domingo, 16 de setembro de 2012

Opinião - Nas Asas do Amor

Título Original:  A Distant Melody (#1 Wings of Glory)

Autor: Sarah Sundin
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 456

Sinopse
 Allie nunca foi suficientemente bonita para agradar à sua deslumbrante mãe, por isso fará qualquer coisa para ter a sua aprovação: até casar com um homem que não ama. Enquanto Allie quase se resigna ao seu destino, o tenente Walter Novak - destemido na cabina de pilotagem, mas sem jeito para as mulheres - vai a casa na sua última licença antes de ser enviado para a Europa, combater pela Royal Air Force durante a Segunda Guerra Mundial.
Walt e Allie conhecem-se e o seu amor pela música junta-os, fazendo-os começar uma correspondência que mudará as suas vidas. Enquanto as cartas vão e vêm entre a base de bombardeiros de Walt, em Inglaterra, e a mansão de Allie, a amizade que cresce entre os dois une-os. Mas serão eles capazes de resolver os segredos, compromissos e expetativas que os separaram?


Opinião 
 A II Guerra Mundial ainda está demasiado presente nas mentes das presentes gerações. Infelizmente, as atrocidades cometidas, o sangue que manchou a Europa, a dor que várias famílias sofreram, não ocorreram num passado tão longínquo para que possa ser facilmente esquecida. Quantas das pessoas que assistiram a esta guerra em primeira mão estão ainda vivas e quantas não ouviram relatos da boca de parentes próximos, não sentiram as perdas mesmo ao seu lado?

Sarah Sundin foi buscar tudo isso para o seu primeiro romance, inspirada pelo tio-avô, piloto americano que esteve em Inglaterra nessa altura, e recriando o cenário para criar algo de doce e belo, uma história de amor para provar que não só de sangue a história da Europa foi escrita. Farmacêutica hospitalar, Sarah já iniciou uma nova trilogia, também passada nesta época histórica que contará a história de três enfermeiras. Por cá, o segundo volume de Asas de Glória está a chegar.
Quando este livro saiu eu soube logo que tinha de o ler, que acontecesse o que acontecesse ele tinha de vir para a minha estante pois, apesar da enorme quantidade de livros respeitantes à II Grande Guerra, romances deste género são raros e as opiniões e premissas prometiam um romance a que ninguém poderia resistir.
Ao iniciar esta leitura, encontrámos uma promessa de doçura, amores intemporais que sobrevivem a tudo e todos, em duas pessoas subvalorizadas por parentes e amigos e que encontrarão um no outro alguém que poderá, finalmente, entendê-los. Até a separação esperada do casal, esperámos, torcemos e sofremos para que tudo dê certo e para que eles possam ultrapassar tudo mas é também, neste momento crucial, que a história descamba. Como um todo, Allie e Walt são perfeitos, complementam-se e parecem-nos duas almas gémeas. Separados, como acontece na maior parte do livro, pelo menos Allie perde todo o seu charme e já não sentimos aquela elevação romântica que sentíamos no início do livro. Enquanto personagens individuais tornam-se pessoas diferentes, com vidas demasiado diferentes. Se vivemos todas as sensações de Walt em pleno ar, se as discussões dos pilotos nos enervam, se sentimos cada desastre da pele enquanto aprendemos a admirar aqueles “monstros” que desbravavam os céus, com Allie perdemos toda a vontade de ler o livro, temos a sensação que nada acontece de importante, que ela é mesquinha, egoísta, fraca e que todas as suas lutas são tão pouco importantes que ela se perde no meio da narrativa.
O próprio amor dos dois torna-se pouco fiável devido aos problemas que eles próprios arranjam. A dada altura parece que só eles estão contra ao amor deles, pois apenas eles arranjam mentiras e problemas, já que a maior parte das pessoas não dá pelo romance e, mesmo, o facto de Allie só perceber que está apaixonada tardiamente, tira o brilho à história. O livro vai perdendo encanto e força até ao final, em que recupera um pouco do seu encanto e em que conseguimos voltar a acreditar no amor dos dois mas não volta a ter o mesmo sabor que tinha no início.
O livro acaba por ter uma grande qualidade e um grande defeito e é este que vai marcar se as pessoas gostam dele ou não, pois no meu caso, senti-me bastante influenciada por ele. Primeiro, o ponto alto do livro é as descrições das batalhas aéreas e dos aviões, mostrando que a autora soube aproveitar bem os relatos do familiar para criar uma narrativa coesa em que podemos sentir a realidade. Em segundo, o livro acaba por ganhar uma cotação religiosa devido às várias referências a Deus, a Bíblia e afins. Não sendo uma pessoa religiosa, parece-me que se não houvesse tantas conotações, expressões e palavreado, que esta me teria passado ao lado e a autora podia ter mantido a sua visão de vida sem incomodar quaisquer leitores mas o exagero da religiosidade, a forma como a autora a imiscuí na vida dos protagonistas acaba por ser bastante severa, se não mesmo uma imposição que pode ferir susceptibilidades.  Devia ter havido um maior cuidado nesta parte pois parece-me que ela terá influenciado e muito a opinião dos leitores acerca do livro e a autora escusava de se colocar nesta posição.
Nas Asas do Amor acabou por não corresponder as expectativas e deixou-me indecisa acerca do que pensar nele. Queria ter gostado da leitura mas sei que ela não me satisfez mas espero que possam dar uma oportunidade a este livro e tirarem as vossas próprias conclusões. 

4*

4 comentários:

  1. Tenho pena que o livro não tenha correspondido às tuas expectativas. Concordo com alguns pontos da tua opinião. Sobre a religião, é uma coisa que não me fez confusão e compreendi bem porque fui educada de acordo com a religião católica e embora não seja praticante, consigo entender o porquê de a autora inserir-se dentro deste meio. Ela própria é religiosa e fiel praticante, segundo o que percebi, portanto creio que a intenção é fazer passar a experiência que ela conhece dentro desse meio.
    Claro que nem toda a gente pode gostar disso, mas não creio que ela tenho sido desagradável a trazer a religião ao barulho. No entanto, gostos são gostos e tenho pena que não tenhas gostado assim tanto do livro... :)
    Boas leituras!

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  2. Olá Filipa!

    Também foi criada numa família católica e sou a única da família que se desviou dessas práticas, por isso respeito as crenças de cada um e a sua forma de viver, só achei que a autora podia não ter usado esse tema tantas vezes, apesar de claro, ela estar no direito dela.

    Queria mesmo muito ter gostado deste livro mas não tive sorte...Há-de haver mais livros!=)

    Beijinhos e boas leituras!

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  3. Oi adoro suas resenhas, e acredito que como vc disse gosto e gosto, o que te fez não gostar tanto da historia, foi o que me atraiu a comprar, ao ver que historia se passava na Segunda Guerra Mundial e que a classificação dela no goodreads e marcado por Christian Fiction, foi meu maior incentivo logo quis comprar, como moro no Brasil e quase não vemos esse tipo de lançamento quando vi sair em Portugal logo pus na minha lista e o comprei e já to doida pela continuação.
    Talvez se vc tivesse visto esse tipo de classificação teria lido o livro mais prevenida.
    Bjs

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  4. Obrigada Patricia!=)

    Sim, se calhar se tivesse dado por isso teria tido mais "cuidado" com a leitura do livro porque tive mesmo pena de não gostar...

    beijinhos

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