Título Original: Vanity Fair
Autor: William Thackeray
Editora: Book.it
Número de Páginas: 703
Sinopse
Considerado por muitos uma obra genial e tido como um dos grandes clássicos da literatura mundial, A Feira das Vaidades conjuga, numa narrativa incrivelmente fluida, humor, sátira e drama. A acção decorre na Inglaterra vitoriana e explora as fragilidades de uma sociedade corrompida pela ambição e ganância desmedidas.
A personagem Rebecca Sharp, uma jovem orfã que usa a sua sexualidade e poder de sedução para ascender socialmente personifica essa crise de valores da sociedade londrina. E foi precisamente a ascensão e queda da alpinista Becky que apaixonou os leitores e fez de A Feira das Vaidades, que começou a ser editado em fascículos pagos a um xelim cada, em 1847, um estrondoso sucesso, permitindo a William Thackeray disputar com Charles Dickens o epíteto de maior escritor do século XIX.
Opinião
Com apenas um romance, William Thackeray disputa o lugar de
melhor escritor do século XIX com Charles Dickens, tornando-se um dos nomes
obrigatórios da literatura inglesa, tão prolífera em obras e escritores
inesquecíveis.
A Feira das Vaidades é
um imenso relato satírico de uma sociedade a braços com o maior combate de
gigantes alguma vez visto mas não é por isso que Londres para ou os “feirantes”
deixam de se preocupar com e apenas os seus próprios umbigos. Por entre ironia
e pomposidade, falsos juízos de valores e mentiras, rumores e verdades escarrapachadas
em jornais, assistimos à caricatura de uma sociedade presa pelas suas regras,
onde a ociosidade e a ambição proliferam e onde os vícios podem passar por
virtudes.
A premissa deste livro e seu tamanho de impor respeito
prometiam um grande clássico e, como é sabido, eu adoro clássicos, seja de que
género ou século forem. Apesar de não ser uma fã entusiástica de Dickens, achei
que o facto de serem ambos escritores considerados não queria dizer que as suas
obras tivessem parecenças, mesmo tendo em conta o facto de serem contemporâneos
e, por isso, arrisquei com este livro.
A sua leitura levou-me vinte e tal dias e não foi por causa
das 700 páginas que o compõem mas sim, devido ao estilo da escrita de
Thackeray, que me colocou logo de pé atrás com o livro. Thackeray relata-nos a
história de Becky Sharp como se estivesse reunido no clube com os seus pares a
comentar as mais recentes novidades escandalosas do seu meio, aliás, a ironizar
por completo todo e qualquer relato que estivesse a fazer. Ora, este estilo de
escrita tem um grave problema, ou o leitor se identifica ou, então, o leitor
nunca se irá dar bem com a narrativa, o que aconteceu comigo. A sensação que
este livro dá é que o autor não escreveu A
Feira das Vaidades para as gerações futuras mas para a sua própria geração apenas,
pois os seus comentários ao longo do livro seriam reconhecidos apenas por
pessoas que teriam sido suas contemporâneas e para aqueles que têm de ter um
conhecimento bastante aprofundado daquela época em termos de costumes, hábitos,
sociedade, ou seja, apesar de todas as críticas que o autor faz, ele próprio é
o elitista do piorio.
Este livro até pode ser um retrato fantástico da sociedade
londrina do início do século XIX mas não o posso considerar mais do que isso,
sem ser uma enorme sátira cheia de sarcasmo de alguém pomposo, elitista e que
estava convencido que era o máximo. Todas as escolhas feitas para este livro,
desde personagens à narrativa, foram feitas não para contar uma história,
transmitir uma ideia ou agradar aos leitores mas para ridicularizar um grupo
social que estava totalmente perdido e, por isso mesmo, apesar de não
considerar Dickens o máximo, não entendo como é que se pode, sequer, comparar
ambos os escritores.
Como se não bastasse, e peço desculpa pelo termo, o estilo
intragável de Thackeray, ainda temos as personagens mais sensaboronas,
aborrecidas, entediantes e pão sem sal de toda a literatura clássica. Nenhuma
das suas personagens tem um bom lado sem ser chata e entediante, e até Becky
Sharp que devia ter nascido nos dias de hoje, conseguiu ser chata até a médula.
