domingo, 17 de junho de 2012

Perdida no Meio de Tantos Livros





Cada vez mais se tem falado da quantidade de livros que são publicados e da rapidez com que ALGUMAS editoras os publicam. Se por um lado, isto nos traz uma enorme variedade de leitura, por outro, já não é bem assim.

Várias têm sido as condicionantes apontadas para este excesso de oferta. Entre elas a mais imperativa são os preços que as editoras praticam. A verdade, é que os livros estão caros, muito caros, o que obriga o leitor a fazer uma selecção do que realmente quer no meio da infinidade que podemos encontrar numa livraria.

Outra, é que muitos desses livros têm temas iguais, são bastante parecidos pois a "moda" na literatura tem tido um peso cada vez maior. O livro vende, logo lança-se outro do mesmo género. Se isso ajuda aos indecisos e àqueles que não saem do mesmo género e gostam de se manter na chamada "zona de conforto", também limita os leitores com gostos mais variados e com um grau de exigência mais elevado, pois afinal, o que difere esses livros uns dos outros?

Depois temos as chamadas sagas, trilogias, tetralogias e outras tre qualquer coisa gia, que obrigam uma leitura contínua e têm sido o método de preferência de autores e editoras. Se sou fã de muitas delas, também tenho noção que me limitam a leitura, que a divisão de um título original em dois me faz gastar mais dinheiro e ler menos stand-alones, por exemplo. Mais uma vez, o leitor sente-se na obrigação para consigo próprio de ser selectivo pois para ler mais séries, se calhar vai ler menos tipos de livros, principalmente, porque muitas deles têm o modo da repetição entre si.

A maior oferta tem ainda outra consequência, e é que mais me tem preocupado de momento. Sempre que os lançamentos do mês são apresentados, há uns quantos que eu quero mas como o dinheiro não estica, poucos ou só um vêm para casa. Conforme os meses, anos vão passando, mais lançamentos, mais escolhas e um dia nunca mais nos lembrámos ou encontrámos aqueles outros livros que queríamos mesmo ler. Temos oferta mas estamos limitados e o que aconteceu a esses livros, que passados anos ainda estão na prateleira a nossa espera?

Já me aconteceu chegar a uma feira, por exemplo, e encontrar uns quantos desses livros que quero ler à anos, que já não são portanto novidades mas acabo por não os trazer para casa porque o tempo passou, há cada vez mais livros, mas os preços não descem, e lá estamos limitados outra vez. Outra situação que acontece é estarmos indecisos entre dois livros, comprámos um, lemos e depois não nos sentimos satisfeitos e não pudemos evitar pensar naquele outro livro que lá ficou e, se calhar, nos tinha enchido as medidas só que, este mês acabaram-se os gastos.

Mais livros mas estaremos nós leitores mais satisfeitos?




12 comentários:

  1. Tens razão, mas aqui em Portugal não é nem de perto nem de longe tão mau como nalguns países (nomeadamente nos EUA). Não em termos de preço (aqui somos campeões e ainda não me convenceram que os livros têm de ser assim tão caros porque senão coitadinhas das editoras, etc), mas em termos de se publicarem mais livros.

    Pelo que tenho visto agora há mais variedade do que antes. Antigamente a maioria do que se via nas livrarias eram: reedições dos clássicos, alguma ficção histórica, livros sobre África, sobre a Guerra Colonial ou sobre os retornados, um ou outro de fantasia e ficção científica, alguns thrillers. Mas na sua maioria eram livros de algum modo relacionados com África e a Guerra (o saudosismo português a funcionar), livros sobre histórias verídicas (Maddies, Joanas e outros que tais) e alguma ficção que não se afastava muito dos géneros mais tradicionais como o thriller ou a ficção histórica. Oh e o romance contemporâneo (Lesley Pierce e assim).
    Hoje em dia tens mais fantasia e ficção científica, começou a apostar-se mais nos romances históricos e há uma maior diversificação nos autores que se publicam. Certo, agora há aquela moda de publicar tudo o que se pareça com o Crepúsculo ou que seja semelhante às Crónicas do Gelo e do Fogo, mas penso que há mais escolha. E não se deixam de publicar (novamente) clássicos da literatura e outros géneros apreciados em Portugal (África, histórias verídicas, romances da Margarida Rebelo Pinto e da Júlia Pinheiro, etc).

    Quanto a estar satisfeita, nem por isso. Continua a publicar-se muito livro que sinceramente acho que já "passou de moda", mas que se publica porque era o que as pessoas liam antes. E os preços são proibitivos, o que, como disseste faz com que o facto de termos mais escolha não signifique muito (20 € por um livro do José Rodrigues dos Santos não é só triste como estarem efectivamente a chamarem aos leitores "parvos". Ou livros de bolso a 11€).

