domingo, 23 de setembro de 2012

Opinião - A Herança

Título Original:  The Legacy
Autor: Katherine Webb
Número de Páginas: 456

 Sinopse
 Após a morte da avó, as irmãs Erica e Beth Calcott regressam a Storton Manor, a imponente mansão da família. Rodeada pela atmosfera mágica das férias de Verão da sua infância, Erica relembra o passado, particularmente o primo Henry, cujo desaparecimento daquela mesma casa dilacerou a família e marcou Beth terrivelmente. A jovem decide agora descobrir o que aconteceu a Henry, para que o passado possa ser enterrado e a irmã consiga finalmente encontrar alguma paz. Mas, quando começa a investigar, um segredo familiar ameaça sair da sombra: uma história que remonta à América na viragem do século XIX, protagonizada por uma bela herdeira das classes altas e uma terra selvagem e assombrosa. À medida que o passado e o presente convergem, Erica e Beth têm de enfrentar duas terríveis traições e uma dolorosa herança.

 Opinião


Katherine Webb cresceu por entre as paisagens de castelos em ruínas do Hampshire, não é, então de espantar que tenha partido para estudar História e que os seus livros reflictam sobre as repercussões do passado nos factos presentes, revisitando genealogias perdidas e segredos escondidos. Talvez por isso o seu primeiro romance, A Herança tenha tido um tão estrondoso sucesso, tendo vendido 75 000 exemplares em duas semanas no país de origem da autora, ganho o prémio YouWriteOnBook of the Year Award 2009 e sido publicado em vinte países.
Enquanto leitora se há coisa que eu gosto é de um livro que tenha uma longa saga familiar, que vá dos tetravôs à última geração, com segredos infinitos, aventuras imensas, desgostos e amores, enfim, tudo a que tenho direito. Talvez por isso me perca a fazer genealogias da realeza europeia e a revisitar histórias de membros da família longínquos que depois se repercutiram em gerações, que me encante ver como o destino pode modificar vidas, como o passado pode marcar infinitamente. Eu sei, é um passatempo bastante estranho mas dá bastante jeito na minha vidinha de estudante.
Através de uma escrita fluída e de um estilo que pode fazer lembrar o de Joanne Harris, Katherine apresenta-nos duas irmãs de regresso à casa onde passaram os verões na infância e onde um trágico acontecimento marcou toda a sua vida e onde estão prestes a descobrir os segredos que envolveram a vida da sua bisavó, Caroline, que no início do século XX partiu para o Oeste selvagem por amor. Com duas histórias tão díspares mas, ao mesmo tempo, tão envolventes, seria de esperar que eu me sentisse completamente embrenhada nesta leitura mas isso não aconteceu e, confesso, a história de Caroline empolgou-me muito mais que a de Beth e Erica, talvez devido aos cenários do Oeste ou ao facto desta parecer mais original que a das duas irmãs, que me fez lembrar um pouco os mistérios da autora de Chocolate mas sem a envolvência desses.
A sensação com que fiquei é que a história de Caroline estava melhor construída e desenvolvida, até porque a meio do livro, continuava a existir acção e momentos marcantes nessa parte enquanto que ao que concerne as duas irmãs, a história, muitas vezes, parecia estar parada no tempo, a espera de um impasse, nada se passava de empolgante e mesmo os acontecimentos que iam decorrendo soavam apagados quanto aos que se passavam em relação a Caroline, que roubou um bocado o “protagonismo” do livro. Talvez o facto de parecer haver parecenças com o estilo de Joanne, que é uma das minhas autoras preferidas, me tenha feito comparar em demasiado os dois estilos mas isto pode acontecer a qualquer leitor, e infelizmente a minha leitura deste livro ficou marcada por isso e não consegui apreciar a história de Beth e Erica como era devido pois soava-me demasiado a essa autora.
Outra coisa que afectou a leitura foi o facto de no início o livro ser bastante empolgante, em que tudo se passa e a narrativa corre fluída perante os nossos olhos mas a meio do livro parece que está a meio gás, que está apagada e são páginas preciosas para agarrar a atenção do leitor e que acabam por perder o ritmo. Mas, numa reviravolta surpreendente, escreve um final perfeito que acaba por salvar a história principal, mesmo sem grandes surpresas ou mistérios mas que agrada o leitor e o deixa a reflectir e o faz fechar o livro com um sorriso nos lábios.
Por fim, não posso deixar de falar nas personagens que também afectaram muito a forma como vi este livro. Infelizmente não consegui gostar de nenhuma personagem pois todas me pareciam ou sem personalidade, ou supérfluas e egoístas, falsas, tendo falhado a ligação entre personagem e leitor e que terá sido o meu grande problema com este livro mais do que qualquer outra coisa. Eu preciso de sentir as emoções do outro lado e neste livro não consegui sentir nada para realçar, tendo sido a grande excepção, Caroline, e não foi pela positiva. Apesar de eu ter gostado da sua história, odiei-a desde o primeiro segundo até ao último e terá sido por isso que sentia tanto quando lia sobre o seu passado pois os sentimentos de revolta e raiva nunca me largaram e é aqui que a autora brilha porque não criou uma personagem para ser amada ou heroína mas que marca o leitor com uma história crua e árida, que foi para mim, o ponto alto de todo o livro.
Entre pontos positivos e pontos negativos, esta não foi a leitura que esperava, longe disso, e foi das opiniões mais difíceis que tive de fazer até hoje, mas acho que se a autora tivesse criado algo mais simples teria sido um livro melhor e, para além disso, é o seu primeiro romance e não descarto voltar a lê-la numa outra ocasião, já que existem bases sólidas neste livro, mesmo que não exploradas da melhor maneira e, no geral, foi uma leitura que me fez pensar o suficiente para me custar imenso fazer a sua opinião, o que não é um mau presságio. Não descartem este livro, leiam-no e, com sorte, vão gostar mais do que pensam.

3*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

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