terça-feira, 31 de julho de 2012

Teaser Tuesday (32)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"Mas o encantamento que o possuía agora era diferente: o deleite seria menos vivo e exaltado, mas era mais profundo e mais próximo do coração mortal, maravilhoso e ao mesmo tempo natural." 
p.152, A Irmandade do Anel, J.R.R. Tolkien

 
Rubrica original do blog Should Be Reading

Aquisições *Julho*

Eu prometi a mim mesma controlar-me este mês porque a pilha de livros por ler está enorme e já não sei para onde me virar e tenho de manter nas prioridades algum deles pelo seu tamanho e densidade já que estou de férias e tenho mais tempo livre, blá, blá, blá,blá,....

Acho que devia ser proibida de estar perto de uma livraria. Ponto. Não, não me controlei, chegaram mais, ah... 20 novos livros a casa...pois, são alguns mas a maior parte foi de trocas juro! A sério!
Quer dizer, comprei metade deles... mas uns estavam a preço muito simpático, aproveitei promoções, fui poupadinha, a minha maior asneira foi só um livrinho mas oh, é tão lindo *.* (e está nas prioridades!)

Bem, aqui está a desgraça...

Trocas


Maria Antonieta - O Escândalo do Prazer, Claude Dufresne
O Crepúsculo dos Elfos, Jean-Louis Fetjaine


Ferney, James Long
As Horas Distantes, Kate Morton
 

Anne Rice
A Entrevista com o Vampiro Opinião
A Rainha dos Malditos 


O Olho do Mundo, Robert Jordan
 

O Rei do Inverno, Bernard Cornwell
A Queda da Atlântida, Marion Zimmer Bradley
  

O Véu Pintado, W. Somerset Maugham
Estranha Sedução, Ian McEwan


Compras


A Rainha Predilecta, Carolly Erickson
As Cinquenta Sombras de Grey, E. L. James
 

Anna Karénina, Lev Tolstoi
 

A Sereia, Carolyn Turgeon
Raptada, Lauren DeStefano
 

Wuthering Heights, Emily Brönte
The Secret Garden, Frances Hudgson Burnett
Tess of D'Ubervilles, Thomas Hardy
Pride and Prejudice, Jane Austen
 
 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Opinião - No Reino de Glome (Até Termos Rostos)

Título Original: Till We Have Faces
Autor: C.S. Lewis
Editora: Cavalo de Ferro
Número de Páginas: 256

Sinopse
 «Agora já estou velha e não temo a fúria dos deuses… irei escrever neste livro tudo aquilo que uma pessoa que é feliz não se atreveria a escrever. Vou acusar os deuses, especialmente o deus da Montanha cinzenta. Vou contar tudo o que ele me fez, como se estivesse a apresentar a minha acusação perante um juíz. Eu sou Orual, a filha mais velha de Trom, rei de Glome.»

O Reino de Glome, situado nas montanhas da fronteira com a antiga Grécia, é um reino bárbaro que pratica um culto obscuro à cruel deusa do amor, Ungit, e ao seu filho, o deus da montanha, a que os gregos chamam Afrodite e Cupido. Quando Trom, o rei, casa novamente e dessa relação nasce Psique, a sua irmã mais velha, a princesa Orual, está longe de imaginar que esse nascimento irá modificar a sua vida e o curso da história.

Psique é de uma beleza inigualável, tão bela que o povo se esquece do culto a Ungit. A cruel deusa exige que a princesa seja oferecida em sacrifício ao deus da montanha e os acontecimentos precipitam-se…