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  2. Aquilo que dizes está certo, mais do que certo aliás mas não impede a minha insatisfação. Afinal, eu vivo aqui, e as minhas escolhas pessoais fazem com que tenha de lidar com esta realidade editorial, que cada vez mais falha aos seus leitores, por mais que publiquem uma maior variedade do que a 20 anos atrás, pois há outras coisas para além disso.

    Quanto ao panorama dos escritores nacionais, chamar escritores a jornalistas, actores e apresentadores, cujos livros são copy past uns dos outros deixa-me triste, para não falar que pelos temas parece que ficámos presos no tempo e que não se sabe fazer mais nada. Depois temos o pormenor que esses mesmos livros ainda são mais caros que os outros... tristeza.

    E por falar nisso. Porque é para termos uma edição de um clássico temos de pagar um balúrdio e depois haver uma edição muito mais barata mas que é péssima? Não se pode encontrar um meio termo?

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  3. Eu sei. Estava só a dizer que noutros países é pior. Ainda há mais por onde escolher e ainda se publica mais treta do que aqui, ahah. xD O que vale é que lá os livros são muito mais baratos (descobriram a maravilha que é o mass market paperback, com capa de cartão e folhas de papel de menor qualidade) por isso se comprarem algum livro e não gostarem ao menos não pagaram um preço ridículo como 14 ou 15€. :P

    Concordo que sim, que falha.

    Bem, penso que alguns dos escritores nacionais têm mérito... o José Rodrigues dos Santos não escreve mal, acho que o livro dele sobre jornalismo de guerra é bastante bom. Mas realmente os livros são um balúrdio, sem razão aparente.

    Quanto aos clássicos, não me parece porque a política das editoras portuguesas é: "todos os livros têm direito a edição xpto, mesmo se não soubermos se vai vender". Em vez de ser: "esta novidade deste autor que não conhecemos vai ser primeiro lançada em formato bolso e depois se fizer sucesso lançamos livros mais bonitinhos". Que é como se faz lá fora. Igualmente, lá fora vendem-se os clássicos mais baratos porque são... os clássicos, mas aqui não. Vá-se lá saber porquê.

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  4. Olá,

    Antes de mais deixe-me dar-lhe os parabéns pelo blog, que tenho vindo a acompanhar silenciosamente.

    Na minha opinião passa-se uma situação paradoxal: publica-se cada vez mais, mas a diversidade é cada vez menos. Se não vejamos o que temos nos escaparates das livrarias: Nicholas Sparks e vários outros livros do mesmo género, Paulo Coelho e mais 347 livros parecidos, 3078 autoras de romance feminino, sem falar do Crepúsculo e seus sucedâneos. As editoras são um negócio e quando descobrem um filão tentam explora-lo ao máximo. Sinceramente preferia que se publica-se um pouco menos, com mais qualidade…

    E esta velocidade de publicação trás outros problemas: um deles é que o tempo que o livro fica nos escaparates é cada vez menor. Se vender óptimo, se não vender é destruído…É muito difícil para um autor que não tenha ganho ainda prémios e não tenha “nome” chegar a um escaparate, quanto mais permanecer lá. É um corrupio de autores…É quantos serão lembrados daqui a 10, 20 anos? Para falar francamente o mercado livreiro faz-me cada vez mais lembrar o dos hamburgers…Claro que no meio de tudo isto há autores bons mas como distingui-los? É outro problema…Nem sempre os bons autores tem realmente o destaque devido e acabam subterrados na avalanche das publicações. Mais: quantas publicações são lançadas sem uma revisão como deve-se ser por causa da pressa em vender? Os livros da Book.it tem erros, mas ok custam cinco e euros e tal, mas erros em livros de 20 euros? Aconteceu-me com um livro de Jodi Picoult, fiquei fula.

    Já desisti de acompanhar as novidades literárias. São tantos livros a sair que nem me dou ao trabalho de os por na whislist, pois assim que acabo de por sai outro. Tenho livros de 2006 na Whislist que ainda não consegui comprar!

    Os preços são aberrantes…20 euros por um livro? Nem por mês, quanto mais por livro…Clássicos então é para esquecer. Só em segunda mão…Conclusão: não sou uma leitora muito satisfeita com este panorama, mas é o que temos…:(

    Cumps

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  5. Acho que a resposta clara à tua pergunta final é um sonoro NÃO, por todas as razões já aqui referidas.
    Acho sinceramente que a qualidade de livros publicados tem vindo a melhorar, também pela variedade, mas a verdade é que o facto de cada vez se publicarem livros iguais é um aspecto negativo.
    As edições com revisões más deixam-me tão mas tão lixada que me apetece esganar alguém! A sério!

