quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Os Melhores de 2012

Como não só de desgraças se viveu ou se leu em 2012, apresento-vos as melhores leituras do ano, aquelas que me fizeram devorar páginas, exultar escritores, apaixonar-me por personagens e histórias, as que me fizeram sonhar e que me conquistaram. Entre vários autores e géneros, sem fazer distinção, seleccionei 10 livros que conseguiram superar todas as minhas expectativas.
 Para além desse top 10, apresento-vos uma trilogia que não precisa de apresentações e é boa demais para estar no top e merece um lugar honorífico e aqueles que foram para mim os melhores livros que li em português e a autora revelação do ano.

TOP 10












No lugar de honra deste ano, fica uma trilogia que dispensa apresentações e merece ser referida pois proporcionou algumas das melhores horas de leitura:
O Senhor dos Anéis 


Nos autores nacionais, foram duas as autoras que se destacaram. 

Carla M. Soares
 Obrigada Carla por este Alma Rebelde e principalmente pelo Santiago *.*


Liliana Lavado
Liliana muitos foram os e-mails e as histórias trocadas ao longo deste ano que foi cheio de sucesso para ti e não podia deixar de te referir nem, claro, ao meu-teu livro preferido Inverno de Sombras


Por fim, não posso deixar de referir a autora revelação do ano, a mulher que me proporcionou gargalhadas, doces momentos e duas das leituras mais fantásticas do ano

Julia Quinn





Bridgertons

Top 3 das Desgraças de 2012

Num ano de muitas e grandes leituras, há sempre uns desgraçados que figuram na lista negra, são aqueles que me fizeram querer puxar cabelos, perder o amor aos livros e atirá-los pela janela, os que me fizeram amaldiçoar escritores, personagens e editores, os que me fizeram falar sozinha e espumar de raiva... Bem, vocês perceberam.

Segundo o bestie de qualquer leitor, Mr. Goodreads, eu dei 1 estrelinha mísera a 7 livros, o que significa que até fui bastante generosa e que cometi alguns erros de casting este ano que, espero solenemente, não se repitam.
Dos pobres infelizes a quem ganhei um ódio visceral, decidi fazer um top mais pequenino  e aqui estão as três misérias deste ano que fizeram esta vossa leitora sofrer até a exaustão:

As Cinquenta Sombras de Grey

 Por favor nunca mas nunca, nunca mais!!
Os Escravos do Amor

 Idem aspas aspas!!

Dragões de Éter
Obrigada por teres estragado uma ideia gira!


Sim E.L. James fica lá feliz por estares à frente da Kate Pearce, bem mereces!

 Por fim, apresento-vos a única leitura não terminada deste ano:

Leonor de Aquitânia
Razões por não ter sido terminada aqui 
 
 

Vá, em 121 livros não foi muito mau, vamos ser sinceros mas podemos não repetir esta dose?

Os Livros de 2012...em Números

Mais um ano que passou, mais umas contas que se faz, mais uns livros lidos!

Este ano, consegui ultrapassar em grande as estatísticas de 2011, facto que me deixa muito feliz e com um grave problema com o Top 10 (ainda a ser pensado e só publicado amanhã) mas também significa que tanto li livros muito bons, muito bons mesmos como também passaram pelas minhas mãos autênticas desilusões. O resultado foi um ano rico em aventuras e muitas páginas, que dou por terminado.

Em números, 2012 deu bastante trabalho e surpreendeu-me em muitos aspectos. Afinal continuei a ler mais dos géneros de sempre, continuei a ler mais a mesma editora mas o resultado final conta com números surpreendentes.  Ora vejam:

121 Livros Lidos
Um número impressionante tendo em conta os pobres 54 do ano passado.

45,559 Páginas Viradas
É mais do dobro do ano passado!

Demorei 3 dias em média a ler cada livro

A Classificação do Goodreads ficou nos 3,7
Nada mau, tendo em conta algumas leituras deste ano

O Nome do Vento foi o livro mais longo que li
Umas belas 976 páginas,ui!