Opinião 
 Amigo chegado de Tolkien, C.S. Lewis partilhou com ele experiências universitárias em Cambridge, fizeram parte de um grupo literário conhecido como Inklings onde eram as principais personalidades e o título dos maiores escritores do fantástico do século XX, lugar que ainda mantém na actualidade.
Conhecido pela sua série As Crónicas de Nárnia, leitura ainda hoje obrigatória para qualquer amante da fantasia ou para quem se queira iniciar no género, recentemente re-adaptada ao cinema, C.S. Lewis foi o primeiro professor de literatura medieval e renascentista da Universidade de Cambridge, tendo-se dedicado a escrita dos mais variados géneros, desde literatura medieval a crítico literário, ao estudo da apologética cristã à fantasia.
No entanto, muitos desconhecem que a grande obra deste autor não é a série que muitos leram e releram mas um pequeno livro praticamente desconhecido, No Reino de Glome, que podem encontrar perdido nas livrarias ao módico preço de €3. Escrito devido à insatisfação do autor em relação ao conto de Eros (Cupido) e Psique, é uma reinterpretação desta história que terá sido a origem do conto de Charles Perrault, A Bela e o Monstro.
Foi enquanto leitora e estudante de tragédias e contos gregos que peguei neste livro, visto que nunca fui uma apaixonada das Crónicas de Nárnia, e foi com um encanto crescente que li cada página deste pequeno maravilhoso livro que me confirmou o génio literário de Lewis, que conseguiu dar vida a uma história com milhares de anos e reinterpretá-la para a contemporaneidade sem macular o estilo clássico inerente ao conto.
Usando Apuleio enquanto fonte, o autor não se dedicou a história de Eros e Psique, antes inseriu-a num reino desconhecido e na vida e reinado de uma das irmãs de Psique, sendo a história dela que nos é contada, onde percorreu-mos a forma como a história de amor influenciou a vida desta irmã, princesa e depois rainha, criando uma espécie de tragédia grega na fantasia.
O facto de C. S. Lewis ter respeitado e mantido o estilo greco-romano do conto, de ter incluído com tal mestria as características da tragédia e, mesmo assim, ter conseguido dar-lhe o seu toque e estilo mostram o quão bom escritor este irlandês era pois não se trata de uma cópia mas adaptação soberba onde as questões do seu tempo se sobrepõe nesta mistura do clássico com a fantasia na sua forma mais genuína pois os gregos foram não os pioneiros mas os grandes mestres desta mistura do maravilhoso com a história.
Neste livro fica demonstrado o quão actual os mitos e contos clássicos podem ser mas também a criatividade de um escritor e o respeito de um professor de literatura pelas suas diversas formas, já que alterar um pequeno pormenor do conto, Lewis conseguiu tornar esta história somente sua, podendo fazer com ela o que quisesse e criar toda uma nova história em seu redor. Ao longo de páginas sentimo-nos deliciados pela sua capacidade de compreender a alma humana, a essência das acções do homem e a forma como o destino pode ou não ser alterado, dando-nos uma leitura cheia das mais cruas emoções inerentes à humanidade.
Ao adaptar os cultos de Vénus à deusa de Glome, apresentando a forma mais cruel e desconhecida da divindade, a parte oriental desta deusa tão pouca grega na sua essência, o autor demonstra conhecimento e perícia, pois é difícil reconhecer nela a deusa do amor da Ilíada ou da Eneida e, assim, conseguiu torna-la também sua e moldou-a de forma a construir esta história de uma forma menos divinizada.
Os diálogos e personagens fogem daqueles que ele nos habitou em Nárnia, pois mesmo personalizando-os ao seu gosto, manteve os ideais da narrativa clássica, o que permitiu o florescimento do espírito da história. Ao contrário da outra série, esta é uma história mais obscura, mais dura, mais crua, mais directa ao leitor. As personagens representam as fraquezas humanas, o anseio pelo poder, o amor e o ódio aos deuses, não são bonitas nem doces, à excepção de Psique, tanto física como psicologicamente são do pior e mais grotesco que o homem pode ser até ao seu juízo final.
Por último, tenho de referir a parte final do livro, tão clássica e cristã ao mesmo tempo, demonstrando mais uma vez que o autor deu tudo de si nesta livro juntado os seus estudos aos seus credos num tribunal em que ambas as influências se notam de forma brilhante.
O autor ganhou a minha estima com este livro e aconselho tanto a fãs como aos leitores que como eu não tiveram um carinho tão especial pela sdua outra obra, àqueles que estudaram ou gostam de literatura clássica que procurem este livro e o leiam porque é uma surpresa bastante agradável.

 7*

sábado, 28 de julho de 2012

Opinião - Prazeres Inconfessos

Título Original: Guilty Pleasures (#1 Anita Blake, Vampire Hunter)
Autor: Laurell K. Hamilton
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 368

Sinopse
 O que fazer quando o monstro que jurámos matar se converte no homem sem o qual não podemos viver?


