quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Opinião - Darling Jim

Título Original: Darling Jim
Autor: Christian Mork
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 316

Sinopse
 Darling Jim reúne thriller psicológico, suspense romântico, terror, lendas e contos de fadas num enredo coeso e fascinante. Tudo começa com o aparecimento dos cadáveres de duas irmãs e da tia de ambas, assassinadas numa casa de Malahide. O mistério que envolve a sinistra descoberta parece insolúvel, mas quando Niall, um jovem carteiro, descobre o diário de uma das irmãs e decide fazer uma investigação por conta própria, a verdade começa a vir à luz do dia. Uma história de amor trágica e um bardo dos tempos modernos parecem ter estado na origem dos crimes. Malicioso e irresistível, Darling Jim é um romance que nos fala dos perigos de nos apaixonarmos pela pessoa errada.

Opinião 


Uma notícia num jornal já amarelado dava conta de quatro cadáveres, três irmãs e uma tia, que se teriam deixado suicidado, morrendo a fome. Esta notícia perseguiu Christian Mørk durante anos, até que ele decidiu que era daí que viria a primeira história da sua autoria. Darling Jim, nascido de factos reais, é um thriller psicológico que não esquece as lendas e o sobrenatural, que vendeu mais de 38 000 exemplares na Dinamarca e foi traduzido para mais de trinta países.
Christian nasceu em Copenhaga mas aos 21 anos partiu para os Estados Unidos. Concluiu os estudos em História, Sociologia e Jornalismo, escreveu na Variety, foi crítico de cinema e também fez parte dele na Warner Bros. Pictures. Nasceu numa família de actores e quase foi um académico mas o seu desejo de escrever um livro falou mais alto. Este é o livro.
Quando Darling Jim enlouqueceu os leitores pelo Facebook, antes da sua publicação, eu só pensava que ia ter de arranjar o livro porque se todos estavam loucos por ele, era porque era bom, mesmo bom. Li a sinopse tantas vezes que quase a decorei e, admito, estava quase a morrer de curiosidade mas não consegui comprá-lo na pré-venda e, aos poucos, com as opiniões após publicação comecei a duvidar do facto de querer o livro, até ele ficar esquecido no meio de tantos outros que eu queria, até ter esta oportunidade para o ler.
Este livro é uma junção de conceitos, géneros e ideias, onde o thriller psicológico e o sobrenatural se evidenciam. No início da leitura temos uma premissa que consegue suster a curiosidade do leitor, muito devido a escrita bem conseguida do autor, que, através de diálogos fluídos e de uma narrativa directa, consegue manter o leitor interessado. Sendo um livro simples, sem entrar em grandes dilemas, onde a história central é a única na qual o livro se concentra, seria de esperar uma história tão bem conseguida como as questões técnicas mas confesso que me senti algo desiludida.
Apesar da acção contínua e de ser um livro que é fácil de ler, não é um livro que marque e que recordaremos para o resto da vida. Conforme vamos conhecendo as três irmãs através dos diários, vamos percebendo o mistério a volta das mortes macabras mas, também, rapidamente, chegámos a todas as conclusões. O livro está bem construído mas não é espectacular, e talvez daí a minha desilusão pois a meio do livro já tinha deslindado a história toda. Era simples de mais, quando podia e tinha material para ser maior, sem entrar nos exageros em que entrou. O amor pode levar aos actos mais insanos mas para mim, o rumo da história, a dada altura, não fazia grande sentido, tinha de haver outra explicação, tinha de haver ali mais alguma coisa mas não houve. Queria mais drama, mais horror, mais segredos obscuros mas eles não apareceram.
A grande falha, é a falta daquele que era, a meu ver, o diário mais importante, o da personagem mistério que acabámos por nunca chegar realmente a conhecer. Apesar de já desconfiar de qual seria o seu segredo, sinto que teria enriquecido a história, tê-la-ia tornado mais densa, mais real e teria alterado um pouco o sentido do livro. As três irmãs foram o ponto mais alto do livro pois até a mais forte das mulheres pode cair na cantiga do bandido, e estas irmãs eram personagens fortes que susteram toda a narrativa e a tornaram muito mais interessante através dos seus diários e diferentes perspectivas e personalidades, longe de clichés aborrecidos. Tirando as três irmãs, não achei que as restantes personagens tivessem presença suficiente para sentirmos alguma coisa nem com Jim. Parece que ao lado dos acontecimentos estavam todos meio apagados, só apareciam para fazer o que tinham a fazer e não havia mais nada.
O fim só veio confirmar tudo aquilo que eu já tinha percebido e, por isso, não me deu qualquer satisfação. A única coisa que saliento, é que tem uma parte estranha que um dia tenho que reler porque continuo sem perceber o sentido daquilo e acho que nunca vou perceber, sinceramente ou então já não estava mesmo com vontade de perceber. Por último, a parte sobrenatural, que foi o que gostei mais e durou tão pouco. Aí estava o sinistro, o obscuro, a negritude que devia ter povoado o resto do livro, mesmo que depois tenha sido usada para a parte muito estranha do final que eu não percebi.
A conclusão que tiro é que gosto de ser surpreendida, de grandes enredos e de não ter razão no final. Gosto de um livro forte e equilibrado, com pés e cabeça e não consegui identificar-me com esta leitura. A juntar as expectativas demasiado elevadas a tudo isso, não consegui sentir-me cativada por esta leitura. Esperava muito mais e melhor da história, não basta um escritor escrever bem para o livro ser bom. Parece que afinal, não fiz parte da febre Darling Jim.

2* 

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