quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Opinião - O Regresso

Título Original: The Return
Autor: Victoria Hislop
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 460

Sinopse
 Cativante e profundamente comovente, o segundo romance de Victoria Hislop é tão inspirador como o seu romance de estreia e bestseller internacional, A Ilha.

Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói.

Opinião 
 Traduzida para mais de vinte línguas, Victoria Hislop já conquistou um lugar no coração dos seus leitores, amantes de romances históricos. Vencedora de prémios como o Newcomer of the Year at the Galaxy British Book Awards 2007 e o Richard & Judy Summer Read competition, Victoria já escreveu três livros de sucesso, sendo um deles este O Regresso, número um nos bestsellers do Sunday Times. Antes de ser escritora, a autora trabalhou na publicação e como relações públicas e jornalista.

Uma das autoras preferidas dos leitores portugueses, Hislop é uma das grandes apostas da Civilização e com apenas três romances tem granjeado elogios até mais não. Como curiosa e leitora que sou e, confesso, uma grande apreciadora das capas dos livros da senhora, tive de trazer este da biblioteca para perceber se tudo o que se dizia sobre os seus livros era verdade ou não. Entre o passado e o presente, este livro remete-nos para os factos não muito longínquos de uma época aterrorizadora da qual se tem vindo, pouco a pouco, a descobrir mais coisas, entrelaçando-a com uma história do presente sobre descobertas pessoais, transformações e decisões importantes.
Com um início calmo onde pouco antecipa o desenrolar que a história terá, este livro marca pelo desenvolvimento que a autora lhe dá no passado. Sónia, é a meu ver, um veículo para chegar ao verdadeiro cerne do livro, sendo ela a catalisadora das descobertas e do desenterrar de um passado que ainda marca as gerações que o viveram. Não consigo vê-la como a protagonista do livro, apesar de todas as suas questões pessoais, parece-me que toda a energia e paixão da autora foram para as outras personagens, e gostava que ela tivesse sido mais desenvolvida. Se o objectivo da escritora foi dar-nos uma ouvinte perfeita, que cresce e aprende com tudo o que ouve, Sónia foi perfeita para ouvir uma história com a qual tem mais ligação do que pensa.
Entre pequenas pistas que podem deixar adivinhar o que se segue, a autora consegue mesmo assim surpreender o leitor e puxá-lo para uma época de dores, paixões, obsessões, onde estar no Inferno se torna um eufemismo. Victoria tem uma escrita directa, límpida e apaixonada, que permite viver cada emoção como se tivéssemos passado por tudo o que nos descreve. Se a primeira história torna-nos receptivos para o que aí vem e nos faz simpatizar com Sónia, é o relato sobre a Guerra Civil Espanhola que nos prende e nos leva mais longe. A forma como as personagens são construídas faz-nos entendê-las, sofrer com elas e encontrar um pouco de nós em cada uma delas. Tal como na sua escrita, as suas personagens são transparentes, apaixonadas, lutadoras e idealistas, são ídolos ou heróis que podemos encontrar no mais simples ser humano.
O relato que conta a história de uma família dividida abafa por completo a de Sónia pois cada palavra, acontecimento ou expressão servem para nos fazer pensar, levar-nos a revolta, a fúria ou as lágrimas. Cada momento arrepia-nos, comove-nos, convence-nos ao espírito de rebelião ou faz com que a nossa mente queira esquecer. Cada dor, cada atrocidade serve para nos recordar que há coisas que não se podem repetir, que o Homem pode ser capaz de tudo por ideais, pelo poder, para ter razão. Este livro mudou algo em mim e recordou-me uma das razões porque foi que escolhi o rumo que estou a seguir, as gerações futuras não podem esquecer que males se fizeram, que o que temos hoje, temos a conta de sangue, lágrimas e muita força de espírito.
O Regresso é um relato brilhante que nos faz esquecer a ouvinte que ouve a história que mudará a sua vida, onde tudo o que importa são aqueles que nunca perderam a esperança, que lutaram e levantaram a cabeça e a usaram para sobreviver. Um livro que aconselho a todos pois este não é um romance mas uma lição de vida e uma recordação.

6*

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