Monica Vespucci usava um crachá que dizia "Os Vampiros também são Pessoas". Não era um início de noite prometedor. Tinha cabelo curto, habilmente cortado, e uma maquilhagem perfeita. O crachá devia ter-me alertado para o tipo de despedida de solteira que planeara. Há dias em que sou demasiado lenta a perceber as coisas. "Eu usava jeans negros, botas até ao joelho e uma blusa carmesim, de mangas compridas, para esconder a bainha da faca que trazia no pulso direito, e as cicatrizes no meu braço esquerdo. Deixara a minha arma na mala do carro, pois não achava que a despedida de solteira se pudesse descontrolar por aí além…"

Opinião 
A série de livros Anita Blake, Vampire Hunter já conta com dezasseis volumes e uma adaptação à banda desenhada. Traduzida em 16 línguas, já vendeu mais de 6 milhões de cópias, estando agora traduzida no nosso país, onde se aguarda a publicação do terceiro volume.
A par da outra série da autora, Merry Gentry, também traduzida por cá, garantiu a autora um lugar na lista de bestselling do New York Times e, graças, ao estilo que caracteriza Laurell K. Hamilton, onde magia, horror, sexo e poder são os ingredientes principais tem conquistado fãs nas massas de leitores que preferem vampiros, entre outros seres sobrenaturais, assustadores, reais e completamente diferentes daqueles que Stephanie Meyer popularizou com Crepúsculo.
Depois de ter lido o primeiro volume da outra série da autora, e de ter adorado cada parágrafo, foi com bastante entusiasmo que me inscrevi neste livro no Clube BlogRing, pois esperava gostar tanto deste como de O Beijo das Sombras. Apesar de as histórias serem diferentes, este livro prometia a mesma leitura viciante com uma protagonista forte num mundo obscuro cheio de pecados onde a morte pode ser uma prenda.
E realmente não estava enganada acerca disso pois Prazeres Inconfessos tem todos esses ingredientes, o que levou então a que fosse uma leitura menos gratificante? Não foi de certeza culpa da Anita. Está comprovado que a autora é especialista em protagonistas femininas fortes e fora do comum que não deixam de apresentar as suas fragilidades e que podem amar tanto quanto odeiam e, até ter medos incontornáveis.
Apesar deste livro ter menos personagens e menos variedade de seres sobrenaturais não deixam de ser personagens complexas, irónicas, divertidas e extremamente assustadoras, que tanto podem ser amigas ou inimigas, sendo que nestas últimas, Laurell tem um talento especial porque apesar de os seus vilões serem fisicamente atractivos ela consegue transmitir a maldade, o horror e a crueldade dessas personagens de uma forma crua e real que nos faz sentir o medo a léguas.
Se as personagens me encheram as medidas, o que foi então que me levou a gostar menos deste livro? Talvez a história. Com momentos de grande adrenalina, puro horror e outros onde a sedução pairava no ar, teve também os seus momentos mais parados, onde a grande falha foi uma história que podia ter sido mais desenvolvida e melhor explicada onde faltou uns quantos factores para colocar esta narrativa a par da outra. Se a autora nos consegue surpreender com o final e alguns momentos, a verdade é que a história nunca me prendeu realmente. Podia dizer-se que a culpa foi do factor sexual que no livro de Merry Gentry faz parte da sua essência e neste é apenas uma brisa no ar, o que achei estranho depois dos comentários que já tinha lido sobre a série mas que realmente não fez falta, pois o livro não precisa disso para agarrar os leitores. O que foi então que falhou relamente?
A culpa será maioritariamente da editora e não do livro ou da autora, infelizmente, e começa pela pequena frase que aparece na capa ou na contracapa que sugere um romance entre a Anita e um vampiro, o que eu não vi em lado nenhum, e que pode irritar qualquer leitor por ser enganado desta maneira, para que falar nisso se neste livro isso não acontece?
Mas a falha real que não me deixou entrar na história e me fez andar à deriva foi a tradução, o que é uma coisa que os seguidores do blogue sabem, que eu não ligo muito mas neste caso, a má tradução é tão flagrante que tenho de a referir. Desde frases sem nexo, a palavras sem sentido, à troca de géneros e expressões mal colocadas, ler este livro foi atiçar-me os nervos até ao ponto de ruptura e a sorte que foi o livro não era meu. Há que haver respeito pelos leitores, que pagam caro os livros para ainda serem granjeados com estas simpatias.
Se não tivesse sido este factor, este livro podia ter sido outra coisa e uma leitura melhor do que a que foi. Espero que o segundo volume não esteja no mesmo estado pois esta autora merece respeito e tenho muita pena de não ter gostado deste livro como podia ter feito.

