes de começar.
Para além disso, o enredo é difuso e das várias histórias paralelas, não há nenhuma que chame a atenção sem ser a de Frankie, os relatos dos bombardeamentos de Londres. Escrito de outra forma, seria um livro interessante e que perdeu pelos vários pontos que mencionei em cima. Ganha numa coisa que em mim chamou a atenção, os pormenores históricos detalhados, o papel da rádio na II Guerra Mundial, as perspectivas dos atacados e dos que aguardavam. Aí ganhou pontos mas não suficientes para chamar a atenção ou marcar a diferença.
Outra coisa que me confundiu foi o título original, pois não tem nada a ver com o livro em si, já que a Postmistress passa por ser a personagem menos interessante e, que mais uma vez, podia ser muito mais.
Um livro que podia ser muito mais e que se ficou pelo que seria, um livro que se lê mas não se repete.

 3*

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