Isto no geral, porque há mais!

115 autores estrangeiros, 6 nacionais
Tenho de resolver isto em 2013

Fantasia foi o género mais lido com 40, seguido de perto pelo Romance Histórico com 33
Mas que surpresa, não é?

A Editora mais lida foi a Saída de Emergência com 25, seguida da ASA com 19
E eu a pensar que aqui ia haver uma surpresa, afinal não...

Li 48 sagas
Esta fez-me quase cair para o lado! De algumas li apenas um, de outras li tudo ou quase...uauuuuu

Terminei 5 sagas
Quatro começadas e acabadas este ano e uma começada o ano passado. Foram elas:

Os Jogos da Fome
Os Jogos da Fome, Em Chamas e Revolta

Terramar
O Feiticeiro de Terramar, Os Túmulos de Atuan e O Outro Lado do Mundo
(estou contar apenas com a trilogia original) 

A Tapeçaria de Fionavar
A Árvore do Verão, O Fogo Errante e A Senda Sombria 

O Senhor dos Anéis
A Irmandade do Anel, As Duas Torres e O Regresso do Rei 

Tir Alainn
Os Pilares do Mundo, Luz e Sombras e A Casa de Gaian 

 
 Quanto aos autores consegui ser bastante variada, e não houve nenhum que se tivesse destacado, em números, claro!

Agora vou ver do Top dos melhores e do Top dos piores, curiosos? Mas só amanhã é que sabem ;)


 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Prendas de Natal...e últimas aquisições do ano

Mais um ano que passou, mais uns livros que se recebeu. 
Como sempre, a família não conseguiu escapar à leitora cá de casa e por isso, claro, teve de haver livrinhos como prenda de Natal. Para parecer uma menina poupadinha não acrescentei aqui as prendas adiantadas (estão no post das Aquisições de Novembro ) mas posso dizer que houve um sentimento de generosidade na família *.*

Estas foram as minhas prendinhas:


 O Erro da Rainha, Diane Haeger
Cada Dia, Cada Hora, Natasa Dragnic
Eterna Saudade, Lia Habel
Os Nove Príncipes de Âmbar, Roger Zelazny
O Sinal do Unicórnio, Roger Zelazny
O Dragão Branco, Anne McCaffrey
The Pillars of the Earth, Ken Follett
Predestinado, Philippa Gregory
Alguém para Amar, Jude Deveraux

domingo, 23 de dezembro de 2012

Opinião -A Casa dos Primatas

Título Original: Ape House
Autor: Sara Gruen
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Sam, Bonzi, Lola, Mbongo, Jelani e Makena não são símios normais. Estes bonobos, como outros membros da sua espécie, são capazes de raciocinar e de manter relacionamentos intensos. Mas, ao contrário da maioria dos bonobos, também conhecem a linguagem gestual.

Isabel Duncan, investigadora do Laboratório de Pesquisa da Linguagem dos Símios, não compreende as pessoas mas está perfeitamente à vontade com os animais, em especial com os bonobos. Isabel sente-se mais confortável no mundo deles do que alguma vez se sentiu entre os humanos… até conhecer John Thigpen, um jornalista bem casado que desafia os manifestantes pelos direitos dos animais, que se mantêm eternamente à porta do laboratório, para ver o que está a acontecer lá dentro.

Quando uma explosão abala o laboratório, ferindo gravemente Isabel e «libertando» os símios, a reportagem de interesse humano de John torna-se a reportagem da sua vida, que o fará pôr em risco a carreira e o casamento. É nessa altura que os bonobos desaparecidos são apresentados num reality show televisivo, emitido em circunstâncias misteriosas e capaz de se transformar no maior – e mais improvável – fenómeno da história da moderna comunicação social. Milhões de fãs ficam colados ao ecrã, a verem os símios a encomendar fast food cheia de gordura, a terem relações sexuais por tudo e por nada e a gesticularem a Isabel para os salvar. Agora, para conseguir libertar a sua família de bonobos desta paródia da vida humana, Isabel tem de se aliar aos que a podem ajudar: John, um vegan de cabelo verde chamado Nathan e uma estrela porno reformada com prioridades muito específicas.