 3*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

O Chaise Longue está no Clube BlogRing

A maior parte de vocês que anda na blogosfera já deve ter ouvido falar ou devem mesmo fazer parte do Clube BlogRing, uma iniciativa da Tinkerbell do My Imaginarium.

O objectivo, a partilha do gosto pela leitura e pelo blogger, através do empréstimo de livros que circulam pelas pessoas interessadas até regressar a casa, tem sido conseguido de uma forma fantástica, visto que o Clube já conta com vários membros.

Tendo já grupo no Goodreads, consiste na leitura e partilha das opiniões geradas pelos bloggers e não bloggers que fazem parte desta grande família.

O ChaiseLongue já se estreou nalgumas dessas leituras, cujas opiniões iram ser publicadas ao longo da semana e que vão ter uma pequena diferença das restantes. 
A cotação aqui no blogue vai de 1 a 7 mas de forma a facilitar a vida dos membros os livros do BlogRing estão a ser cotados de 1 a 5, como acontece no Goodreads, e assim irá acontecer na presente opinião do blogue, por isso não estranhem que estes livros não passem do 5.

As opiniões serão publicadas aqui e no Goodreas como de costume mas também no My Imaginarium, no link que está acima e no blogue próprio do Clube  http://clubedeleiturablogring.blogspot.pt/.

Uma das coisas que irão reparar nestas leituras é que serão um bocado diferentes das que eu normalmente leio e a principal razão porque o ChaiseLongue faz parte desta iniciativa.


Se ainda não fazem parte e estão interessados visitem os links acima e experimentem!


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Picture Puzzle #20


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues:Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas:título em inglês; YA

Puzzle #2

 Pistas:título em inglês; Fantasia

terça-feira, 24 de julho de 2012

Teaser Tuesday (31)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"Os raios avermelhados do entardecer penetraram por entre as palhas do tecto da cabana e despertaram-me. Sentia fome"
p. 5o, A Rainha sem Nome, María Gudín 

Rubrica original do blog Should Be Reading

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Opinião - A Senda Sombria

Título Original: The Darkest Road (#3 A Tapeçaria de Fionavar)
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Livros do Brasil
Número de Páginas: 420

Sinopse
 "Depois, há um ano, o Anão que jazia agora ao lado dela chegara a Paras Derval com notícias de um grande mal que tinha sido feito: Kaen e Blod, incapazes de encontrar o Caldeirão sozinhos, e quase enlouquecidos por quarenta anos de fracasso, tinham forjado uma aliança terrível. Com a ajuda de Metran, o mago traiçoeiro, tinham finalmente descoberto o Caldeirão dos Gigantes e pago o preço por isso. Fora um preço duplo: os Anões tinham quebrado a pedra-vigia de Eridu, cortando assim o elo entre as cinco pedras, e entregue o Caldeirão nas mãos do seu novo amo, aquele cuja prisão debaixo de Rangat devia ser garantida pelas pedras-vigia Rakoth Maugrim, o Desafiador. Tudo isto ela já sabia. Sabia também que Metran usara o Caldeirão para criar o Inverno assassino que terminara há cinco manhãs, depois da noite em que Kevin Laine se sacrificara para lhe pôr fim. O que não sabia era o que acontecera desde então. Aquilo que lia agora no rosto de Faebur e o ouvia contar, sentindo as imagens como chicotadas na alma. A chuva da morte de Eridu." Assim tem início A Senda Sombria, a terceira e última parte da célebre trilogia de Guy Gavriel Kay. Que destino aguardará Kim, Kevin, Paul, Jennifer e Dave no termo desta extraordinária aventura? Que descobrirá cada um deles a respeito de si mesmo ao longo dos muitos momentos dolorosos da sua iniciação? O leitor, em qualquer caso, terá aqui a revelação de um grande escritor e de uma das obras-primas da fantasia contemporânea.

