sexta-feira, 20 de julho de 2012

Opinião - Wolf Hall

Título Original: Wolf Hall (#1 Wolf Hall)
Autor: Hilary Mantel
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 661

Sinopse
 Inglaterra, década de 1520. Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o papa recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que flutua entre paixões românticas e fúrias brutais.

De uma das melhores escritoras contemporâneas, Wolf Hall explora a intersecção de psicologia individual com objectivos políticos. Com uma grande variedade de personagens e uma rica sucessão de incidentes, recua na história para nos mostrar a Inglaterra dos Tudor como uma sociedade em formação, que se molda a si própria com grande paixão, sofrimento e coragem.

Opinião 
 Vencedora de inúmeros prémios, Hilary Mantel tem uma carreira com mais de 20 anos enquanto escritora, onde semeou sucessos e ganhou um lugar de respeito enquanto escritora contemporânea. Já se estreou em diversos géneros, sempre com qualidade, desde artigos a autobiografia, passando por romances históricos.
Depois de ter pisado o palco da Revolução Francesa, Mantel dedicou-se a corte Tudor, um dos assuntos preferidos dos escritores do género. Wolf Hall venceu o 2009 Man Booker Prize for Fiction, entre outros, tendo vencido 5 prémios de literatura ao todo. Um romance histórico psicológico que remete para a cena política do reinado de Henrique VIII e para a ascensão de Thomas Cromwell, no que é que este livro difere dos outros tantos que povoam as livrarias e que esmiuçam bocado a bocado dos Tudor?
Eu adoro tudo o que tenha a ver com a corte Tudor, principalmente se tiver verdadeiro conteúdo histórico, e se for daquele que a maior parte dos livros não fala. As 600 e tal páginas de Wolf Hall prometiam isso mesmo, pela visão de um dos homens mais importantes do reinado do malfadado pai de Elizabeth I, e cumpre todas as expectativas.
Numa conjuntura completa da política inglesa e da sua visão da restante Europa, podemos acompanhar todos os acontecimentos importantes da ruptura de Inglaterra com a Igreja Católica, ao crescer da economia banqueira e a forma como luteranos e calvinistas começam a tomar posição na cena religiosa e política, numa posição privilegiada onde pormenor algum é descurado e em que toda a informação e factos nos são dados de forma verosímil e realista.
A escrita de Mantel não é fácil mas é de uma qualidade de envergonhar muito bons escritores. A leitura deste livro pode ser lenta mas é com um apetite crescente que lemos cada página e mesmo conhecendo todos os acontecimentos e a forma como se deram, não conseguimos que a curiosidade nos deixe de assolar e de ler cada página como se a última. Uma obra-prima entre todos os livros que falam do assunto, este é o livro que qualquer amante da literatura ou da História deve e vai querer ler.
A autora construi as personagens de uma forma real, respeitando a personagem histórica na sua versão ficcional, sendo soberba a forma como nos apresenta a verdade e a ficção, numa conjugação única onde poucos são os erros a apontar. Dando a conhecer a história de Henrique VIII e da subida ao poder dos Bolena pela visão de um homem que tão pouco se tem falado nos romances dedicados ao tema, dá a oportunidade ao seu leitor de voltar a conhecer um dos reinados mais influentes de Inglaterra e torna esta leitura algo único, conseguindo com que esqueçamos todas as outras histórias que já lemos.
Neste livro não há bons nem maus, culpados ou inocentes, há um panorama e as decisões possíveis de tomar, correctas ou não, e a forma como cada um lidou com o seu destino e com o do país. Com um respeito magnânimo à História, este é o Santo Graal dos apaixonados pelos Tudor, pela versatilidade, por cada acção ser um conhecimento digno de ser absorvido pela nossa mente. Podemos aprender e divertir-nos a ler este livro, podemos observar cada momento com um novo olhar pois tudo o que levou a ele está justificado, possível de ser entendido. Mantel não toma lados mas dá-nos a História como ela foi da perspectiva de um homem que tudo fez para acabar a ser executado de uma forma cruel. Podemos sentir pena, raiva, ou deixar-nos levar por esta leitura viciante mas nada nos vai deixar indiferente.
Ao deixar a História correr com naturalidade, a autora garantiu um lugar no top dos bons escritores de romances históricos e penso que tudo o que venha da sua mão será uma grande obra. Um livro magnífico que me assombrou e me faz salivar pela sua continuação. Amantes da corte Tudor ou não, não deixem de ler este livro.

7*

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