A Casa dos Primatas é um ótimo entretenimento que também nos abre a porta do mundo animal como poucos romances o fizeram, garantindo a Sara Gruen o lugar de uma contadora de histórias magistral que nos faz olhar para nós próprios como nunca antes foi possível.


Opinião
Sara mudou-se para o Canadá em 1999 para trabalhar como redactora mas quando, dois anos depois foi demitida, decidiu aventurar-se na escrita de ficção, aventura esse que culminou em dois livros, dois romances sobre as ligações entre as pessoas e os cavalos, tendo um deles sido bestseller do USA Today. Apaixonada por animais e uma contadora de histórias fabulosa, Sara criou uma obra-prima que lhe valeria o estatuto de uma das escritoras mais amadas do nosso tempo, o encantador e triste Água para Elefantes, que conquistou o público e apaixonou o mundo por uma história onde o amor está lado a lado com o carinho por uma elefanta muito especial.

O seu mais recente livro, A Casa dos Primatas, apenas veio confirmar o talento desta escritora. Aliada a uma longa fascinação pelos primatas, principalmente pelos bonobos, está uma pesquisa intensa, que marcou a autora de tal forma que a fez colocar muitos dos momentos que passou com os bonobos de The Great Ape Trust no seu livro e, talvez por se sentir em cada palavra um sentimento verdadeiro, A Casa dos Primatas revolucionou os livros sobre animais e consegue mostrar todo um mundo novo para o qual não estamos preparados.

Não costumo ler livros com animais como protagonistas, talvez por nunca ter tido um animal de estimação e nunca ter sentido aquela ligação que muitos têm aos nossos amigos de quatro patas mas depois de ter lido este livro, não só me redimi como me rendi às parecenças, à doçura e ao encanto natural destes bonobos. Escrito de uma forma brilhante, doce e profunda, este livro faz-nos olhar o mundo de forma diferente, a dar valor ao que temos e prende-nos a uma nova visão sobre os animais, a sua forma de entendimento e as suas relações com os seus e connosco, mostrando que não estamos sozinhos no mundo, só nos falta uma compreensão mais profunda do que nos rodeia.

Uma história sobre a vida e os seus caminhos, sobre o amor, a amizade e a família, o mais recente trabalho de Gruen arrebata-nos para a simplicidade e profundidade dos sentimentos, sejam humanos ou animais, num rodopio de ligações, puros acasos e luta pela verdade, onde seis bonobos vão unir à sua volta histórias de vida e ensinar que as palavras simples e os gestos mais puros podem salvar ou reacender uma chama que pode durar toda uma vida. Uma solitária apaixonada pelo trabalho que há muito considera os bonobos da instituição onde trabalha a sua verdadeira família, um jornalista apaixonado por causas e pela mulher, que fará tudo para ela ser feliz e trazer a verdade e a justiça ao de cima, jovens rebeldes e cheios de princípios que aprendem com os erros, uma prostituta que tem as suas próprias razões para se juntar a uma batalha de direitos e um realizador pornográfico que quer dinheiro e fama a qualquer custo, são alguns dos ingredientes que tornam esta narrativa única e cheia de profundidade, onde todo o tipo de amor será testado, todo o tipo de amizade será criado e novos horizontes serão abertos.

Os bonobos são uma surpresa, que além de divertida nos vai mudar e conquistar, ao ponto de criarmos uma ligação rica e apaixonada com estes animais cheios de personalidade, com gostos e vontades próprias e que nos entendem como poucos tentaram entendê-los. Mais do que animais de laboratório e fonte de rendimento, Sam, Bonzi, Lola, Makena, Jelani e Mbongo são uma família, onde todos os que se esforçam e são sinceros serão bem-vindos. Da casa onde vivem para um local onde são vistos como coisas, eles são o centro desta história e vão provocar nos leitores sentimentos tão fortes como os que provocam nas personagens que os rodeiam. Enternecedores, verdadeiros e mais humanos que aqueles que se intitulam assim, estes bonobos vão, sem dúvida, fazer-vos questionar e perceber que há muito mais do que pensámos.