Se senti simpatia por alguma personagem? Não. Mas senti uma raiva tremenda de
todas estas personagens porque nenhuma delas transmitia algo de bom. Foi como
juntar os maiores idiotas da sociedade londrina numa só sala.
Tendo eu de suportar isto tudo ainda tive de ler as tais 700
páginas, que foram inúteis até ao âmago, devendo ter começado a ler o livro lá
para a página 500, o que dá 200 páginas de história e tornou esta leitura um
sacrifício do início ao fim.
Sendo uma apaixonada dos clássicos que comecei a ler em
tenra idade, nunca detestei tanto um clássico como este e, chego a conclusão
que tirando o nosso Eça e Dickens, foram as senhoras que tomaram o século XIX e
nem sequer sou feminista. Não recomendo a leitura deste livro senão aos
corajosos e, boa sorte.
3*

Olá,
ResponderEliminarEu adoro este tipo de escrita altamente corrosiva e satírica, tanto que li este livro numa semana mais ou menos. O autor faz um retrato fantástico da sociedade em que viveu. Está tudo lá: os podres, os vícios e as hipocrisias. Adoro a forma como ele disseca os comportamentos da sociedade, expondo o ridículo daquelas personagens. Por isso mesmo elas não têm nada de bom, ou seja, estas personagens são caricaturas, representam algo. Eça faz o mesmo nos seus romances...Mesmo assim não consegui deixar de sentir uma certa simpatia por aquele tipo que gostava da amelia mas levava sempre o fora lool
Não concordo quando dizes que não é um livro para as gerações futuras. Claro que o thackeray não podia saber como é que ia ser o século XXI, mas há coisas ali escritas que assentam que nem uma luva à nossa sociedade. É espantoso verificar que mudamos tão pouco...E olha que há muitos bons escritores do século XIX: Oscar Wilde; swift; Maupassant, Flaubert; Carroll...
Adorei o livro, mas que seria o mundo se todos gostassemos do verde? :)
Bjs
Olá Sara,
EliminarEu própria admito que este livro é um retrato daquela sociedade mas como em qualquer relato contemporâneo, há muito de senso comum, muito de opinião pessoal e é por isso que nem todos os clássicos são retratos fiéis da sociedade do autor porque ele próprio tinha uma opinião e uma visão.
Eu também gosto deste tipo de escrita, não adorasse eu o Eça dos pés ao último cabelinho mas há diferenças na escrita de ambos, daí adorar um e detestar o outro. Esse é o espírito do livro mas Thackeray podia ter demonstrado o seu ponto de vista de outra forma, a maneira como ele fala é como se só e apenas ele fosse um exemplo de virtude, isso foi o que mais me irritou.
Quando faço essa afirmação, não é devido ao retrato social, no qual, obviamente, tens razão mas na maneira como ele decidiu escrever este livro, como abordou o tema ou construi as narrativas. O livro encaixa mas não por vontade dele.
Realmente tens razão, desses autores só não li o Flaubert e devo ter lido mais uns quantos que definitivamente gostei muito mais e devia ter me lembrado deles =s mas há que admitir que muita senhora se elevou no século XIX sem que se estivesse a espera.
É verdade, e depois qual era piada de vermos os pontos de vista se fossem todos iguais?=)
beijos e boas leituras
Percebo o queres dizer...Ás vezes ele assume um tom um bocado paternalista, como se o leitor fosse tapadinho e ele (o autor) fosse uma espécie de luz da razão. Pode ser um bocado irritante, mas é típico de obras satíricas. O Eça, já que falamos nele, Também é assim em certas obras.
EliminarLembrei-me desses autores porque já os li, mas claro que deve haver muitos mais. Esses por acaso são todos uns satíricos, qual deles o mais corrosivo..E eu adoro-os por isso mesmo :)
Quanto a senhoras, confesso a minha ignorância: só me lembro, assim de repente, de Jane Austen e das irmãs Bronte.