segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Opinião - Sensibilidade e Bom Senso

Título Original: Sense and Sensibility
Autor: Jane Austen
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 292

Sinopse 
 Sensibilidade e Bom Senso, o primeiro livro de Jane Austen, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.

Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.

Sensibilidade e Bom Senso - um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

Opinião 
 Sensibilidade e Bom Senso foi a primeira obra de Jane Austen a ser publicada, em 1811, tendo sido escrita entre 1795 e 1799, a segunda obra a ser vendida e a terceira a ir parar as mãos de um editor. Início de uma carreira brilhante que sobreviveu à morte de Jane em 1817 e perdura até aos nossos dias, Sensibilidade e Bom Senso ocupa um dos lugares de preferência dos “austinianos”, tendo mesmo sido adaptada para série duas vezes pela BBC em 1981 e em 2008, para filme em 1995 com as estrelas Emma Thompson, Hugh Grant, Kate Winslet e Alan Rickman e até teve direito a uma produção indiana.
Este é um daqueles livros que eu já devia ter lido há muito tempo, não fosse eu uma fã de Austen, mesmo que principiante mas pronto consegui finalmente lá chegar e a este ritmo pode ser que tenha os livros mais sonantes dela lidos até ao final do ano, o que me faz muito feliz. Este era o de alta prioridade, visto ser com os meus dois preferidos, considerado um dos melhores da Jane, portanto um que eu esperava a partida gostar muito.
Este livro começa por ser diferente ao falar-nos de duas irmãs que são o oposto uma da outra e, por isso, enfrentam os seus problemas de formas contrárias sem deixarem que a sua relação seja afectada por isso. Tanto Elinor como Marianne são adoráveis à sua maneira e, cada uma delas, reflectem duas formas de estar na sociedade em que estão inseridas, mesmo quando confrontadas com situações românticas quase idênticas.
É fácil para o leitor se identificar com uma ou com a outra, já que Elinor é a racional e sensata e Marianne a impulsiva e apaixonada. Ambas simbolizam, no entanto, a mulher do século XIX que se começa a instruir, que lê e vive para além dos mexericos, do casamento e dos filhos. Tendo as irmãs Dashwood sido inspiradas em Jane e na sua irmã Cassandra, a autora apresenta-nos um livro mais pessoal, em que se identificava com muitas das situações, e era, também uma forma de homenagear a sua irmã mais chegada. Por isso mesmo, este livro dá aos fãs de Jane uma abertura para a vida da autora que mais nenhum dá. Mais do que isso, será possivelmente o que mais se coaduna com a opinião pessoal de Jane acerca dos seus contemporâneos.
Retrato de uma sociedade burguesa em crescimento, Sensibilidade e Bom Senso está cheio de críticas e pequenos sarcasmos, apresentando os vícios e falhas de um meio voltado para o dinheiro e para a posição social, onde os erros são escondidos por trás de mexericos e uma amabilidade fria. Nenhuma personagem escapa ao escrutínio da autora, tirando as duas irmãs, vistas como as únicas que não colaboram com a mesquinhice e o pobre senso-comum de todas as outras personagens.
O casamento acaba por ser o principal tema deste livro, estando todas as personagens condicionadas por ele. Pode-se mesmo considerar que o feminismo de Jane está patente em cada consideração que faz sobre a situação matrimonial das personagens, em que a autora acusa os erros do casamento, sendo que cada um dos casais um exemplo do que este não deve ser mas que era a regra nos casamentos da época. A autora ataca aqueles que casam por dinheiro ou por uma posição elevada apresentando-lhes as diversas formas do ridículo a que podiam chegar e Elinor e Marianne são o exemplo do que as jovens deviam ser e procurar.
Conservadora ou feminista, Jane Austen era uma romântica mas neste livro não ultrapassa as linhas entre o decoro e posição. O casamento de Marianne é um exemplo em como a autora não acreditava em romances impulsivos com jovens que pouco pensavam e a relação de Elinor de que a calma e a prudência dão sempre frutos, daí os fins das duas irmãs estarem de acordo com as suas personalidades.
Sobre amor e fraternidade, sobre como os laços de união se devem construir, em que o casamento é uma alta instituição que deve ser respeitada mas levada a cabo por quem realmente o sente, este é um livro encantador, que sublinha o talento de Austen enquanto romancista.
Um dos melhores livros de Jane, pode ser o livro perfeito para os estreantes e irá proporcionar-lhes um retrato único sobre uma sociedade em mudança, onde as aparências eram tudo.

6*

6 comentários:

  1. Este foi o primeiro livro que li da Jane Austen, acho que tinha uns 16 anos na altura, e apaixonei-me pela escritora. Ela é sem dúvida a minha escritora preferida entre os clássicos e nada me encanta mais do que "Orgulho e Preconceito" :) ..."Persuasão" tem também o seu encanto :) ...mas em "Northanger Abbey" encontrei a heroína de Austen mais parecida comigo, Catherine que lê demasiados livros e mete-se em sarilhos :)

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  2. Eu gosto tanto do "Orgulho e Preconceito" *.* Tanto, tanto, tanto!!! E do "Persuasão" também =p

    Esse é um dos que me que falta ler mas espero não demorar muito =)

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  3. De uma maneira geral este livro não está entre os preferidos dos fãs de Jane Austen :)
    Não sei se conheces mas existe um blogue dedicado a Jane Austen, o único em Portugal dedicado a esta escritora: http://janeaustenpt.blogs.sapo.pt/
    Se quiseres espreitar e ir sabendo as novidades, eu faço parte da equipa e tentamos ir divulgando o que vai acontecendo no mundo de Austen :)

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  4. A sério?? Eu pensava que era dos preferidos =s Mas obrigada pela correcção Madrigal!=)

    Conheço sim!!=D Já sou seguidora a algum tempo e até participei na votação do "Vamos Editar os Clássicos" =)

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  5. bem, aquele que toda a gente prefere é sem dúvida o Orgulho e Preconceito, mas há gostos para tudo, há quem tenha como preferido o Mansfield Park :)
    No caso de Sensibilidade e Bom Senso há quem não simpatize particularmente com a Marianne e daí surge uma certa antipatia pela obra, mas isto são ideias gerais, há gostos para tudo.
    Pessoalmente posso-te dizer que os meus preferidos são Persuasão e Orgulho e Preconceito, mas o bad boy que me conquistou logo foi precisamente o Willoughby :) e mais recentemente o Henry Crawford do Mansfield Park.

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  6. Por acaso os meus preferidos também são o Persuasão e o Orgulho e Preconceito =p
    Eu acho que gostei do livro exactamente por causa da Marianne e fiquei um bocado triste de ela não ficar com o Willoughby, mas pronto é a vida! Mas a personagem dele é fantástica *.* já a do coronel, bahh!
    Eu li o Mansfield Park a pouco tempo e gostei muito mas a Fanny e o Edward não me convenceram, gostei mais da história do que deles. Já o Henry, adorei a reviravolta nele, foi o ponto alto =D

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