sábado, 16 de junho de 2012

Opinião - No Tempo das Fogueiras

Título Original: The Burning Times
Autor: Jeanne Kalogridis
Editora:Saída de Emergência
Número de Páginas: 463 (de bolso)

Sinopse
 Transportando o leitor para a França do séc. XIV, terra fértil em hereges - cátaros, gnósticos e templários -, Jeanne Kalogridis conta-nos a história de Sybille, uma rapariga com estranhos e inexplicáveis poderes.Como se não bastasse a Guerra dos Cem Anos e a terrível Peste Negra, a Inquisição acende dezenas de milhares de fogueiras para queimar hereges. E quando a avó de Sybille é torturada e queimada, só lhe resta fugir para um convento. Os seus dons de cura e premonição permitem-lhe subir na hierarquia da Igreja e na admiração do povo que a adora como uma santa. Mas, aos olhos do Papa, Sybille é uma ameaça e uma bruxa que tem de ser atirada ao fogo. Quando é presa, cabe ao jovem inquisidor Michel interrogá-la. Este agradece a Deus a sua sorte, pois sempre acreditou na santidade de Sybille e assim poderá salvá-la. Mas quando ela lhe conta a sua história, toda a fé do jovem ameaça ruir. Para piorar, de dia sofre pressões para a queimar, e de noite arde de desejo por ela. No Tempo das Fogueiras é um livro vitorioso, onde Kalogridis conseguiu criar uma heroína de proporções épicas e um leque de personagens maravilhosas.

Opinião
 Há momentos que marcaram para sempre a nossa imaginação e épocas que suscitam um tal maravilhamento que serão retratadas de todas as formas possíveis. A caça às bruxas e a Peste Negra são duas das razões para a Idade Média ser conhecida como a Idade das Trevas que estando recheada de pormenores e enredos, é uma inspiração para qualquer escritor que procure um palco denso e rico para um livro deste género, o que a torna uma das épocas históricas mais retratadas na literatura.
Jeanne Kalogridis retoma um dos temas habituais relacionados com este tempo, numa história entre santidade e bruxaria, num estilo próprio e de uma forma única que pode espantar os leitores assíduos do género e das suas obras. Autora de vários romances históricos como A Noiva Bórgia e de Star Trek pelo pseudónimo de J.M. Dillard, Kalogridis deixa o Renascimento para pisar o palco da “Dark Ages”.
Sendo um tema com a qual me identifico mas que não tenho lido com tanta regularidade, este é um livro que há muito me chama a atenção e que tenho procurado com afinco pois pareceu-me que sairia dos cânones impostos em vários livros com o mesmo tema. Com uma sinopse interessante, é um livro que facilmente chama a atenção aos leitores do romance histórico e que prometia pelas opiniões uma leitura interessante e assaz boa.
Primeiro, tenho de salientar a escrita concisa e detalhada da autora, tendo de confessar que não esperava a qualidade com que este livro está escrito nem os detalhes históricos precisos que se apresentam ao longo da leitura e que me agradaram sobremaneira. Depois, a Jeanne sabe contar uma história e através de uma visão alternativa e, quanto a mim, brilhante, dá uma nova dimensão a um tema que tem sido repetido até a exaustão e que provoca no leitor uma sensação de agradável ansiedade.
Contudo, nem tudo neste livro foi perfeito e, se até meio do livro, foi uma leitura viciante, depois foi perdendo o interesse até ler o fim em agonia. Como é que um livro pode provocar duas sensações tão distintas, perguntam vocês? Bem, até meio do livro é com grande interesse e curiosidade que vemos Sybelle a contar a sua história, que rica em pormenores e características próprias, agarra ao leitor de forma inquestionável e acaba por ser o momento alto do livro e o que nos faz gostar tanto dele e me fez lamentar haver tanto pormenor no início do relato de Sybelle e depois ela contar tudo a correr, o que terá contribuído para o sentimento com que fiquei em relação ao livro.
As personagens são outro dos factores que me dividiram. Simples, apresentando também elas um detalhe histórico de qualidade roçam o que mais esotérico a humanidade pode ter, sem serem personagens que provocam emoções, são pelo menos, de uma mestria cuidada que combina perfeitamente com a história em si. Mas, no fundo, cada uma delas tem um propósito e não uma personalidade própria, o que se vai notando com o avanço da história. Resumindo, estão bem construídas mas falta-lhes o factor x que nos ligue a elas.
Para mim, este livro só teve realmente um problema que acabou por me levar à tal outra sensação distinta, e é o rumo que o enredo leva. A visão única da autora leva-a por um caminho que se salienta do resto da história e que corta a ligação entre o princípio e o fim. Quando comecei a perceber onde a história ia dar e à medida que alguns segredos iam sendo descobertos, senti-me algo enganada pois ao iniciar este livro, este não era um caminho perceptível e tornou o final incoerente para mim, tendo me retirado aos poucos o prazer desta leitura. Depois foi a velocidade com que terminou, demasiado repentino, ficou com demasiadas coisas por explicar e fiquei mesmo com a sensação que estava a ler um livro diferente do que comecei.
No Tempo das Fogueiras é um livro de extrema qualidade mas de poucas emoções, é brilhante mas não agarra, é coerente e bem construído mas tem um final totalmente diferente do que seria de esperar. Dividiu-me e entristeceu-me, pois estava a gostar da leitura e depois fui-me sentido desligada. Penso que este não será o melhor trabalho da autora e espero ler algo mais dela pois a essência deste livro é fantástica, a alma é que lhe faltou.
Sinto que não fui coerente com esta opinião mas a leitura também não o foi.

4*

2 comentários:

  1. Realmente o teu comentário baralha um pouco :)
    eu lembro-me de ter lido este livro há alguns anos e de ter gostado muito
    com esta tua opinião tenho de o voltar a ler, com novos olhos

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  2. Eu própria sinto-me baralhada em relação a ele, penso que o terei de reler. É que por um lado gostei muito, por outro...não sei e a opinião reflecte isso mesmo!

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