segunda-feira, 23 de julho de 2012

Opinião - A Senda Sombria

Título Original: The Darkest Road (#3 A Tapeçaria de Fionavar)
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Livros do Brasil
Número de Páginas: 420

Sinopse
 "Depois, há um ano, o Anão que jazia agora ao lado dela chegara a Paras Derval com notícias de um grande mal que tinha sido feito: Kaen e Blod, incapazes de encontrar o Caldeirão sozinhos, e quase enlouquecidos por quarenta anos de fracasso, tinham forjado uma aliança terrível. Com a ajuda de Metran, o mago traiçoeiro, tinham finalmente descoberto o Caldeirão dos Gigantes e pago o preço por isso. Fora um preço duplo: os Anões tinham quebrado a pedra-vigia de Eridu, cortando assim o elo entre as cinco pedras, e entregue o Caldeirão nas mãos do seu novo amo, aquele cuja prisão debaixo de Rangat devia ser garantida pelas pedras-vigia Rakoth Maugrim, o Desafiador. Tudo isto ela já sabia. Sabia também que Metran usara o Caldeirão para criar o Inverno assassino que terminara há cinco manhãs, depois da noite em que Kevin Laine se sacrificara para lhe pôr fim. O que não sabia era o que acontecera desde então. Aquilo que lia agora no rosto de Faebur e o ouvia contar, sentindo as imagens como chicotadas na alma. A chuva da morte de Eridu." Assim tem início A Senda Sombria, a terceira e última parte da célebre trilogia de Guy Gavriel Kay. Que destino aguardará Kim, Kevin, Paul, Jennifer e Dave no termo desta extraordinária aventura? Que descobrirá cada um deles a respeito de si mesmo ao longo dos muitos momentos dolorosos da sua iniciação? O leitor, em qualquer caso, terá aqui a revelação de um grande escritor e de uma das obras-primas da fantasia contemporânea.

Opinião 
 Último volume da Tapeçaria de Fionavar, este é o livro onde culmina a viagem de cinco jovens por um mundo paralelo, recheado de magia e seres inimagináveis, onde as lendas ganham vida e os mitos caminham ao nosso lado para a derradeira batalha contra o Mal, num cenário épico que habitou o imaginário de gerações de leitores.
Fantasia em estado bruto, sonhos no seu estado mais puro, é o que podemos encontrar nesta trilogia que após tantos anos ainda conquista fãs pelo mundo afora através de heróis de espadas, deuses e feiticeiros numa aventura à moda antiga mas que não perde qualidade, antes aumenta conforme nos aproximámos do fim. Naquela que poderá ser uma das minhas leituras descoberta do ano, descobri um autor e uma história que marcarão para sempre a minha visão deste género literário. Fã como sou das histórias intricadas, das voltas e reviravoltas, do desconhecido e das surpresas mais marcantes, dos mundos construídos ao pormenor, nunca pensei gostar tanto de uma obra tão simples e linear com esta é mas a verdade é que Guy Gavriel Kay é um mestre em unir elementos improváveis através de uma escrita fluída e magistral onde o timing nos corta a respiração.
Sendo o fim da trilogia, A Senda Sombria marca pelos momentos emotivos que se vivem ao longo das suas páginas, onde tudo pode acontecer e sofremos até a última linha para sabermos os destinos de todas as personagens que nos acompanharam ao longo destas páginas. Para mim, este é o livro mais forte da trilogia e acaba de uma forma tão soberba, sem ser perfeita, que satisfaz qualquer leitor que não se contente só com um “viveram felizes para sempre”. Tal como Martin, Kay não tem medo de seguir as linhas da história e se isso significar a morte, a perda ou o sofrimento, ele não se desvia do caminho. Cada acto é pensado para levar a outro, cada simples palavra ou decisão podem condenar ou levar à glória.
Por trás da simplicidade desta história, existem emoções fortes, momentos de uma beleza tão singular que só este tipo de escrita nos pode dar. Como final, este livro é perfeito. Se nos livros anteriores a qualidade da história vai melhorando, neste atinge o seu expoente máximo, em cenas épicas deslumbrantes que se desenrolam de forma natural e onde as emoções são levadas ao rubro.
Não sendo um escritor muito descritivo, Kay usa as sensações e os sentimentos para ligar o leitor à história através das suas personagens. Se a Tapeçaria de Fionavar é, no seu todo, rudimentar, as suas personagens já não o são. Complexas, vão crescendo de livro para livro, atingindo, a maior parte delas, o seu objectivo nesta recta final. Cada uma delas é diferente, cada uma tem o seu próprio destino. São únicas, insubstituíveis e a falta de qualquer uma delas teria desfeito esta “tapeçaria”. É através delas que sentimos e vivemos cada aventura, pois cada uma tem uma história pessoal, o que faz com que este livro tenha uma imensidão de histórias dentro da história.
No fundo, esta trilogia não podia ter um nome mais adequado, porque o que o autor fez, foi criar uma tapeçaria delicada onde cada nó, cada fio, contam para que a tapeçaria possa ser acabada de forma perfeita. Um dos exemplos de como o estilo de Kay é único, é o facto de ele conseguir unir tantas influências, tantas lendas numa mesma história de uma maneira que faz todo o sentido, não permitindo ao leitor questionar se fica ali bem no meio ou não. O todo faz com que esta história seja fantástica, do princípio ao fim.
Para quem ainda não leu este autor e sente curiosidade com a sua outra obra, Os Leões de Al-Rassan, convidou-vos a iniciarem-se na sua escrita por esta trilogia. Para além de ficar mais em conta, estarão a ganhar a oportunidade de ler algo viciante e que ainda mantém os moldes da verdadeira fantasia.

7*

4 comentários:

  1. Gostei do blogue ;) Boa continuação ;)

    ResponderEliminar
  2. Ois,

    Realmente descreves na perfeição tudo o que de bom esta saga tem e partilho inteiramente da tua opinião. Adorei e fiquei plenamente satisfeito com o custo / qualidade da trilogia, valeu bem a pena.

    Fiquei ainda mais admirador deste escritor, pois já tinha lido Os Leões de Al Rassan, um livro quanto a mim ainda superior a esta trilogia, mas é mais numa vertente de romance histórico, o que só demonstra a qualidade do escritor.

    BJS e boas leituras ;)

    ResponderEliminar
  3. Olá!!

    Acho que a melhor coisa desta trilogia é ser tão fantástica e a baixo custo!=D Obrigada =)

    Vou ter de ler esse antes de começar as aulas ;) Apesar que ao ritmo que vai a publicação do Tigana, tenho bastante tempo =/

    beijinhos e boas leituras

    ResponderEliminar