quarta-feira, 30 de maio de 2012

Opinião - Helena de Esparta, Princesa de Ninguém

Título Original: Nobody's Princess (#1 Nobody's Princess)
Autor: Esther Friesner
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 304

Sinopse
 É bela, é uma princesa e Afrodite é a sua deusa favorita, mas Helena de Esparta anseia por mais alguma coisa na vida. Ao contrário da irmã bem-comportada, Clitemnestra, não sente qualquer prazer em tecer ou bordar. E, apesar do que a mãe diz, não está interessada em casar-se. Ao contrário, quer treinar técnicas de combate com os irmãos mais velhos, partir em aventuras heróicas e ter liberdade para fazer o que deseja e descobrir quem é. Não sendo pessoa para contar com os deuses - ou a sua beleza - para velar por ela, Helena lança-se na obtenção do que quer com determinação e uma postura assertiva. E embora seja essa postura que lhe granjeia alguns inimigos (como o autoproclamado «filho de Posídon», Teseu), é também o que cativa, encanta e diverte os que se tornam seus amigos, desde a caçadora Atalanta à jovem sacerdotisa que é o Oráculo de Delfos. Em "Helena de Esparta, Princesa de Ninguém", Esther Friesner entrelaça com perícia histórica e mito ao examinar com novo olhar a adolescente que virá a ser Helena de Tróia. A história resultante oferece humor, acção e uma heroína sedutora por quem não podemos deixar de torcer.

Opinião 
 Determinados temas e personagens têm detido um fascínio profundo por gerações em todas as épocas. Um desses temas tem sido a Guerra de Tróia, mas mais do que esta, tem sido aquela que a causou, a mais bela mulher do Mundo, que tem exercido uma influência constante na literatura: Helena de Tróia.
Autores se basearam nela para criar outras personagens femininas com o mesmo impacto mas ainda hoje, ela é a mais bela. A sua vida foi vista e revista tantas e tantas vezes, mas o impacto da sua história nunca morre. Nesta adaptação de Esther Friesner, revisitámos mais uma vez essa história e, através dela, retornámos à Hélade antes de ser Grécia, quando era apenas o território daqueles que falavam grego.
Esta é uma das personagens das quais eu nunca me farto. Posso ver montes de filmes e ler outros tantos livros sobre ela, que há sempre algo diferente, mesmo que não me agrade, e por isso agarro qualquer oportunidade de ler mais sobre o tema. Tenho procurado este livro sem nunca o arranjar até que finalmente, lá troquei outro livro por este e pude finalmente ler a adaptação de Friesner sobre a princesa espartana que seria princesa de Tróia.
Esta é uma versão diferente, algo pessoal e vinda directamente da imaginação da escritora. Ao iniciar-se com a infância de Helena, da qual se sabe muito pouco, este livro teve liberdade para se expressar a vontade e a autora aproveitou cada bocadinho que pode para o fazer, adaptando vários mitos gregos ao de Helena de Esparta. Apesar de alguns desses mitos não terem qualquer ligação ao da Guerra de Tróia e temporalmente não serem coincidentes como o de Teseu, outros como o dos Argonautas e a maldição dos Atridas ficaram perfeitamente equilibrados com a restante história. Coincidentes ou não, foram bem estruturados e permite que se conheça outros mitos para além do de Helena.
Contudo, este livro não é perfeito e nem tudo foi construído com o mesmo zelo já que a autora podia ter aproveitado a liberdade que tinha para escrever sobre esta altura da vida de Helena sem mexer com determinadas coisas. Se por um lado colocou histórias não conhecidas do público geral mas que fazem realmente parte do mito e permitem um aumento de conhecimento, por outro algumas alterações não nos permitem imaginar que esta história levará à Guerra de Tróia, e é aí que o livro perde o seu encanto, infelizmente.
A grande falha desta história é as personagens e, a partir daí, o caminho que autora lhes dá, logo o enredo do livro, estragam o conjunto geral. As personagens onde a diferença abismal, no meu ver, se nota é em Helena e Clitemnestra. A Helena de Tróia não poderia ser assim em criança, não faz qualquer sentido e, por isso, não a conseguimos ligar ao mito, sem tirar que ela tem uma personalidade tão irritante que já não conseguimos gostar dela. Depois, se ela soubesse usar uma arma, teria ficado atrás das muralhas dez anos? Não me parece. Quanto à Cli, eu tenho uma preferenciazinha por ela, confesso, e detestei ver a forma como a autora banaliza esta criança que sofrerá e amará de tal forma que cometerá um crime hediondo. Mais uma vez, não a identifico com a personagem do mito.
Já a acção do livro, é interessante, divertida e faz com que este livro se leia bem e rapidamente mas pelos erros acima, não consegui gostar dele como queria, esperava mais e fiquei um pouco desapontada.
Este é mais um daqueles livros que a editora em causa não lançou a continuação nem avisou que a tinha, com muita pena minha, mas parece que há manias que são difíceis de mudar, e o respeito pelos leitores deve ser uma coisa difícil de se manter.
Não é das melhores coisas que li sobre o tema mas lê-se e, sinceramente, talvez sem as minhas esquisitices tivesse mais pontuação. 

5*

3 comentários:

  1. Pois é... livros como este fizeram-me perder vontade de começar séries pela Bertrand, só me tenho tramado com isso. :( Ainda pensei em comprar na Feira do Livro, em que estaria mais barato, mas já não havia quando lá fui. :/

    Mas fiquei muito curiosa por ler, talvez vá ler em inglês. Gosto bastante do mito da queda de Tróia, mas tenho visto mais filmes do que propriamente lido livros baseados no mesmo. :)

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  2. Ola! Pelos vistos a Bertrand é perita em deixar as sagas a meio...:s enfim...
    Fiquei com curiosidade de ler alguma coisa sobre Helena de Tróia. Deste tema, podes indicar-me algum livro? :)
    Beijinhos e boas leituras

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  3. Olá meninas!

    Quando me interessa um livro da Bertrand, vejo sempre primeiro se faz parte de alguma série, e muito sinceramente, não compro nada deles à muito tempo...

    Eu acho que só vi este livro à venda umas duas vezes p7, sinceramente, e só o tenho porque foi troca!

    A ambas recomendo "Helena de Tróia" da Margaret George que a SdE editou, é consistente com o mito e a senhora escreve muito bem ;) está é dividido em dois volumes!

    Beijinhos e boas leituras

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