domingo, 30 de setembro de 2012

Aquisições *SETEMBRO*

Mais um mês, mais uns livrinhos que vieram cá para casa, para meu gáudio e contentamento! Apesar de serem apenas 8 livrinhos, 3 das trocas e 5 comprados, considerado que foi um excelente mês, pois das novidades de Setembro consegui comprar todos os que queria, o que tem sido raro.
Para o que tem sido costume, notarão que vieram livrinhos de um género do qual eu já li muito mas que nos últimos tempos tem sido esquecido devido a eu ter enjoado um pouco do género, acabando por comprar autoras de que gosto mesmo e que sei que me vão proporcionar umas horas de leitura maravilhosas. 
Também não tenho comprado muita fantasia porque este ano tem sido pobre nos lançamentos dos autores que gosto: Martin é uma espera eterna, Carey foi adiada para o ano para minha infelicidade e Bishop só para os meus aninhos mas espero que no próximo mês, Robin e Briggs regressem cá a casa. Verdade seja dita, também tenho muitos cá em casa por ler.
Deixa-vos então as aquisições de uma estante que está cheia, tal como gosto *.*


Trocas

 Crepúsculo, Katherine Mosby

  Magia ao Vento, Christine Feehan
O Segredo de Cibelle, Juliet Marillier


Compras

 Peripécias do Coração, Julia Quinn
Duas Vidas, Jessica Thompson

 Rendição mais Obscura, Gena Showalter
O Primeiro Amor, Sophie McKenzie

  Rosa Selvagem, Patricia Cabot

sábado, 29 de setembro de 2012

Quem Faz Anos Hoje?

Sim, esta rubrica ainda existe! Depois de meses seguidos sem conseguir acertar com as datas, eis que hoje regresso com um aniversário muito especial: faz hoje 202 anos que um dos maiores nomes do romance vitoriano e feminino nasceu.

 Parabéns a...

Elizabeth Gaskell


Biografia
A escritora de North and South, cujo nome de solteira era Stevenson, nasceu neste dia no ano de 1810, tendo sida a oitava e última filha, uma dos dois filhos sobreviventes. Com a morte da mãe, treze meses depois do seu nascimento, Elizabeth foi entregue a sua tia, Hannah Lumb, com quem viveu até se casar. 
Entre a residência da tia e dos avós, Elizabeth passava anos sem contacto com o pai e a sua nova família, uma vez que se casou em segundas núpcias e teve mais dois filhos. Apenas o seu irmão, John, visitava-a até integrar a Marinha Marcante, tendo desaparecido em 1827 numa expedição à Índia.
Numa visita a Manchester, onde o irmão da madrasta, William John Thomson, pintou o seu famoso retrato de 1832, conheceu o seu futuro marido, William Gaskell, ministro da Cross Street Chapel e também escritor.
Elizabeth foi então viver para a Manchester, tendo sido mãe de 5 crianças, Marianne, Margaret, Florence,  Julia e William, tendo sido a morte deste último em 1845 que levou Elizabeth a escrever. 
Com a publicação do primeiro romance Mary Barton (1848) mudaram-se para Plymouth Groove (1850), onde receberam várias vistias distintas entre as quais Charles Dickens, que ajudou a elaborar contos de fantasmas num estilo mais gótico, e a amiga intíma de Elizabeth, Charlotte Brönte, da qual escreveu a primeira biografia.
A autora viria a morrer na casa onde escreveu todos os seus romances, aos 55 anos em 1865. Os seus romances tornaram-se um marco da literatura vitoriana, tendo escrito acerca dos estratos sociais mais pobres e do papel das mulheres na sociedade.


Bibliografia
1848 Mary Barton
1851/3 Cranford
1853 Ruth
1854/5 North and South
1863 Sylvia´s Lovers
1865 Wives and Daughters

Escreveu mais 9 novelas, 9 contos, dois deles com co-autoria de Charles Dickens, e a biografia de Charlotte Brönte, The Life of Charlotte Brönte (1857)


Eu e as suas obras
Infelizmente, Elizabeth Gaskell faz parte daquelas autoras que deviam mas não foram traduzidas para a nossa língua (se foi nunca encontrei uma edição). Mas como o desejo de ler a sua obra é gigantesco, comprei recentemente North and South, em inglês na edição da Harper Collins Classics, uma vez que estou a juntar o maior número de clássicos possíveis. Espero vir brevemente a ler esta obra, para puder ver então a série da BBC.  

