domingo, 11 de novembro de 2012

Opinião - A Outra Rainha

Título Original: The Other Queen (#6 Tudors)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora

Número de Páginas: 475

Sinopse
 Um romance dramático de paixão, política e traição, da autora de Duas Irmãs, Um Rei. Com a sua característica combinação de magnífica narrativa com um contexto histórico autêntico, Philippa Gregory dá vida a esta época de grandes mudanças, numa fascinante história de traição, lealdade, política e paixão.

Maria Stuart, Rainha dos Escoceses, está em prisão domiciliária em casa de Bess de Hardwick, recém-casada com o Conde de Shrewsbury, mas continua a lutar para recuperar o seu reino.
Maria é Rainha da Escócia mas foi forçada a abandonar o seu país e a refugiar-se na Inglaterra, governada pela sua prima Isabel. Nesta época, a Inglaterra é um país com um protestantismo mal alicerçado, pressionado pelo poder da Espanha, da França e de Roma, e a presença de uma carismática governante católica pode ser perigosa. Cecil, o conselheiro-mor da Rainha Isabel, concebe então um plano para que Maria viva enclausurada com a sua cúmplice, Bess de Hardwick. Bess é uma mulher empreendedora, uma sobrevivente perspicaz, recém-casada com o Conde de Shrewsbury (o seu quarto marido). Mas que casamento resiste aos encantos de Maria? Ou à ameaça de rebelião que a acompanha a todo o momento? No seu cativeiro privilegiado, Maria tem de aguardar pelo regresso à Escócia e pelo reencontro com o seu filho. Mas esperar não significa nada fazer!


Opinião
 Philippa Gregory é um dos nomes de respeito quando se fala em ficção histórica, visto que os seus livros têm conquistado fãs por todo o mundo e fazem parte da lista de bestsellers do New York Times. Historiadora e escritora, a sua paixão pelo período Tudor resultou em Duas Irmãs e um Rei, um livro que alcançou um sucesso tal que levou Hollywood a comprar os seus direitos e a realizar um filme com o mesmo nome com Eric Bana, Natalie Portman e Scarlett Johnson como protagonistas. A partir daí, Gregory escreveu outros livros sobre a dinastia dos Tudors, seis no total, e tem tido um enorme sucesso com a sua série da Guerra das Rosas que já vai no terceiro livro.

A Outra Rainha faz parte da série dos Tudors mas ao contrário dos restantes não incide sobre uma Tudor mas antes sobre uma Stuart, sobrinha-neta de Henrique VIII, rainha da Escócia, da França e, para alguns, da Inglaterra. Maria foi a grande rival de Isabel na luta pelo trono inglês, entre católicos e protestantes, entre independência e tradição. Enquanto Isabel estava sozinha no mundo, Maria era a predilecta de espanhóis, franceses e do Papa e foi criada para ser a rainha mais poderosa alguma vez vista, a grande senhora da Europa católica mas nada correu como a Rainha dos Escoceses planeou e um destino que estava escrito nas estrelas foi estilhaçado pela força de uma ruiva que ficou conhecida com a maior monarca do seu tempo.
Este era o livro que eu mais queria ler de Gregory pois a história trágica que rodeia Maria Stuart, a maior rival de uma das minhas personagens históricas preferidas, foi na História, símbolo de mudança, de um novo mundo e da queda das maiores casas reais europeias, sendo ela a personificação do poder régio antigo e da derrota do mundo perante a Rainha Virgem e, por isso, devia ser um livro com uma carga emocional e de tensão muito grande, pois estamos a falar de uma época de grandes conflitos e desentendimentos, o que realmente, o livro apresenta, apesar de ser uma leitura com muitos momentos mortos e que por várias vezes, não consegue segurar a atenção do leitor.
Aquilo que me custou mais neste livro foi o facto de ter três narradores que, supostamente, deviam representar cada um uma facção diferente mas que a determinada altura parecem ser bastante controversos, pois ora dizem uma coisa mas fazem outra diferente, ora se amam, ora se odeiam, confundido um pouco o leitor. Apesar de gostar da personagem de Bess, gostava que o livro tivesse sido contado só da perspectiva de Maria pois a leitura não teria sido tão confusa e o livro seria mesmo e apenas sobre esta trágica personagem. Mesmo com três narradores, há muitos momentos da acção que passam em aberto e que nem um ou outro explicam, passando ao lado do leitor ou a acção repete-se pelos três narradores, tornando-se repetitiva. Acho, por isso, que devia ter havido uma maior organização da narração que teria facilitado a leitura do livro.
Quanto às personagens, como já vem sendo hábito, a autora não está aqui para romancear ou aperfeiçoar as personalidades históricas, mantendo-as fiéis a forma como passaram para a História. Tal como acontece em A Rainha Vermelha, esta não é uma protagonista para se gostar facilmente pois apesar de a História a ter passado como uma princesa de conto de fadas, Maria era arrogante, vaidosa, falsa e totalmente dependente da atracção que exercia pelos homens, o que autora demonstra na perfeição. A personagem que nos salta mais a vista é Bess, uma mulher já virada para a nova visão do mundo, humanista e banqueira, e que vai ser o elo e um símbolo da corte isabelina, sendo ela própria um retrato das qualidades e defeitos desta corte.
Apesar dos três narradores serem as personagens mais presentes, a história faz-se muito da presença inconsciente de algumas personagens que conseguem assim monopolizar as atenções das personagens principais e da acção à sua volta. Não sendo fã da retratação da rainha Isabel feita por Gregory, algumas das cenas mais bem conseguidas são com ela, sendo que uma delas demonstra bem o pes de ser uma mulher no trono com uma religião diferente quando todo o mundo está contra ela.
Como sempre, a escritora mantém-se fiel ao retrato da época e demonstra um extremo cuidado com os pormenores históricos, apesar do seu palpável favoritismo pessoal por certas personagens em relação a outras o que pode dificultar a leitura do leitor. Confesso que me sinto algo desiludida com este livro e esperava muito mais desta autora. Penso que a história desta rainha podia ter sido escrita e vista de outra maneira e que mesmo com o cuidado histórico que esta autora tem, ela tende muito a escrever por uma perspectiva pessoal que pode entrar em conflito com a do leitor como aconteceu comigo com o retrato algo degradante da rainha Isabel que a autora faz tanto neste como noutro livro.
Para quem gosta de romances históricos aconselho muito mais a série da Guerra das Rosas que é, para mim, a melhor de Philippa até agora. Para quem gosta da história da Inglaterra e tem curiosidade sobre esta personagem, penso que se quiser ler o livro deve fazê-lo mas sem expectativas muito altas.


2*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

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