Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 388
Sinopse
No anterior volume desta triologia, A Irmandade do Anel, o leitor travou conhecimento com alguns estranhos e simpáticos personagens que povoam o mundo que Tolkien construiu: frodo, Gandalf, Pippin, Aragorn, Boromir, para citar apenas alguns.
Através deles ficou também a conhecer algumas espécies bizarras a viver em terras imaginárias: os hobitts, os orcs, os elfos, os anões. E acompanhou certamente todas as peripécias que se passaram à volta do misterioso anel de que Frodo era possuidor. Os perigos por que passaram para subtrair o anel às mãos cobiçosas dos inimigos, os trabalhos em que se viram envolvidos para conseguir o seu intento culminaram com a fuga e o desaparecimento de Frodo e a dispersão dos seus companheiros.
Esta segunda parte, As Duas Torres, conta o que aconteceu a cada um dos membros da Irmandade do Anel, depois de o grupo se ter desfeito e até ao advento da Grande Escuridão e à eclosão da Guerra do Anel, que será contada na terceira e última parte.
As Duas Torres é o segundo volume da trilogia O Senhor dos Anéis, em que se integram também A Irmandade do Anel e O Regresso do Rei.
Opinião
Nasceu em Bloemfontein, no Estado Livre de Orange, na África
do Sul a 3 de Janeiro de 1892 mas ficou conhecido como uma das personalidades
britânicas mais famosas de sempre. Veio para Inglaterra e perdeu ambos os pais
cedo, tendo sido criado por um padre jesuíta que, juntamente com a sua mãe foi
a influência religiosa de Tolkien e como um segundo pai para o autor. Casou com
o amor da sua vida Edith Bratt em 1916, oito anos depois de a ter conhecido e
no ano em que partiu para participar na I Guerra Mundial, da qual regressaria
em 1918. Pai de quatro filhos, dos quais dois ainda estão vivos, foi um pai
dedicado e foi para eles que escreveu as suas obras e criou todo o imaginário
da Terra Média.
Publicados em 1954 os dois primeiros volumes da trilogia,
dezassete anos depois da primeira edição do Hobbit,
rapidamente se tornou claro que, dissesse a crítica o que dissesse, o mundo
imaginado por Tolkien viera para ficar, principalmente quando as edições pirateadas
chegaram aos universitários americanos na década de 60. Hoje, esta é a obra de
culto de qualquer amante da literatura fantástica e ainda é um dos livros mais
importantes da literatura mundial.
Depois de ter cedido finalmente a ler o primeiro volume de O Senhor dos Anéis e de ter percebido o
que tinha andado a perder durante todos estes anos “de escuridão”, estava na
altura de regressar à Terra Média em As
Duas Torres e de continuar as aventuras dos nossos amigos. Desmembrada a Irmandade
do Anel, seguimos cada um dos grupos por várias etapas, novos caminhos e
conhecemos novas personagens e lendas deste mundo fantástico, desde os Ents, os
Rohirrim, Gollum ou Faromir, por entre florestas antigas, fortalezas lendárias
e caminhos tenebrosos.
Entrar no mundo de Tolkien, seja a primeira ou a segunda
vez, é sempre uma experiência única que se adensa de cada vez que lemos mais
uma página, sendo difícil largarmos o livro quando pegámos nele. Cada capítulo
é uma nova descoberta, recheada de momentos de uma coragem infindável contra um
terror que cresce e um fim que pode bem terminar mal para todos. Se o primeiro
volume é denso em informação e lento em acção, este prima por uma narrativa que
nunca para, contrabalançando melhor a informação com a acção. Ao termos três grupos
em cenários distintos que, ora se juntam, ora se separam, cada um com a sua
missão e novos companheiros, é normal que a leitura se torna mais vívida e
acesa pois se na Irmandade do Anel o grupo
estava todo junto numa corrida contra o tempo, aqui temos batalhas acesas,
revoltas, inimigos desconhecidos, temores horripilantes e descobertas que podem
alterar a missão dos companheiros enquanto seguem separados os seus próprios
caminhos.
A diversidade de personagens e cenários tornam a leitura
muito mais inebriante e viciante pois a necessidade de saber o que aconteceu a
cada um deles é primária e o leitor não consegue largar o livro até saber mais e
mais, e a quantidade de informação é dada de uma forma mais contida, o que leva
a que este livro seja mais “fácil” de ler para quem achou o primeiro mais
denso. Recheado de momentos de perfeito humor protagonizados pelas duas duplas
de peso, Gimli e Legolas, Pippin e Merry, que vos vão colocar a rir as
gargalhadas e de momentos de puro terror no covil de Shelob, é notário seja em
que situação for a mestria da escrita de Tolkien, o seu jeito para transpor para
lá das palavras emoções tão fortes que são capazes de sufocar o leitor que se
perde na leitura destes momentos contados de forma tão soberba quanto lírica.
O poder da imaginação do autor está por todo o lado, desde
as canções às lendas, das personagens aos cenários, em cada rumo que os nossos
heróis tomam, deleitando o leitor em cada palavra. Talvez um livro mais negro
que o anterior, pois o mal de Mordor torna-se cada vez mais papável em cada
expressão ou nos sentimentos das personagens. Momentos há em que sentimos o
desespero, o terror e a força de vontade a combatê-los, mesmo que pareça uma
causa perdida.
Aquele que é, provavelmente, um dos momentos mais aguardados
por mim neste livro, era o aparecimento de Gollum, personagem que penso terá
marcado qualquer um que viu os filmes e estes não fizeram jus ao que este nos
faz sentir com a sua presença. Desde uma pena extrema ao mais degradante nojo,
da fúria até um certo carinho, é óbvio que a pobre criatura que se terá chamado
Sméagol é, provavelmente, das personagens mais bem conseguidas da trilogia e
das mais emblemáticas. O que Tolkien conseguiu colocar na sua essência não é
para qualquer autor e está para nascer personagem que consiga causar o impacto
que esta consegue.
Terminado num momento crucial, sei que não demorarei muito a
regressar a este mundo que descobri tão recentemente e que devo por força da
avidez arranjar os restantes livros num tempo próximo pois nunca é tarde mais
para descobrir esta obra-prima que é O
Senhor dos Anéis.
7*
As minhas opiniões da trilogia:
A Irmandade do Anel

Ois,
ResponderEliminarBem estás empolgada, já tinha referido que achei a escrita do Tolken maçuda, mas na altura que li não tinha a experiência que tenho atualmente, quem sabe não venha a reler pelo menos a trilogia.
Muito bem ;)
Olá!
ResponderEliminarEstou bastante =D Acho que deves dar uma segunda oportunidade, eu também dei e não me arrependi =)