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Opinião - Jovens Lobos

Título Original: Young Bloods (#1 Revolution)
Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 496

Sinopse
 Descubra a história que levou à invasão de Portugal por Napoleão

Esta é a história de dois gigantes da Europa: Wellington e Napoleão. Nos finais do século XVIII a Europa era um caldeirão de guerras e rebeliões um pouco por todo o lado. O jovem Arthur Wesley (mais tarde conhecido por Lord Wellington) e Napoleão Bonaparte crescem
em mundos diferentes mas ambos numa cultura onde a carreira militar é a escolha óbvia para homens de ambição.
Enquanto Wellington tem as suas primeiras aventuras na Irlanda e em Flandres, Napoleão vê-se envolvido nos dramas da Revolução Francesa e na guerra com a Prússia, Reino Unido e Holanda. Mas nada disto é
suficiente para distrair Wellington da paixão por Kitty Pakenham, nem Napoleão da loucura pela bela e sensual Josefina, pois estes homens atiram-se a todos os aspectos da vida como se estivessem num campo de batalha.
Um livro maravilhoso, simultaneamente educativo, divertido e épico!


Opinião 
 Professor no colégio de Norwich, Simon Scarrow partilha o seu amor pela antiguidade clássica para levar os seus alunos a ruínas e museus, locais para onde corre de cada vez que pega num livro. Tem como autores favoritos, os “grandes” da ficção histórica militar, como Cornwell, O’Brian ou Forester, e um dia decidiu seguir os seus passos, o que os seus leitores vão agradecer até ao final dos seus dias. A Série da Águia foi um tremendo sucesso mas A Revolução não ficou nada atrás com os seus quatro volumes sobre os dois maiores generais que a Europa viu combater nos seus campos. Como disse Cornwell, «Eu não precisava deste tipo de concorrência».

Quando comecei a Série da Águia, da qual ainda só li dois míseros livros, percebi que me ia entender muito bem com este senhor, principalmente depois de ver que ele decidiu escrever sobre duas figuras que eu admiro. Apesar de ser rapariga enquanto menina da História, ganhei um certo fascínio pela parte militar pois dela também advieram evoluções, tanto bélicas como sociais ou económicas, para além de serem prolíferas em grandes homens que marcaram épocas, como Wellington e Bonaparte. Este livro é uma oportunidade de conhecer a visão de um excelente escritor sobre as vidas públicas e privadas destes dois homens, desde o nascimento e por entre os momentos marcantes das suas vidas.
Que Scarrow é um grande escritor, que respeita os factos históricos e os adapta na perfeição à ficção eu já sabia, só não sabia que ele era capaz de fazer ainda melhor. Os Jovens Lobos começa quando dois rapazes nascem, no mesmo ano, em locais diferentes, com vidas diferentes. Um está destinado a ficar para trás e a nunca esquecer que a sociedade é como é, outro está destinado a não ser ninguém a não ser que se revolte e se supere a si mesmo. Uma narrativa poderosa, cheia de momentos caricatos e lições de vida, este livro dá-nos a ver o melhor e pior, o passado e o futuro, de duas nações, sempre inimigas, sempre separadas que vão combater entre si na figura de dois homens que provaram que o destino pode estar errado.
Ao acompanharmos a infância e adolescência, até a idade adulta, de Arthur e Napoleão, conhecemo-los de uma forma profunda, pois o autor conseguiu conceber na perfeição a personalidade de ambos os generais, permitindo-nos compreender as figuras históricas para lá dos livros. As ambições, vontades e desafios de ambos são espelhados numa narrativa que vai prender da primeira a última página, onde cada personagem é fortemente retratada, onde momentos pessoais se juntam aos momentos que os tornaram imortais. Entre um rol de personagens vastas, desconhecidas ou famosas, familiares ou ódios de estimação, amores e amigos, o autor aprofunda os factos conhecidos e dá-nos uma visão sem igual de uma época a beira da ruptura.
Se as personagens nos parecem tão vivas quanto nós próprios, a força da narrativa, recheada de diálogos espirituosos, tão rebeldes e filosóficos como seriam naquela altura, transporta-nos através do tempo e não nos deixa dúvidas acerca do trabalho árduo e cuidadoso do autor. Podem encontrar o mesmo humor, as mesmas cenas bélicas detalhadas, a escrita vivaz, que encontrarão na Série da Águia mas ainda melhor. Scarrow supera-se a si mesmo e num desafio tão corajoso, ele não defrauda os seus leitores, ajustando os factos à ficção, a História ao dia-a-dia, ele concebe um início de série que tende a melhorar nos próximos volumes,
Enquanto volume introdutório de uma série, este poderá ser o livro com momentos mais desconhecidos e não tão interessantes mas ao identificarem algumas personagens e momentos terão a gratificação de poderem conhecer o início de tudo e sentiram sempre a vossa curiosidade a ser satisfeita. Uma leitura que vos parecerá um puzzle que dará prazer de deslindar.
Apesar de ainda mostrar mais ficção do que factos, é um livro que está bem construído, tendo todas as situações sido usadas em benefício da leitura, de forma a construir uma narrativa coesa que mantivesse um ritmo igual em ambas as partes. Ao colocar a narrativa dos dois generais par a par, data com data, o autor conseguiu manter a curiosidade do leitor e equiparar as duas vidas, mostrando com as alterações sociais e políticas ou pessoais iam mexendo com a vida de cada um deles e as respectivas perspectivas ao novo espírito que nascia na Europa.
Um livro fantástico para os fãs de ficção histórica militar, da Revolução Francesa ou que apenas gostem de ler acerca de grandes personagens históricas, de um autor que tem conseguido manter-se a par com outros grandes nomes do género.