Opinião 
 Último volume da Tapeçaria de Fionavar, este é o livro onde culmina a viagem de cinco jovens por um mundo paralelo, recheado de magia e seres inimagináveis, onde as lendas ganham vida e os mitos caminham ao nosso lado para a derradeira batalha contra o Mal, num cenário épico que habitou o imaginário de gerações de leitores.
Fantasia em estado bruto, sonhos no seu estado mais puro, é o que podemos encontrar nesta trilogia que após tantos anos ainda conquista fãs pelo mundo afora através de heróis de espadas, deuses e feiticeiros numa aventura à moda antiga mas que não perde qualidade, antes aumenta conforme nos aproximámos do fim. Naquela que poderá ser uma das minhas leituras descoberta do ano, descobri um autor e uma história que marcarão para sempre a minha visão deste género literário. Fã como sou das histórias intricadas, das voltas e reviravoltas, do desconhecido e das surpresas mais marcantes, dos mundos construídos ao pormenor, nunca pensei gostar tanto de uma obra tão simples e linear com esta é mas a verdade é que Guy Gavriel Kay é um mestre em unir elementos improváveis através de uma escrita fluída e magistral onde o timing nos corta a respiração.
Sendo o fim da trilogia, A Senda Sombria marca pelos momentos emotivos que se vivem ao longo das suas páginas, onde tudo pode acontecer e sofremos até a última linha para sabermos os destinos de todas as personagens que nos acompanharam ao longo destas páginas. Para mim, este é o livro mais forte da trilogia e acaba de uma forma tão soberba, sem ser perfeita, que satisfaz qualquer leitor que não se contente só com um “viveram felizes para sempre”. Tal como Martin, Kay não tem medo de seguir as linhas da história e se isso significar a morte, a perda ou o sofrimento, ele não se desvia do caminho. Cada acto é pensado para levar a outro, cada simples palavra ou decisão podem condenar ou levar à glória.
Por trás da simplicidade desta história, existem emoções fortes, momentos de uma beleza tão singular que só este tipo de escrita nos pode dar. Como final, este livro é perfeito. Se nos livros anteriores a qualidade da história vai melhorando, neste atinge o seu expoente máximo, em cenas épicas deslumbrantes que se desenrolam de forma natural e onde as emoções são levadas ao rubro.
Não sendo um escritor muito descritivo, Kay usa as sensações e os sentimentos para ligar o leitor à história através das suas personagens. Se a Tapeçaria de Fionavar é, no seu todo, rudimentar, as suas personagens já não o são. Complexas, vão crescendo de livro para livro, atingindo, a maior parte delas, o seu objectivo nesta recta final. Cada uma delas é diferente, cada uma tem o seu próprio destino. São únicas, insubstituíveis e a falta de qualquer uma delas teria desfeito esta “tapeçaria”. É através delas que sentimos e vivemos cada aventura, pois cada uma tem uma história pessoal, o que faz com que este livro tenha uma imensidão de histórias dentro da história.
No fundo, esta trilogia não podia ter um nome mais adequado, porque o que o autor fez, foi criar uma tapeçaria delicada onde cada nó, cada fio, contam para que a tapeçaria possa ser acabada de forma perfeita. Um dos exemplos de como o estilo de Kay é único, é o facto de ele conseguir unir tantas influências, tantas lendas numa mesma história de uma maneira que faz todo o sentido, não permitindo ao leitor questionar se fica ali bem no meio ou não. O todo faz com que esta história seja fantástica, do princípio ao fim.
Para quem ainda não leu este autor e sente curiosidade com a sua outra obra, Os Leões de Al-Rassan, convidou-vos a iniciarem-se na sua escrita por esta trilogia. Para além de ficar mais em conta, estarão a ganhar a oportunidade de ler algo viciante e que ainda mantém os moldes da verdadeira fantasia.

7*

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Opinião - Wolf Hall

Título Original: Wolf Hall (#1 Wolf Hall)
Autor: Hilary Mantel
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 661

Sinopse
 Inglaterra, década de 1520. Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o papa recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que flutua entre paixões românticas e fúrias brutais.

