domingo, 21 de outubro de 2012

Opinião - O Rei do Inverno

Título Original: The Winter King (#1 O Senhor da Guerra)
Autor: Bernard Cornwell
Editora: Planeta Editora
Número de Páginas: 440

Sinopse
 O REI DO INVERNO conta a mais fiel história de Artur, sem os exageros míticos de outras publicações. A partir de fatos, este romance genial retrata o maior de todos os heróis como um poderoso guerreiro britânico, que luta contra os saxões para manter unida a Britânia, no século V, após a saída dos romanos. "O livro traz religião, política, traição, tudo o que mais me interessa," explica Cornwell, que usa a voz ficcional do soldado raso Derfel para ilustrar a vida de Artur. O valoroso soldado cresce dentro do exército do rei e dentro da narrativa de Corwell até se tornar o melhor amigo e conselheiro de Artur na paz e na guerra.

Opinião 
 Bernard Cornwell nasceu em 1944, filho de uma enfermeira inglesa e de um aviador canadiano, foi adoptado por uma família pertencente aos Peculiar People, um grupo de protestantes que aboliram todo o tipo de frivolidades e medicina. Criado no Essex, Bernard foi enviado para o Monkton Comb School e depois entrou para a Universidade de Londres, deixou de ter contacto com as pessoas que o criaram e adoptou o nome do meio da mãe, Cornwell.

Trabalhou como professor, na BBC’s Nationwide e foi editor da Thames News. Tentou alistar-se no exército britânico três vezes sem sucesso devido ao grau elevado da sua miopia. Quando casou com uma americana em 1980 foi viver para os Estados Unidos da América e começou a escrever livros, tendo sido a sua maior influência o escritor C.S. Forrester, cujos livros lia em criança. A série Sharpe começou em 1981 e após estarem oito livros publicados a série foi adapatada na televisão com Sean Bean no papel de Sharpe. Apesar de todas as séries que escreveu foi esta e a do Senhor da Guerra que lhe deram o reconhecimento.
Quando ouço falar em Cornwell, ouço falar numa série de livros que ficou conhecida pela sua qualidade histórica em relação ao ciclo arturiano e que muitos elogiam sem cessar. Apesar de não ter muita sorte com os livros sobre o género, quando o ano passado estudei o tema decidi que era desta que iria ler a famosa trilogia, nem que fosse para ficar a conhecer uma versão mais realista sobre a personagem que a literatura ocidental não abandona desde há séculos.
O relato de Cornwell é preenchido por uma escrita crua, realista e o mais verídica possível com a época em que situa o seu livro, não falo em historicamente bem feito porque o autor baseia-se numa das muitas teorias existentes sobre o Artur histórico, não lendário. Sendo a mais provável, estamos perante uma narrativa que foge do imaginário, da feitiçaria e da lenda, em que muitos poderão não reconhecer tudo aquilo que ouviram falar sobre este leque de personagens em que se basearam tantas outras da literatura ocidental mas onde poderão sentir-se satisfeitos por conhecer uma vertente mais realista da história.
Situado no século V d.C. o Rei do Inverno fala-nos sobre os vários reinos e territórios bretões, em guerra entre eles, com os saxões e já longe da influência romana que espreita de tempos a tempos, fala-nos de uma batalha religiosa onde cristãos lutam contra as raízes celtas, onde bispos tentam combater a força dos druidas. Uma guerra em momento de mudança, entre o antigo e o novo, este é um livro de guerra, de atrocidades, de forças humanas em batalha sobre a égide de chefes e deuses, em que tudo passa e nada termina. Neste aspecto histórico, o livro está bem conseguido e apresenta coerência a chamada Idade das Trevas da Grã-Bretanha, de que pouco ou nada se conhece e onde podemos encontrar várias ligações, teorias e factos desta época obscura.
Apesar de me ter sentido satisfeita neste prisma, tenho de confessar que não me vão ver a ler Cornwell pelos próximos tempos, o que deve deixar quem me conhece um pouco pasmados. A verdade é que coerência histórica não chega para adorarmos um livro e eu senti-me longe desta narrativa ao longo da leitura. A forma como o autor expõe a história deixou-me insatisfeita pois senti-me longe das personagens principais do livro e não consegui criar ligação com o narrador, mesmo sendo uma das melhores personagens do livro. Estando longe da lenda, penso que devia existir uma maior proximidade então com o grandes protagonistas e não com uma personagem que não me disse nada.
O meu problema com o livro foi a falta de ligação às personagens, não tendo simpatizando com nenhuma em especial, tendo ficado com a sensação de que não fiquei a conhecer as pessoas por trás da lenda mas uma versão dura, cruel e demasiado distante pois não consegui fazer a ponta entre a personagem lendária e a provavelmente histórica. A ajudar, as personagens que mais queremos ver, só se dão a conhecer a meio ou mais para o fim do livro e quando finalmente aparecem não correspondem as expectativas e, por isso, fiquei com um grande ar de desilusão. Queria mais daquelas personagens, muito mais. O Artur, Senhor da Guerra, não tem a presença poderosa que esperamos, Morgana praticamente nem se vê e desaparece a dada altura, Merlim aparece no fim, e desculpem a expressão, é intragável e quanto a Lancelot, não comento. A única personagem que gostei de ver longe da donzela dedicada e doce foi Guinevere mas que está longe de ser simpática.
Já as descrições são brilhantes mas lá está, a maior parte da acção está afastada do centro da narrativa e só queria andar para a frente para ver o que se passava com as outras personagens. Aquela que foi para mim a parte interessante foi a perspectiva entre aquele que conheceu Artur contra a perspectiva já lendária de Artur, as opiniões divergentes, a influência do conto oral, a vontade de criar um herói perfeito que, na realidade, não o era assim tanto. Tinha as expectativas demasiado elevadas e não foi o que esperava, para grande tristeza minha.
Cornwell é um contador de histórias que não está aqui para romancear mas sente-se o seu cunho pessoal, a sua visão de uma lenda que irá perseguir a Ocidentalidade por muitos e muitos séculos e a sua coragem em contar a sua versão da história a que ser elogiada.
Para quem gosta do ciclo arturiano, da parte mais bélica e espera uma versão longe de magia, e incredulidade, aconselho o livro mas atento que não se pode falar em versão histórica mas em uma das teorias da suposta existência de Artur. Para quem quiser situar-se melhor, aconselho Artur, Rei dos Bretões de Daniel Mersey para ficarem a conhecer todas as vertentes, hipóteses, teorias e curiosidades.

4*

4 comentários:

  1. Gostei, Homónima, não do livro mas da opinião. Está «soft» mas nota-se bem o que não te agradou e o porquê. Como sabes, não sou muito dada a Artur mas, seja como for, penso que prefiro igualmente a lenda à suposta ou possível realidade. =)

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  2. Obrigada Homónima ;) Esse é que era o objectivo e ainda bem que consegui =)

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  3. olá,

    Bem como já te tinha referido deixaste-me de pé atrás, seja como for ainda vou tentar ler pois dizem ser a melhor obra do Cornwell.

    BJ

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  4. Olá!

    Acho que fazes bem, até porque já te expliquei que a minha esquisitice tem a ver com o facto de já ter estudado isto lool

    bjs

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