7*

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Opinião - Darling Jim

Título Original: Darling Jim
Autor: Christian Mork
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 316

Sinopse
 Darling Jim reúne thriller psicológico, suspense romântico, terror, lendas e contos de fadas num enredo coeso e fascinante. Tudo começa com o aparecimento dos cadáveres de duas irmãs e da tia de ambas, assassinadas numa casa de Malahide. O mistério que envolve a sinistra descoberta parece insolúvel, mas quando Niall, um jovem carteiro, descobre o diário de uma das irmãs e decide fazer uma investigação por conta própria, a verdade começa a vir à luz do dia. Uma história de amor trágica e um bardo dos tempos modernos parecem ter estado na origem dos crimes. Malicioso e irresistível, Darling Jim é um romance que nos fala dos perigos de nos apaixonarmos pela pessoa errada.

Opinião 


Uma notícia num jornal já amarelado dava conta de quatro cadáveres, três irmãs e uma tia, que se teriam deixado suicidado, morrendo a fome. Esta notícia perseguiu Christian Mørk durante anos, até que ele decidiu que era daí que viria a primeira história da sua autoria. Darling Jim, nascido de factos reais, é um thriller psicológico que não esquece as lendas e o sobrenatural, que vendeu mais de 38 000 exemplares na Dinamarca e foi traduzido para mais de trinta países.
Christian nasceu em Copenhaga mas aos 21 anos partiu para os Estados Unidos. Concluiu os estudos em História, Sociologia e Jornalismo, escreveu na Variety, foi crítico de cinema e também fez parte dele na Warner Bros. Pictures. Nasceu numa família de actores e quase foi um académico mas o seu desejo de escrever um livro falou mais alto. Este é o livro.
Quando Darling Jim enlouqueceu os leitores pelo Facebook, antes da sua publicação, eu só pensava que ia ter de arranjar o livro porque se todos estavam loucos por ele, era porque era bom, mesmo bom. Li a sinopse tantas vezes que quase a decorei e, admito, estava quase a morrer de curiosidade mas não consegui comprá-lo na pré-venda e, aos poucos, com as opiniões após publicação comecei a duvidar do facto de querer o livro, até ele ficar esquecido no meio de tantos outros que eu queria, até ter esta oportunidade para o ler.
Este livro é uma junção de conceitos, géneros e ideias, onde o thriller psicológico e o sobrenatural se evidenciam. No início da leitura temos uma premissa que consegue suster a curiosidade do leitor, muito devido a escrita bem conseguida do autor, que, através de diálogos fluídos e de uma narrativa directa, consegue manter o leitor interessado. Sendo um livro simples, sem entrar em grandes dilemas, onde a história central é a única na qual o livro se concentra, seria de esperar uma história tão bem conseguida como as questões técnicas mas confesso que me senti algo desiludida.
Apesar da acção contínua e de ser um livro que é fácil de ler, não é um livro que marque e que recordaremos para o resto da vida. Conforme vamos conhecendo as três irmãs através dos diários, vamos percebendo o mistério a volta das mortes macabras mas, também, rapidamente, chegámos a todas as conclusões. O livro está bem construído mas não é espectacular, e talvez daí a minha desilusão pois a meio do livro já tinha deslindado a história toda. Era simples de mais, quando podia e tinha material para ser maior, sem entrar nos exageros em que entrou. O amor pode levar aos actos mais insanos mas para mim, o rumo da história, a dada altura, não fazia grande sentido, tinha de haver outra explicação, tinha de haver ali mais alguma coisa mas não houve. Queria mais drama, mais horror, mais segredos obscuros mas eles não apareceram.