De uma das melhores escritoras contemporâneas, Wolf Hall explora a intersecção de psicologia individual com objectivos políticos. Com uma grande variedade de personagens e uma rica sucessão de incidentes, recua na história para nos mostrar a Inglaterra dos Tudor como uma sociedade em formação, que se molda a si própria com grande paixão, sofrimento e coragem.

Opinião 
 Vencedora de inúmeros prémios, Hilary Mantel tem uma carreira com mais de 20 anos enquanto escritora, onde semeou sucessos e ganhou um lugar de respeito enquanto escritora contemporânea. Já se estreou em diversos géneros, sempre com qualidade, desde artigos a autobiografia, passando por romances históricos.
Depois de ter pisado o palco da Revolução Francesa, Mantel dedicou-se a corte Tudor, um dos assuntos preferidos dos escritores do género. Wolf Hall venceu o 2009 Man Booker Prize for Fiction, entre outros, tendo vencido 5 prémios de literatura ao todo. Um romance histórico psicológico que remete para a cena política do reinado de Henrique VIII e para a ascensão de Thomas Cromwell, no que é que este livro difere dos outros tantos que povoam as livrarias e que esmiuçam bocado a bocado dos Tudor?
Eu adoro tudo o que tenha a ver com a corte Tudor, principalmente se tiver verdadeiro conteúdo histórico, e se for daquele que a maior parte dos livros não fala. As 600 e tal páginas de Wolf Hall prometiam isso mesmo, pela visão de um dos homens mais importantes do reinado do malfadado pai de Elizabeth I, e cumpre todas as expectativas.
Numa conjuntura completa da política inglesa e da sua visão da restante Europa, podemos acompanhar todos os acontecimentos importantes da ruptura de Inglaterra com a Igreja Católica, ao crescer da economia banqueira e a forma como luteranos e calvinistas começam a tomar posição na cena religiosa e política, numa posição privilegiada onde pormenor algum é descurado e em que toda a informação e factos nos são dados de forma verosímil e realista.
A escrita de Mantel não é fácil mas é de uma qualidade de envergonhar muito bons escritores. A leitura deste livro pode ser lenta mas é com um apetite crescente que lemos cada página e mesmo conhecendo todos os acontecimentos e a forma como se deram, não conseguimos que a curiosidade nos deixe de assolar e de ler cada página como se a última. Uma obra-prima entre todos os livros que falam do assunto, este é o livro que qualquer amante da literatura ou da História deve e vai querer ler.
A autora construi as personagens de uma forma real, respeitando a personagem histórica na sua versão ficcional, sendo soberba a forma como nos apresenta a verdade e a ficção, numa conjugação única onde poucos são os erros a apontar. Dando a conhecer a história de Henrique VIII e da subida ao poder dos Bolena pela visão de um homem que tão pouco se tem falado nos romances dedicados ao tema, dá a oportunidade ao seu leitor de voltar a conhecer um dos reinados mais influentes de Inglaterra e torna esta leitura algo único, conseguindo com que esqueçamos todas as outras histórias que já lemos.
Neste livro não há bons nem maus, culpados ou inocentes, há um panorama e as decisões possíveis de tomar, correctas ou não, e a forma como cada um lidou com o seu destino e com o do país. Com um respeito magnânimo à História, este é o Santo Graal dos apaixonados pelos Tudor, pela versatilidade, por cada acção ser um conhecimento digno de ser absorvido pela nossa mente. Podemos aprender e divertir-nos a ler este livro, podemos observar cada momento com um novo olhar pois tudo o que levou a ele está justificado, possível de ser entendido. Mantel não toma lados mas dá-nos a História como ela foi da perspectiva de um homem que tudo fez para acabar a ser executado de uma forma cruel. Podemos sentir pena, raiva, ou deixar-nos levar por esta leitura viciante mas nada nos vai deixar indiferente.
Ao deixar a História correr com naturalidade, a autora garantiu um lugar no top dos bons escritores de romances históricos e penso que tudo o que venha da sua mão será uma grande obra. Um livro magnífico que me assombrou e me faz salivar pela sua continuação. Amantes da corte Tudor ou não, não deixem de ler este livro.

7*