A acompanhar estes primatas muito especiais, temos personagens de grande densidade, que resultado de várias experiências e situações, e com vidas tão diferentes, são capazes da maior compaixão e companheirismo, de fazer pelos que amam mais do que por eles próprios, e que vão aprender e ensinar o significado de amizade. Outras, serão capazes dos actos mais atrozes e da maior falsidade, mas também elas nos ensinaram algo, também eles nos provocarão emoções, mesmo que completamente diferentes.

Recheado de momentos fortes e de questões pertinentes, situações apaixonantes e revoltantes, A Casa dos Primatas é uma obra-prima, um livro de visões alargadas, de grandes sentimentos e muitas lições, onde os animais não são só protagonistas como pilares de uma história, que é tão diversificada quanto profunda. Da pura comédia ao maior dramatismo, de gestos ligeiros a actos grandiosos de indulgência, este livro conquista, apaixona e enternece qualquer leitor.

Amantes dos animais ou não, leitor assíduo deste tipo de livro ou nem por isso, qualquer um que lhe pegue e vire as suas páginas sentirão a força e a beleza do talento de Sara Gruen, que sem necessitar de grandes apetrechos, é capaz de nos contar uma história com muitas histórias entrelaçadas, de nos mostrar vários caminhos e de nos prender a cada gesto e palavra. Uma autora que aconselho a todos e que espero voltar a ler em breve.


7*

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Feliz Natal!!




Meus queridos, o Chaise ainda vai andar por aqui mais uns dias mas desejo-vos já um Feliz Natal, que espero, venha cheio de livrinhos e coisas boas na companhia dos que mais amam =)


 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Opinião - O Regresso do Rei

Título Original: The Return of The King (# O Senhor dos Anéis)
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 450

Sinopse
 Eis que chegámos à terceira parte de O Senhor dos Anéis.
Esta terceira parte, O Regresso do Rei, trata das estratégias opostas de Gemdalf  e Sauron, até ao fim da grande escuridão, que concluirá esta fantástica viagem pelo estranho mundo criado pela vivíssima imaginação de Tolkien.

Uma epopeia fabulosa que é acima de tudo uma história de Amor e Amizade, de magia e realidade, de guerra e paz, de coragem e entreajuda, de diferença e igualdade, de ambição e poder…Já lido por 100 milhões de leitores em mais de 25 línguas diferentes.


Opinião
A  mãe de todas as fantasias, a inspiração para todos os autores que transcenderam as imaginações e criaram novos mundos, a obra de todas as obras, é assim, e muito mais, que podemos ver O Senhor dos Anéis. Demanda de amizade, lealdade, honra e feitos lendários, terra de hobbits, elfos, anões, ents e homens, escolha entre o Bem e o Mal, onde as canções ganham vida, os mitos têm um fundo de verdade e as profecias se realizam. Assim se escreveu a história da Terra Média, da Guerra do Anel, do regresso do rei a Gondor, assim leitores por todo o mundo, durante gerações, se apaixonaram e descobriram o verdadeiro significado de Épico, assim se fez a aventura mais extraordinária da Fantasia.

Escrita como um trabalho cristão, recheada de temas teológicos, a trilogia de Tolkien é um hino às virtudes, e Frodo, a personificação de “não nos deixais cair em tentação/mas livrai-nos do mal”, algo bem presente na sua luta constante contra o Anel Um. Negada a inspiração nos tempos conturbados que se vivia, negada a visão de Sauron enquanto Hitler, a verdade, é que O Senhor dos Anéis foi uma visão que ultrapassou todas as expectativas, que simboliza a misericórdia, a irmandade e a justiça, e nunca saberemos, se escrito noutra altura, não seria uma obra diferente.