A grande falha, é a falta daquele que era, a meu ver, o diário mais importante, o da personagem mistério que acabámos por nunca chegar realmente a conhecer. Apesar de já desconfiar de qual seria o seu segredo, sinto que teria enriquecido a história, tê-la-ia tornado mais densa, mais real e teria alterado um pouco o sentido do livro. As três irmãs foram o ponto mais alto do livro pois até a mais forte das mulheres pode cair na cantiga do bandido, e estas irmãs eram personagens fortes que susteram toda a narrativa e a tornaram muito mais interessante através dos seus diários e diferentes perspectivas e personalidades, longe de clichés aborrecidos. Tirando as três irmãs, não achei que as restantes personagens tivessem presença suficiente para sentirmos alguma coisa nem com Jim. Parece que ao lado dos acontecimentos estavam todos meio apagados, só apareciam para fazer o que tinham a fazer e não havia mais nada.
O fim só veio confirmar tudo aquilo que eu já tinha percebido e, por isso, não me deu qualquer satisfação. A única coisa que saliento, é que tem uma parte estranha que um dia tenho que reler porque continuo sem perceber o sentido daquilo e acho que nunca vou perceber, sinceramente ou então já não estava mesmo com vontade de perceber. Por último, a parte sobrenatural, que foi o que gostei mais e durou tão pouco. Aí estava o sinistro, o obscuro, a negritude que devia ter povoado o resto do livro, mesmo que depois tenha sido usada para a parte muito estranha do final que eu não percebi.
A conclusão que tiro é que gosto de ser surpreendida, de grandes enredos e de não ter razão no final. Gosto de um livro forte e equilibrado, com pés e cabeça e não consegui identificar-me com esta leitura. A juntar as expectativas demasiado elevadas a tudo isso, não consegui sentir-me cativada por esta leitura. Esperava muito mais e melhor da história, não basta um escritor escrever bem para o livro ser bom. Parece que afinal, não fiz parte da febre Darling Jim.

2* 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O meu marcador novo é tão eu

A minha colecção (que precisa de ser revista e actualizada, já agora) tem mais um marcador, muito especial!

A condizer com a decoração do quarto e com uma caveirinha muito fofa, está neste momento a marcar a página da leitura do momento, que acham?




Se quiserem igual ou parecido, deixo-vos os contactos da pessoa a quem encomendei. São super acessíveis, simpáticos e vale a pena verem uma coisa destas chegar a vossa casa ;) 


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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião - O Crepúsculo dos Elfos

Título Original: Le Crépuscule des Elfes (#1 La Trilogie des Elfes)
Autor: Jean-Louis Fetjaine
Editora: Europa-América
Número de Páginas: 277

Sinopse
 Há muito, muito tempo, mesmo antes de Merlin e do rei Artur, o mundo não era mais do que uma floresta sombria de carvalhos e faias, povoado de elfos e de raças estranhas, cuja memória se perdeu nos nossos dias.
Nesses tempos antigos, os elfos eram um povo poderoso e temido pelos homens, seres cheios de graça de pele azulada, que sabiam ainda dominar as forças obscuras da Natureza.
Este livro é uma narração das suas derradeiras horas, depois do encontro do cavaleiro Uter e de Lliane, rainha dos elfos, cuja beleza fascinava todos os que dela se aproximavam. A história de uma traição e da queda de todo um mundo, há muito esquecido, de um combate desesperado e de um amor impossível.
Numa Idade Média onde o maravilhoso ladeia a violência e a crueldade, este romance fabuloso, alimentado por uma imaginação inesgotável e um profundo conhecimento do mundo medieval, estabelece uma ligação entre o universo das lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano.


Opinião 


Considerado um dos grandes representantes da literatura fantástica francesa, Jean-Louis Fetjaine é licenciado em História e Filosofia, foi jornalista e tradutor e tem, actualmente, quatro séries publicadas: A Trilogia dos Elfos, Merlin, As Crónicas dos Elfos e As Rainhas de Púrpura.

