sábado, 4 de agosto de 2012

Opinião - A Rainha Sem Nome

Título Original: La Reina sin Nombre (#1 El sol del Reino Godo)
Autor: María Gudín
Editora: Difel
Número de Páginas: 574

Sinopse
 «Filha de reis, mãe de reis e um nome esquecido na Ibéria dos Godos e dos povos Celtas.»
Poderíamos definir assim a protagonista deste romance, uma personagem de origem desconhecida, acolhida pelos albiões, conhecedora dos segredos das artes dos druidas e que participa nos conflitos territoriais da sua época. No entanto, em breve vai descobrir a sua ascendência real e vai ser exigida pelo seu verdadeiro povo: os godos.

Albión sofre a opressão de Lubbo, um tirano sanguinário que restaurou o sacrifício humano para adorar um deus arcaico que muitos desejam enterrar. A vida aprazível no vale vê-se mergulhada na luta pela sublevação, e a protegida do druida Enol é sequestrada por guerreiros de origem sueva. Jana, como é conhecida, é incumbida de proteger a taça do poder, que Enol lhe entrega com o objectivo de a afastar de Lubbo e da terrível ameaça no caso de ele se apoderar dela.

Após a sua união com Aster, líder dos rebeldes e posteriormente príncipe dos albiões, Jana, a quem mais tarde acabarão por revelar a sua verdadeira identidade de princesa perdida, viaja, contra a sua vontade, rumo ao reino dos godos, para proteger os seus e cumprir um último desejo: devolver a taça sagrada aos povos do Norte.

A Rainha sem Nome transporta o leitor através de uma viagem cheia de aventuras pela Península Ibérica goda e a França merovíngia. Um fascinante lapso de tempo, obscuro e desconhecido, que é oferecido ao leitor com apurada mestria literária e rigor histórico.

Opinião 
 Neurologista, María Gudín já publicou várias obras científicas e colaborou em várias publicações, quer espanholas quer internacionais mas não só da Medicina vivem as escritas desta médica. Um livro de contos e um romance marcaram a sua estreia fora da área científica mas foi no romance histórico misturado com fantasia que María deixou a sua marca. A Rainha sem Nome é o primeiro volume de uma trilogia sobre a unificação da Península Ibérica sobre o poderio visigodo, contando com várias personagens históricas da realeza visigoda do século VI, responsáveis pela unificação desse povo bárbaro com os povos hispano-romanos. Em Portugal apenas o primeiro volume foi publicado enquanto que em o terceiro volume foi publicado em Espanha no ano passado.
Sendo uma época histórica não muito relatada na literatura e que acaba sempre por ter fantasia a mistura como aqui acontece, este tem sido um livro que anda pela minha memória a muitos anos e com a falência da Difel mais difícil se tornou de arranjar até que uma amiga lá mo emprestou para eu tirar as teimas se o livro era bom ou não. O primeiro erro do livro vem logo na capa, um dos erros que tornou a sua leitura bastante irritante para mim que é o facto de se falar na Ibéria dos Godos. Ora, quem povou a Península Ibérica foram os visigodos, um ramo dos godos é verdade mas, este povo ficou dividido em visigodos e ostrogodos no século IV e o livro passa-se no século VI, por isso não consigo compreender porque é que a autora está todo o livro a falar em godos. Pode parecer um factor mesquinho mas a mim irritou-me solenemente porque demonstra uma falta de cuidado na pesquisa por parte da autora.
Bem, passando a frente da aula de história (por agora), A Rainha sem Nome é um calhamaço de 500 e tal páginas em que autora conseguiu misturar factos históricos com fantasia num relato bastante ou demasiado detalhado em que todas as influências que marcaram a história e os costumes daqueles que governariam a Península Ibérica, se conjugam de uma maneira de tal modo quase perfeita que poucos conseguem detectar os erros históricos que a narrativa apresenta à primeira vista, tornando-se uma leitura até educativa, até certo ponto, e bastante interessante para quem gosta do tema e para quem não se perde na miríade de nomes, povos, cidades e costumes destes povos dos quais pouco se sabe, apesar de eu aconselhar uma pesquisa mais desenvolvida após esta leitura.
Infelizmente, a imensa concentração de informação, história e lendas torna a leitura maçuda porque não há um fio condutor, antes se torna uma mistura pouco organizada em que a dada altura já não sabemos bem do que a autora está a falar. Ao escolher este tema, ela devia ter-se concentrado em alguns episódios em vez de querer fazer um livro sobre tudo e mais alguma coisa, tornando o livro uma salganhada em que pouco ou nada possa ser apreendido. É de louvar a sua intenção mas o resultado final não chega nem perto do satisfatório, já que há demasiadas disparidades na leitura.
Quanto a parte fantasiosa do livro, em que temos a parte céltica que para mim podia ter sido dispensada pois o livro ficaria menos confuso, está até bem conseguida se o assunto se centrasse apenas nisso e não se misturasse com todo o resto. Mas apesar deste, para mim, grande defeito que o livro tem, há outro que é possivelmente o que torna a leitura ainda menos interessante, que é as personagens, as quais não consegui sentir qualquer tipo de ligação pois para heróis, druidas, princesas perdidas achei-as tão ocas, tão sem nada. Não consegui sentir qualquer emoção com este livro apesar dos momentos fortes que ele tem e que deviam marcar o leitor pois as personagens são vazias, estereotipadas e, mais uma vez, a autora não soube controlar o rumo da história ou das personagens.
Por último, apesar de eu gostar da leitura tipo flashback, neste livro ficou estranho porque só acontece até meio do livro e para sem aviso prévio, em que somo levados de um momento passado para o presente ou para o futuro sem explicação ou qualquer tipo de indicação do que se está a passar.
Esta é uma leitura que não me conseguiu proporcionar bons momentos e que se foi perdendo até ao fim do livro até chegar ao ponto de eu estar desesperada para que acabasse. Mesmo que se chegue a publicar por cá a continuação, não penso voltar a pegar na autora pois foi uma grande desilusão.

3*

2 comentários:

  1. Bom, por esta não esperava. Tinha muita curiosidade em ler o livro e parecia super interessante.

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    1. Pois para mim foi um dos melhores livros que li - e já o li 2 vezes -, é dramático, é enternecedor, é cruel...é lindo!!

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