O fim está próximo e toda a Terra Média se mobiliza para uma batalha que à partida pode estar perdida mesmo que a esperança se tenha reacendido nos corações de todos. Amigos estão prestes a reencontrar-se, promessas quebradas serão, finalmente, cumpridas e um destino que há muito aguarda nas profundezas das trevas está prestes a realizar-se e a tomar para si um trono e uma missão com séculos de existência. Enquanto isso, a coragem ganha vida de formas inesperadas, lealdades domam origens e nas pedras e campos novas lendas serão criadas, novos heróis nascem e o mundo, tal como é, renascerá, seja a derrota ou a vitória que os espera, para um amanhecer inundado em sangue onde os gritos e canções se misturam com o som de espadas a cruzarem-se enquanto lágrimas de tristeza ou alívio fluem pelas faces de guerreiros.

Final épico, O Regresso do Rei arrepia, leva-nos a virar as páginas com os dedos a tremer, tal é a expectativa de saber como tudo acabará, se todos os que se entranharam nos nossos corações sobreviverão, quantos perderemos, quantos sacrifícios serão feitos para que Mordor se quebre. Apesar de saber há muito como termina a Guerra do Anel, não consegui evitar ser totalmente transportada para o poder destas páginas que assoberbam o leitor, o meu coração não ouviu a minha mente e deixou-se dominar pelo lirismo e força da escrita de Tolkien, pelas dúvidas e perdas dos nossos companheiros, pelo medo da derrota, pelo sofrimento da espera. Ler cada descrição bélica de Tolkien transportou-me, imediatamente, para a beleza das batalhas da Ilíada e, tal como esta, as palavras inspiram a imaginação, dando imagens vivas de negritude, de desespero e coragem, trazendo consigo presságios e transformando cada um dos combatentes em deuses, verdadeiros mitos que ganham altura e força pelo brilho da sua alma.

Onde a morte e a imortalidade se cruzam, onde a salvação pode depender da simplicidade longe de ser ambiciosa, o destino da Terra Média cruza-se com a existência deste grupo de amigos tão diferentes, que ligados por sentimentos de lealdade e honra, dedicados uns aos outros mesmo depois da queda de outro, separados por obstáculos e inerentes aos perigos que por todo o lado se escondem, lutarão até ao fim pela esperança, pela partilha e por um futuro onde todos possam, pelo menos viver. Aqui, conheceremos, por fim, a profundidade que cada um tem, o que cada um está disposto a fazer pelo outro, quão longe podem e conseguem ir, quando nada mais parece fazer sentido, quando tudo parecer perdido e o fim é uma certeza.

Recheada de momentos surpresa, onde as revelações podem mudar o curso do destino, a narrativa é acompanhada de um lirismo, de uma beleza tal, que mesmo quando a luz nos abandona e as trevas nos sufocam, não podemos deixar de admirar o poder e o encanto das palavras de Tolkien, de como ele molda cada caminho, como cada destino tem escolhas e consequências, de como, mesmo acabando da forma que acaba, temos a noção de que muito tem de ser recuperado, muito se destruiu e que nada será como antes.

Apesar de já saber a história, havia muita coisa que não é transmitida no filme e uma delas é o verdadeiro final da trilogia que, para além de ser surpreendente, traz muitas resoluções, explica outras tantas e consegue acalmar a curiosidade que o filme não mata. Outro tesouro é os vários apêndices que contam tantas histórias, resolvem uns quantos mistérios, explicam facetas deste mundo imenso que a nossa mente não apreende por completo. Um encanto para os nossos olhos que satisfaz o leitor e aguça a vontade de ler mais deste mundo precioso.