O primeiro volume da série Merlin, O Caminho de Merlin, venceu em 2003 o prémio Imaginales du meilleur roman de fantasy mas foi com o seu primeiro romance, este O Crepúsculo dos Elfos, que o seu sucesso ficou consolidado. Entre as lendas célticas, a fantasia e o ciclo arturiano, o autor tem conseguido criar obras de grande impacto onde as fontes históricas não são esquecidas como a história romana ou a corte merovíngia.
Tenho procurado as obras deste autor ao longo dos anos mas devido aos preços e aos poucos exemplares que podem ser encontrados nas livrarias, só através de uma troca, muito recentemente, é que tive acesso a esta sua primeira trilogia que, entre os primórdios da história do rei Artur e influências tolkenianas, tem um lugar bastante representativo na Fantasia.
Apesar de não ter, quer a magnitude, quer a intensidade da obra de Tolkien, é fácil perceber porque é que fãs deste se deixam levar por esta leitura. Num livro onde se sente as influências do chamado “pai da fantasia épica” e onde o principal tema é o mais adorado por leitores de todo o mundo, a história de Artur, a Távola Redonda e Merlin, o resultado só pode ser o sucesso, até porque Fetjaine tem uma visão muito própria destes temas, que de tão repetidos ao longo de décadas, se encontra, dificilmente, algo original.
Este primeiro volume tem uma premissa prometedora e um mundo de aventuras a aguardar os seus leitores, onde perigos estão onde menos se espera e as intrigas podem vir do mais inesperado dos lugares. A acção decorre antes do nascimento de Artur, antes mesmo dos seus pais se unirem, num local onde a magia e o sangue antigo ainda não estão esquecidos. Ao olharmos para os povos que habitam este mundo, somos levados para o imaginário de Tolkien misturado com as lendas celtas, e esta conjugação é o que agradará mais aos leitores de ambos os tipos.
Numa junção perfeita entre influências, lendas e história, Fetjaine tem uma escrita mágica, antiga e poderosa, tão própria dos autores do seu tempo, que levará os seus leitores a percorrer estas páginas com a sensação de estarem a ler algo tão puro quanto cruel, onde os valores antigos se misturam com magia que ultrapassa o entendimento do simples ser humano. Não é difícil deixar-nos arrebatar pelos diálogos cuidados e descrições que nos permitem conhecer este mundo inspirado por uma época que ainda hoje inspira os escritores, a chamada Idade Verde ou Idade Média, a mais propensa em lendas, imaginação e crenças no fantástico, recheada de povos que ainda hoje vivem no nosso imaginário.
Se a caracterização dos homens vai buscar muito a essa época, a caracterização dos restantes povos é muito influenciada por Tolkien. Entre os elfos, anões e orcs, estes não fogem muito aos que podemos ver no Senhor dos Anéis, mesmo que aqui eles possam mais facilmente ser cruéis, instigadores e mais afastados da raça humana, prestes a caírem em decadência neste mundo em mudança. O que torna a leitura mais rica será a quantidade de hierarquias e histórias dentro desses povos, que enchem as páginas de informação para melhor entendermos a história que o autor criou.
Aqui não temos anéis mas também existem objectos que unem estas raças e permitem a paz e um controlo equilibrado do mundo por eles, estando entre esses objectos, um sobejamente conhecido pelos leitores de todo o mundo. As lendas celtas e o ciclo arturiano são utilizados como pontos de ligação, sendo este último o ponto central da narrativa e onde está a grande inspiração. O autor coloca a lenda do rei Artur na época mais utilizada, apesar de errada, sendo justificada exactamente por esta época ser mais rica e promissora para este tipo de narrativa.
Por entre cenários de desolamento e cruéis criaturas, lugares de uma beleza divina e de uma grande serenidade, conhecemos as nossas personagens, que não foram em nada descoradas pelo escritor. Cheias de uma ambiguidade que enaltece o bom e o mau em cada povo, cada uma delas é imperfeita. Uns guerreiros, outros feiticeiros, outros ambos, uns com mente mais arguta, outros mais brutos mas puros de coração, temos o típico elenco deste tipo de narrativa, aquele que o leitor apreciará sem dúvida.
Numa demanda para salvar a paz, este é apenas o início da aventura de um grupo peculiar que vos fará lembrar uma grande obra da fantasia. Para os fãs de Tolkien, para os amantes da fantasia épica, para aqueles que percorrem a história do rei Artur em todas as suas vertentes, este é o livro para todos eles. 

6*