sábado, 18 de agosto de 2012

Opinião - Alma Rebelde

Título Original: Alma Rebelde
Autor: Carla M. Soares
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 288

Sinopse
 No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?

Opinião 
 Carla M. Soares é leitora, blogger, professora e, antes de tudo isso, estão todas as actividades inerentes à condição de mulher. Tem uma licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas e mestrado em Estudos Americanos, Literatura Gótica e Film Studies. Como se não bastasse tudo isso, é também escritora. Alma Rebelde é o seu primeiro livro a ser publicado e tem arrebatado os leitores portugueses com uma história de amor em terras lusas recheada de expressões e sentimentos inerentes a alma portuguesa. Uma das apostas nacionais deste ano, promete agarrar os seus leitores e fazê-los regressar a casa.
Se há coisa que eu gosto é de romances históricos que têm realmente história e, o que eu gosto mais ainda, é quando eles se passam em Portugal e em português. Infelizmente não me tenho sentido atraída para os autores nacionais deste género e, cada vez mais, me tenho sentido insatisfeita com o que tem sido feito por cá neste ramo. Os autores da moda enervam-me, as histórias não têm nem pés nem cabeça e nos últimos anos, apenas Equador me conseguiu arrebatar. Triste mas real e, apenas por uma questão de sorte ou de trocas é que Alma Rebelde me veio parar cá a casa.
Sendo a expectativa quase nenhuma e com tanto desgosto que tenho tido eis que me deparo com uma leitura arrebatadora, doce e rebelde que me fez ler as páginas deste livro de uma virada só, sem olhar para o relógio ou o que quer que fosse. A sua escrita, tão aconchegante a alma portuguesa, apaixona e encanta enquanto assistimos ao desenrolar cadenciado da acção. A fluidez e simplicidade das palavras e dos actos conquistam qualquer um que necessite de um romance enternecedor, onde dos costumes e regras pode brotar um amor capaz de mover marés.
A primeira coisa com que nos deparámos ao ler este livro é a atenção e o cuidado aos pormenores históricos, mesmo tendo sido escolhido um reinado não tão sonante da História de Portugal, a autora consegue transmitir-nos ideais, costumes e problemáticas do reinado de D. Pedro V sem entrar em grandes descrições e cenas demasiado pormenorizadas. A informação é dada de forma a ficar retida pelo leitor e a que encaixe com a história dos protagonistas, sem alongar demais o assunto.
Este livro acaba por não ser só uma história de amor ou só uma lição de história, ambas se encaixam de forma a que nenhuma se sobrepunha a outra, estando o romance de Santiago e Joana dependente não só das regras do amor como também das regras da sociedade. Assim, esta leitura não se torna “mais do mesmo” mas algo novo e inesperado de que os leitores não vão estar a espera depois de ler a sinopse do livro. Em vez de um romance tórrido apenas histórico pela época em que se passa, Alma Rebelde é na sua essência um romance histórico merecedor desse nome.
Numa narrativa onde cada momento é importante e se torna essencial a história, só tenho pena que o livro não fosse um bocadinho maior pois mais pormenor e desenvolvimento teriam feito a história crescer muito mais e tenho a sensação que isto teria dado “pano para mangas”. Contudo, é uma narrativa bem construída com uma linha de pensamento acertado e que fica a ganhar pelas correspondências trocadas ao longo da trama. Foi um pormenor engraçado que deu ao livro um outro impacto e que puxa ainda mais o leitor a sua leitura, tem como senão o se querer mais ainda a partir dessas cartas.
Para uma história bem construída temos personagens encantadoras, onde cada uma representou o seu papel na perfeição e cada uma era essencial a história. Mesmo assim, tem-se de enaltecer o casal protagonista. Joana pode reunir todos os contrassensos mas, para mim, foi uma personagem bem pensada que se torna diferente de todas as outras. Está dentro do espírito das jovens da época e transporta-nos para os verdadeiros temores femininos da altura. Santiago, por outro lado, é o perfeito, o maravilhoso, a personagem sem a qual este livro não seria ao mesmo. No momento em que ele entra na acção, todo o nosso pensamento passa por ele e é impossível não nos apaixonarmos.
O grande defeito deste livro será, talvez, o final. Rápido, agridoce, gostava que aquela última parte tivesse sido mais pormenorizada, mais explicativa mas, sinceramente, tem uma aura de mistério, de imaginação que pode levar o leitor muito mais longe e, por isso, se calhar daqui uns dias, vou gostar mais dele.
Aqueles que gostam de ler em português por portugueses, façam-me o favor de ir a livraria e, em vez de comprarem o autor do costume, comprem este, ficarão muito melhor servidos. Eu fiquei mais crente na literatura em Portugal. 

6*

3 comentários:

  1. E agora, que já leste, posso dar-te uma pequena info: a primeira versão era mais agri do que doce, não se sabia bem o desfecho. Foi a pedido de muitas famílias e sob ameaça de amigas que lhes dei, enfim... um fim agridoce. Consegui passar a mensagem sem spoilers para quem espreitar?

    ResponderEliminar
  2. A sério??=O Hum, cheira-me que teria gostado desse ;) Mas este não está mau!=p

    Consegues sim ;)

    ResponderEliminar
  3. Ai agora estou mesmo curiosa para ler este!!!

    ResponderEliminar