Chegada ao fim da minha missão, terminar O Senhor dos Anéis, é com um prazer e um novo entendimento que me confesso súbdita da mestria deste homem, que inspirou muita da fantasia que já li, que transformou o mundo, pelo menos dos livros, e nos deixou como herança obras notáveis que continuarão a ser transmitidas por gerações, seja em papel, digitalmente, ou lá como o futuro quiser, e que nunca perderão o brilho. Obrigada por nos dar Aragorn, Frodo, Gandalf, Sam, Gollum e tantos outros, obrigada por nos ter dado a high fantasy como ela é hoje.

7*

As minhas opiniões da série:
A Irmandade do Anel
As Duas Torres

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A Leitora Surgiu...da Disney

Como qualquer jovem nascida nos anos 90, a minha infância foi marcada por livros, filmes, bonecos e jogos da Disney. Criadora nata de contos de fadas, melhor amiga das crianças, a produtora de Walt Disney fez (e ainda faz) as minhas delícias de pequenina.

Antes de aprender a ler eu já tinha livros, todos os livros que existiam da Disney iam parar lá a casa. Bandas desenhadas de capa dura, edições especiais, livros grandes, livros pequenos, tudo, tudo, o que tivesse Disney no nome, a mãe e a avó compravam para fazer a menina feliz. Antes de aprender as letras eu já percorria as belas imagens destes livros e, antes de ser uma protectora nata de livros, tive uma fase antes da escola primária em que recortava as minhas imagens preferidas dos de banda desenhada. Pois, eu sei, CRIME! E a seguir seguia-se uma birra descomunal porque eu só cortava os livros que gostava e depois queria um inteiro e lá ia alguém comprar outro para a pequena que não voltava a fazer o mesmo duas vezes...ao mesmo livro.

Mas, como qualquer pessoa, eu tinha as minhas histórias preferidas e elas influeciaram-me de várias maneiras, incluindo nos meus gostos e personalidade. Dos 50 filmes houve cinco que me marcaram, cujas músicas (confesso) ter no Mp4 e que ainda sei de cor e salteado, cujos DVD's estão no meio de todos os outros e que ainda hoje me conseguem prender ao ecrã.

A Bela e o Monstro
Quando se fala na minha pessoa, este é o filme que todos recordam. Não só por eu ter nascido nesse magnífico Novembro de 1991 que viu esta obra-prima surgir, não só por ter sido a minha primeira VHS mal tinha aprendido a falar (ou não), não só por eu obrigar o meu querido tio, fã de carros e porrada, a ver "o filme dos móveis e tralhas lá de casa que falam" mais de 3 vezes por dia, todos os dias, mas porque a menina que um dia fui jurou solenemente que ia ser tão inteligente e ler tantos livros quanto a Bela e arranjar um príncipe que lhe desse uma biblioteca daquelas.
Chamar-lhe o meu filme preferido de sempre, a grande influência da minha vida é pouco, pois ele marcou-me como mais nada conseguiu e ainda hoje eu não resisto a nada que tenha a ver com este conto, cujo original li montes de vezes depois de ter aprendido a ler e ter convencido a mãe a comprar-me os contos do Charles Perrault. Podem chamar-lhe o culpado da leitora em que me tornei.


Alladin
Outro grande filme dos anos 90, outro dos meus preferidos. Sem ter o peso que o primeiro teve na minha vida, certamente estarão a pensar no que este filme terá influenciado a leitora em mim. É fácil! Para além de ser baseado num conto de Mil e Uma Noites, cujas versões imensas eu li na minha infância, Alladin é para mim, símbolo de magia, protagonistas fortes e culturas diferentes. Foi, provavelmente, a primeira influência para o futuro que escolhi e o primeiro contacto que tive com a cultura árabe.


Pocahontas
Não tanto uma influência literária mas definitivamente uma influência na minha paixão pela História. Um filme que adorei e que quando descobri que era baseado em factos reais e que a Pocahontas tinha MESMO existido provocou a loucura total lá em casa. Ninguém pode ficar descansado enquanto eu não descobri tudo sobre a sua verdadeira história, o que aconteceu quando lá se arranjou um filme de bonecos que contava a história verdadeira. O  pior foi quando descobri que ela não tinha ficado com o John Smith (tanto como amo este filme, odeio profundamente e com toda a minha alma o 2). Era já a historiadora em mim a martirizar toda a gente e a querer saber tudo aos pormenores e bem contado! 