    Agora uma questão que queria levantar é a razão pela qual as editoras fazem isso. Não será a culpa nossa, do leitor? Porque se uma editora publica cada vez mais do mesmo e isso vende, então é porque alguém compra, não é verdade? A verdade é que gostamos muito de apontar o dedo, mas quem compra somos nós (eu não, que não tenho dinheiro XD), mercado. Portanto, se saem 1500 livros do Nicholas Sparks é porque esses vão ser vendidos e porque ele tem uma legião de fãs enquanto em vez de um desses livros, poderia ser publicado algo novo e refrescante.

    É um meio termo que tem de ser encontrado mas que é extraordinariamente difícil de descobrir.

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  6. Slayra: Sim, em todos os mercados há defeitos e qualidades, mas entre eles a questão dos preços preocupa-me mais porque cada um é selectivo e só compra aquilo que quer ler...há gostos para tudo, verdade seja dita, e se algumas coisas são más para nós, para os outros nem tanto. São gostos.

    Agora levarem-nos balúrdios porque o livro é deste autor x, e é do género do livro y, e não vamos fazer promoções mesmo que seja feira do livro porque se as pessoas quiserem elas vão comprar o livro na mesma, é ridículo e real.

    Por falar nisso, nem vale a pena comentar alguns preços praticados por algumas editoras na FdL...é mau demais.


    Sara: Obrigada antes de mais, e é sempre bem-vinda neste espaço, sinta-se à vontade =)

    Essa é uma daqs questões que tenho vindo a debater com amigos e familiares. Neste momento é quase impossível distinguir muitos autores, e os comentários em capas e contracapas fazem leitores como nós fugir de livros que se calhar nem têm nada a ver. O problema é que cada vez mais tudo é comparável, e pior, é a mesma coisa. Até há autores que se plagiam a si próprios. Mas isto acontece porque há quem compre um livrito destes de vez em quando mas os leitores que compram em massa e precisam de ser estimulados a comprar são esquecidos... e por isso há tanta reclamação devida que as editoras preferem fingir que não ouvem.

    Em Portugal há mais coisas traduzidas, verdade, mas quantos bons livros, óptimos livros não o são em detrimento de não sei quantos livros iguais?

    Depois dá-se esse tipo de situações, em que livros desaparecem de um dia para o outro, livros que não são publicitados como o da fulana tal e séries que só o primeiro volume vê a luz do dia.
    Lembrados daqui a 10 anos? Há autores que ainda estão a ser editados e bem e que eu não sei o nome, aliás, eu até confundo a Jody Picoult com a Dorothy não sei quantas, porque as capas são imensamente parecidas, o que provoca também confusão no leitor, e pode levar um menos informado a comprar um livro que não tem nada ver com o que esperava ou a não comprar o livro seguinte da série que está a seguir porque nome e capa foram alterados sem aviso prévio e não vamos falar dos que compram o mesmo livro induzidos pelo mesmo erro....

    Sara há dias comprei um livro em que metade das páginas não apareciam e já comprei outro que as páginas vinham ao contrário, isto para não falar nas traduções mirabolantes que para aí andam e nem vou falar no AO...

    A "Anna Kareninna" está traduzida apenas por uma editora e o livro custa €35! Como é isto possível??

    Penso que muitos de nós partilhámos essa insatisfação...

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  7. Mar, falei nisso agora na resposta da Sara! Lês- me sempre o pensamento pa xD

    Se este tipo de livros vendem, a editora não obriga a comprar, ponto. Mas isto teria de levantar questões como leitores que só lêem temas e autores com que se sentem "na zona confortável", de que muitos gostam de ler a mesma coisa, e poderemos nós culpá-los pelos seus gostos? Não mas não somos obrigados a ler o mesmo...

    O problema é que essa maioria compra e anda feliz e satisfeita, mas e nós? Estámos num país em que não se lê muito,mas por isso seremos obrigados a ler sempre o mesmo? Eu também gosto mais de determinados géneros e autores mas gosto de variar, de qualidade! Hoje sou mais exigente e não será culpa do mercado que não me satisfaz?

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  8. O que não falta são autores que plagiam da maneira mais descarada…Há os que aproveitam as modas, os que imitam as histórias dos outros que tiveram sucesso e os que escrevem sempre a mesma coisa mudando sítios e nomes apenas. Mas isso também é culpa da falta de exigência dos leitores, muitos dos quais são apenas leitores de verão e portanto contentam-se bem como este tipo de livros.

