quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Opinião - As Duas Torres

Título Original: The Two Towers (#2 O Senhor dos Anéis)
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 388


Sinopse
No anterior volume desta triologia, A Irmandade do Anel, o leitor travou conhecimento com alguns estranhos e simpáticos personagens que povoam o mundo que Tolkien construiu: frodo, Gandalf, Pippin, Aragorn, Boromir, para citar apenas alguns.
Através deles ficou também a conhecer algumas espécies bizarras a viver em terras imaginárias: os hobitts, os orcs, os elfos, os anões. E acompanhou certamente todas as peripécias que se passaram à volta do misterioso anel de que Frodo era possuidor. Os perigos por que passaram para subtrair o anel às mãos cobiçosas dos inimigos, os trabalhos em que se viram envolvidos para conseguir o seu intento culminaram com a fuga e o desaparecimento de Frodo e a dispersão dos seus companheiros.
Esta segunda parte, As Duas Torres, conta o que aconteceu a cada um dos membros da Irmandade do Anel, depois de o grupo se ter desfeito e até ao advento da Grande Escuridão e à eclosão da Guerra do Anel, que será contada na terceira e última parte.

As Duas Torres é o segundo volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também A Irmandade do Anel e O Regresso do Rei.

Opinião
 Nasceu em Bloemfontein, no Estado Livre de Orange, na África do Sul a 3 de Janeiro de 1892 mas ficou conhecido como uma das personalidades britânicas mais famosas de sempre. Veio para Inglaterra e perdeu ambos os pais cedo, tendo sido criado por um padre jesuíta que, juntamente com a sua mãe foi a influência religiosa de Tolkien e como um segundo pai para o autor. Casou com o amor da sua vida Edith Bratt em 1916, oito anos depois de a ter conhecido e no ano em que partiu para participar na I Guerra Mundial, da qual regressaria em 1918. Pai de quatro filhos, dos quais dois ainda estão vivos, foi um pai dedicado e foi para eles que escreveu as suas obras e criou todo o imaginário da Terra Média.

Publicados em 1954 os dois primeiros volumes da trilogia, dezassete anos depois da primeira edição do Hobbit, rapidamente se tornou claro que, dissesse a crítica o que dissesse, o mundo imaginado por Tolkien viera para ficar, principalmente quando as edições pirateadas chegaram aos universitários americanos na década de 60. Hoje, esta é a obra de culto de qualquer amante da literatura fantástica e ainda é um dos livros mais importantes da literatura mundial.
Depois de ter cedido finalmente a ler o primeiro volume de O Senhor dos Anéis e de ter percebido o que tinha andado a perder durante todos estes anos “de escuridão”, estava na altura de regressar à Terra Média em As Duas Torres e de continuar as aventuras dos nossos amigos. Desmembrada a Irmandade do Anel, seguimos cada um dos grupos por várias etapas, novos caminhos e conhecemos novas personagens e lendas deste mundo fantástico, desde os Ents, os Rohirrim, Gollum ou Faromir, por entre florestas antigas, fortalezas lendárias e caminhos tenebrosos.
Entrar no mundo de Tolkien, seja a primeira ou a segunda vez, é sempre uma experiência única que se adensa de cada vez que lemos mais uma página, sendo difícil largarmos o livro quando pegámos nele. Cada capítulo é uma nova descoberta, recheada de momentos de uma coragem infindável contra um terror que cresce e um fim que pode bem terminar mal para todos. Se o primeiro volume é denso em informação e lento em acção, este prima por uma narrativa que nunca para, contrabalançando melhor a informação com a acção. Ao termos três grupos em cenários distintos que, ora se juntam, ora se separam, cada um com a sua missão e novos companheiros, é normal que a leitura se torna mais vívida e acesa pois se na Irmandade do Anel o grupo estava todo junto numa corrida contra o tempo, aqui temos batalhas acesas, revoltas, inimigos desconhecidos, temores horripilantes e descobertas que podem alterar a missão dos companheiros enquanto seguem separados os seus próprios caminhos.
A diversidade de personagens e cenários tornam a leitura muito mais inebriante e viciante pois a necessidade de saber o que aconteceu a cada um deles é primária e o leitor não consegue largar o livro até saber mais e mais, e a quantidade de informação é dada de uma forma mais contida, o que leva a que este livro seja mais “fácil” de ler para quem achou o primeiro mais denso. Recheado de momentos de perfeito humor protagonizados pelas duas duplas de peso, Gimli e Legolas, Pippin e Merry, que vos vão colocar a rir as gargalhadas e de momentos de puro terror no covil de Shelob, é notário seja em que situação for a mestria da escrita de Tolkien, o seu jeito para transpor para lá das palavras emoções tão fortes que são capazes de sufocar o leitor que se perde na leitura destes momentos contados de forma tão soberba quanto lírica.
O poder da imaginação do autor está por todo o lado, desde as canções às lendas, das personagens aos cenários, em cada rumo que os nossos heróis tomam, deleitando o leitor em cada palavra. Talvez um livro mais negro que o anterior, pois o mal de Mordor torna-se cada vez mais papável em cada expressão ou nos sentimentos das personagens. Momentos há em que sentimos o desespero, o terror e a força de vontade a combatê-los, mesmo que pareça uma causa perdida.
Aquele que é, provavelmente, um dos momentos mais aguardados por mim neste livro, era o aparecimento de Gollum, personagem que penso terá marcado qualquer um que viu os filmes e estes não fizeram jus ao que este nos faz sentir com a sua presença. Desde uma pena extrema ao mais degradante nojo, da fúria até um certo carinho, é óbvio que a pobre criatura que se terá chamado Sméagol é, provavelmente, das personagens mais bem conseguidas da trilogia e das mais emblemáticas. O que Tolkien conseguiu colocar na sua essência não é para qualquer autor e está para nascer personagem que consiga causar o impacto que esta consegue.
Terminado num momento crucial, sei que não demorarei muito a regressar a este mundo que descobri tão recentemente e que devo por força da avidez arranjar os restantes livros num tempo próximo pois nunca é tarde mais para descobrir esta obra-prima que é O Senhor dos Anéis.


7*

As minhas opiniões da trilogia:
A Irmandade do Anel

2 comentários:

  1. Ois,

    Bem estás empolgada, já tinha referido que achei a escrita do Tolken maçuda, mas na altura que li não tinha a experiência que tenho atualmente, quem sabe não venha a reler pelo menos a trilogia.

    Muito bem ;)

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  2. Olá!

    Estou bastante =D Acho que deves dar uma segunda oportunidade, eu também dei e não me arrependi =)

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