O Corcunda de Notre-Dame
Nada se irá comparar à primeira vez que vi este filme no cinema. Estávamos em 1996 e eu só iria para a escola primária no ano seguinte mas nunca me irei esquecer do que foi ver cada minuto deste filme. Uma história obscura, bela e tremendamente profunda que derivou da mente de um homem chamado Victor Hugo e um dos primeiros clássicos que li. Depois de me ter apaixonado pelo filme, anos depois, tinha 9 anos e estava no supermercado com a minha avó a ver os livros quando descobri que havia um com o mesmo título numa colecção que tinha começado a fazer! Alegria total, avó que faz as vontades e ele veio comigo para casa juntar-se aos seus irmãos. Claro que não se fala do quanto eu chorei a ler o maldito livro e o quanto, apesar de tudo o adorei (nunca mais consegui ver o Phoebus da mesma maneira mas eu faço por o esquecer). Voltei a relê-lo anos mais tarde na versão completa e continua a ser uma das minhas histórias preferidas.

 Hércules
Por último, mas não menos importante, o maior musical da Disney, a versão mais gira dos mitos gregos de sempre! Ainda hoje, quando estudava os mitos gregos associava os nomes às personagens deste filme de tanto que ele me marcou. Claro que quando comecei a conhecer os mitos gregos fiquei chocada quando percebi que não tinha sido nada assim mas continua a ser um filme obrigatório. Nasceu daqui, a minha paixão por mitologia, história e cultura grega, o que me deu imenso jeito na faculdade e muitas horas de diversão e aprendizagem porque depois dos gregos vieram os romanos, os egípcios, os celtas e por aí a fora.







Claro que para além destes houve outros tantos mas estes foram sem dúvida os que mais me marcaram e influenciaram. E convosco? Quais foram os que mais vos marcaram?

Opinião - 666 Park Avenue

Título Original: 666 Park Avenue (#1 666 Park Avenue)
Autor: Gabriella Pierce
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 288

Sinopse
 Jane Boyle é uma jovem e promissora arquiteta que está a viver um verdadeiro conto de fadas, desde que o charmoso, e muito rico, Malcolm Doran a arrebatou e lhe propôs casamento, acompanhando o pedido com um enorme anel de diamantes. Jane não consegue acreditar na sua sorte e resolve deixar o emprego em Paris para recomeçar a vida em Nova Iorque, na companhia de Malcolm. Mas quando Malcolm a apresenta à família, os muito temidos e reverenciados Doran, uma das mais importantes famílias da elite de Manhattan, o conto de fadas de Jane sofre uma abrupta e negra mudança de rumo. Em breve, tudo o que ela pensava saber sobre o mundo e ela própria é posto em causa. Agora Jane tem de tentar compreender as suas novas capacidades mágicas, ao mesmo tempo que luta contra a ameaça daqueles que tudo farão para lhas retirarem.