    As editoras como negócio que são publicam consoante a moda, basta ver a explosão do romance feminino eu nem consigo distinguir de tantas autores que são. Tenho a certeza que há bons autores que não estão a ter destaque porque são subterrados nesta avalanche de publicações ou porque não são tão vendíveis.

    Publica-se muito mas o que chega aos escaparates muitas vezes não tem qualidade…Enfim. As capas são mais um instrumento de marketing bem como as canecas, laços e saquinhos…Bah. Já fui enganada com um livro de lesley pearse. Vi na FNAC dentro do saquinho e nem lhe peguei, mas pareceu-me uma história muito piegas…Mais tarde emprestaram-me o livro e verifiquei que o conteúdo nada tinha que ver com aqueles laçarotes e com aquela sinopse. Incrível!

    Ando para comprar Anna Karenina há anos, mas está fora das minhas posses…Agora ando a tentar encontrar em segunda mão. Mas há ainda mais exemplos mirabolantes. Outro dia fui à FNAC e vi que o triunfo dos porcos do Orwell custava…18 euros! Um livro traduzido do inglês, capa mole, 130 páginas…Ridículo!

    Confesso que antes a FNAC (e semelhantes) me satisfaziam, actualmente não…

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    1. Tive exactamente o mesmo problema com a Lesley Pearse. Passava sempre pelos livros dela porque romance contemporâneo (tipo Nicholas Sparks) não é nada a minha onda, mas depois disseram-me que a Pearse era um bocado diferente e acabei por comprar um livro dela (apesar de ainda não o ter lido).

      Sara, levanta uma questão que eu acho fulcral: no post inicial argumenta-se que se publicam muitos livros iguais (o que é verdade; nunca cheguei a acabar o famoso "Crepúsculo" mas li muitos livros posteriormente que era muitíssimo parecidos), mas mesmo que não sejam iguais, as capas e os dizeres ("Se gostou do Nicholas Sparks vai adorar este livro" e coisas do género) fazem com que pareçam todos iguais. Realmente são indistinguíveis, as capas têm todas o mesmo design, uma pessoa entra numa livraria e é tudo a mesma coisa. E depois há as frases de recomendação na capa, que são enganosas ao máximo e às vezes o livro não tem nada a ver com os do Nicholas Sparks mas o leitor não compra (ou compra) por causa da comparação.

      Isto tudo para dizer que se calhar há um bocado mais de variedade do que parece, mas que a estratégia de marketing das editoras elimina essa diversidade e faz parecer que se vendem sempre os mesmos tipos de livros.

      E quanto ao Triunfo dos Porcos... penso que não seja a tradução que encarece o livro (os tradutores não são assim muito bem pagos); além disso qual é a diferença se é do inglês ou do francês? Num país como o nosso há muito mais gente a saber falar bem francês do que inglês, provavelmente. E é tão difícil traduzir do inglês como de outra língua... O.o Não percebi assim muito bem o seu comentário.

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    2. Olá Slayra

      Não estou por dentro do mundo editorial, por isso falo apenas da impressão que tenho, com certeza que traduzir inglês não deve ser o mesmo que traduzir russo, nem deve haver tanta gente com tal capacidade para tal. Não sei se as editoras fazem diferenciação neste aspecto, se não fazem então ainda fico mais abismada com o preço do livro, aliás a minha intenção era apenas dar mais um exemplo como os preços dos livros em Portugal são um absurdo, e há muitos mais exemplos.

      cumps

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    3. Lol, todas as traduções apresentam dificuldades, creio que as mesmas não se prendem tanto com a língua (quem sabe bem russo terá tanta facilidade em traduzir do russo para o português como uma pessoa que saiba bem inglês terá em traduzir de inglês para português, penso eu.) Sim, há mais tradutores de inglês do que de russo, certamente... mas por outro lado também há mais obras em inglês para traduzir do que russas. E o interesse pela literatura anglo-saxónica é maior do que pela russa. De qualquer modo se a tradução encarece os livros porque é que os livros de autores portugueses são tão caros?? O_O Não me parece que a tradução seja um factor predominante no preço. Os livros do José Rodrigues dos Santos são a 20 euros; os da Margarida Rebelo Pinto a 15... não vejo diferença em relação aos livros traduzidos.

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  9. Tens toda a razão :)
    Ainda há pouco tempo falei um pouco desse tema no blog post "Quantos livros são demasiados livros?"
    A sensação de "já li isto em qualquer sitio" que conjugada com o "há tanto para ler mas…" trás por vezes uma frustração que não devia existir em algo que nos dá tanto prazer como a leitura :(

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