Opinião
Primeiro livro de Gabriella Pierce, 666 Park Avenue é a morada da alta sociedade bruxuleante. Por trás de mansões, glamour e dinheiro, nada do que parece é, e em pleno século XXI, ideais e heranças medievais trocaram as carruagens por limusinas, caldeirões por cartões de crédito e chapéus pontiagudos por vestidos Versace. As guerras mágicas seculares são agora batalhadas em festas e recepções, onde o estatuto social pode perfeitamente deitar alguém mais fraco para fora do tabuleiro. Mais um romance paranormal, ou não, é uma visão alternativa que a autora nos apresenta da sua própria experiência enquanto americana a viver em Paris. Já com dois livros publicados, a série verá o seu terceiro volume ser publicado no próximo ano.
Apesar de quase ter passado despercebido, recentemente foi adaptado à televisão com várias caras conhecidas, incluindo a fantástica Vanessa Williams, mas que devido à falta de audiências ou às grandes diferenças que apresenta em relação ao livro, ficará por uma primeira e única temporada de treze episódios, estando o fim marcado para Janeiro de 2013.
Este podia ser um herdeiro de O Sexo e a Cidade ou Gossip Girl mas, tal como o título indica, este não é mais um relato sobre as experiências e vivências da alta sociedade, antes sim, um misto de magia e modernidade, mitos e luxos onde o amor pode ser conveniente, o desejo ilusório e as alucinações verdadeiras. Da efervescente Paris à poderosa Nova Iorque, esta vai ser uma viagem de descobertas, desafios e segredos impossíveis, na qual, ao partir para o seu casamento de sonho com o homem da sua vida, Jane Boyle vai perceber que a normalidade não entra na equação do seu sonho americano.
Refrescante, divertido, feminino, são algumas das qualidades que Gabriella conseguiu inserir no seu primeiro trabalho e, apesar de estar longe de ser excelente, 666 Park Avenue, consegue, enquanto livro introdutório de uma série cheia de ideias já usadas, ser altamente viciante e, surpreendentemente, exactamente o que eu precisava. Entre disputas familiares, compras e reuniões sociais, Jane vai ter de abarcar todas as mudanças que, no curto espaço de tempo, ocorreram na sua vida e as consequências que elas trazem consigo podem ser bem mais pesadas do que ela alguma vez pode imaginar. Da alegria extrema à tristeza profunda, do meio que é seu para um mundo desconhecido, Jane vai ter de colocar a sua ingenuidade de lado e fazer tudo por tudo para reconquistar aquilo que sempre considerou um dado adquirido e aprender que uma herança como a que carrega traz coisas boas e muitas coisas más atrás e, ao contrário do que julga, há muito que o seu estado invulgar tem influenciado e perseguido a sua vida.
Quase se podia dizer que Jane tinha uma vida normal, afinal é uma jovem a organizar o seu casamento de sonho com a presença imposta de uma sogra imponente sempre a pressionar e a massacrar, um noivo perfeito e uma nova vida fantástica pela frente mas quando percebe que a sua futura família está longe de ser o que aparenta e que tem demasiados esqueletos no armário, a nossa protagonista percebe que ser bruxa é o menor dos seus problemas e que o dinheiro e estatuto que advém de ser um deles só vai trazer ainda mais drama à sua vida virada do avesso. Entre linhagens escondidas, amigos inesperados e aulas de magia, num cenário moderno e chique, Jane vai passar da normalidade ao impossível e a magia que faz parte de si vai alterar tudo à sua volta.
Numa narrativa divertida, onde a magia se une à riqueza, as personagens são, sem dúvida, um dos componentes mais atractivos deste livro. Desde melhores amigas meio estranhas às tias assustadoras, de amigos engraçados à sogra maquiavélica, passando por patrões histéricos e noivos perfeitos, todas elas são ricas em personalidade, mesmo que contenham alguns elementos dito típicos deste tipo de história, conseguem provocar bons momentos e algumas surpresas. Naquela que parece uma história simples, a autora conseguiu colocar camadas, superficiais mas que juntas, formam um quadro inesperado e que vai causar muitas revelações e choques ao longo da leitura. A junção de elementos paranormais com experiências de alta sociedade resulta bastante bem e, se há isto juntarmos disputas seculares e muitos segredos antigos, com nuances de medievalismo, podem querer que vale a pena ler pois a autora é eficaz em criar algo que entretém, capaz de fazer passar as horas e trazer o riso fácil e até uma curiosidade natural pelo que se segue.
666 Park Avenue não é uma obra-prima mas é um livro que merece ser lido pois traz um rejuvenescimento do género, conseguindo juntar a dose certa de humor com mistério, compras com rituais e modernidade com passado. Algo que vai agradar as fãs de bruxas e de Carrie.


5*