sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Opinião - Incarceron

Título Original: Incarceron (#1 Incarceron)
Autor: Catherine Fisher
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 336

Sinopse
 Imagine uma prisão tão vasta que abrange masmorras, galerias, bosques de metal, mares e cidades em ruínas.
Imagine um prisioneiro sem memórias mas que nega pertencer àquele lugar, mesmo sabendo que a prisão se encontra selada há séculos e que apenas um homem conseguiu escapar.
Imagine uma rapariga condenada a um casamento de conveniência e a viver numa sociedade futurista, vigiada por um sistema sofisticado de inteligência artificial mas concebida à semelhança de um cenário do século XVII.
Incarceron é a prisão viva que observa tudo o que se passa dentro dos seus muros. Finn é o prisioneiro e Claudia a filha do guardião da prisão, que vive num mundo exterior onde pouco se conhece sobre Incarceron. Ao encontrarem uma chave de cristal que lhes permitirá comunicar, os dois engendram um plano de fuga numa corrida contra o tempo. Mas Incarceron vigia-os − e a evasão exigirá mais coragem e tornar-se-á mais difícil do que pensam.


Opinião
Primeiro livro futurístico da aclamada autora Catherine Fisher, Incarceron foi considerado um dos melhores livros de fantasia dos últimos tempos e foi vencedor de seis prémios literários, entre eles o Mythopoeic Society of America's Children's Fiction Award, para além de ter sido selecionado como Children's Book of the Year pelo The Times. Traduzido para vinte e cinco línguas, está a ser adaptado ao cinema pela 20th Century Fox. Em Portugal, aguarda-se o lançamento do segundo e último volume acerca deste mundo.
Gaulesa, Fisher é licenciada em Literatura Inglesa e para além de escrever romances é também poetisa, tendo sido várias vezes galardoada pelo seu trabalho. Antes de se dedicar totalmente à escrita, foi professora e arqueóloga mas não deixou de transmitir o seu fascínio por história e mitos nos seus livros. Autora de mais de 40 trabalhos é considerada uma das melhores autoras contemporâneas de fantasia.
Uma sociedade futurística com demasiado medo do desenvolvimento tecnológico cria uma prisão, um pequeno mundo aparte onde coloca todo o tipo de gente, um local onde esperam poder transformar os humanos em seres exemplares, onde esperam poder modificar a essência do ser humano. Uma prisão com vida, que pensa e fala e toma decisões por si própria, uma prisão que muda todo o que nela vive. A tecnologia é escondida e cá fora, as pessoas vivem sobre um Protocolo que as obriga a viver como uma sociedade do século XVII mas os pensadores desta ideia parecem ter esquecido a ânsia por conhecimento, a fome por poder que torna o Homem naquilo que realmente é.
Dentro das paredes perdidas de Incarceron, uma infinidade de lugares por explorar escondem segredos mesmo dos que nela habitam e permitem guardar o que nunca se espera ser encontrado pois poucos sabem como entrar e ninguém sabe como sair. Todos preferem esquecer que a prisão existe e tudo o que a ela seja associada é motivo de temor e respeito mas lá dentro, alguém sabe que já sentiu o sol na face e memórias perdidas fortalecem a vontade de fugir para o Exterior mesmo que a saída seja uma lenda em que ninguém acredite. Imaginativo e original, este livro tinha tudo para ser uma obra-prima da Fantasia mas, apesar de não ser tão mau quanto parecia, Incarceron está longe de ter sido completamente satisfatório. A escrita de Fisher é limpa e directa, sem grandes subterfúgios ou segundas palavras, o que por um lado é bom mas por outro, a ideia deste livro não pode e não devia ter sido metida nestes termos.
Quando começámos a leitura, esperámos grandes e maravilhosas descrições de coisas fantásticas e inimagináveis, explicações longas de como funciona esta sociedade, das diferenças entre o Exterior e a Prisão, coisas necessárias a este tipo de enredo mas que neste livro não acontecem e aí escapa ao leitor toda a essência da narrativa, uma vez que a ideia por trás do livro é brilhante mas a sua execução tem demasiadas falhas para não serem notadas. Não significa que este seja um mau livro atenção, pelo contrário, é um bom livro mas um que podia ter sido muito melhor do que realmente é. A verdade é que a qualidade da história vai melhorando conforme se avança na leitura, muito por culpa da acção compulsiva da narrativa, já que há sempre algo a acontecer mas o leitor já tem na mente aquele início banal, já estando desiludido com a história, é difícil depois abarcar a genialidade inerente àquelas palavras tão simples.
Com a falta de descrições, faltou profundidade às personagens e apenas Claudia e o pai conseguiram aguçar a minha curiosidade devido a todas as nuances inerentes àquilo que são e o que escondem por trás das fechadas frias de cortesãos. De resto, faltou personalidade e dispensava-se muitos dos clichés e discursos demasiado iguais. Finn, o protagonista do livro, acaba por ser uma grande desilusão. Esperámos um rapaz cheio de personalidade e energia, uma lenda a temer em Incarceron, um herói temível e sai-nos uma «menina» assustadiça e ingénua demais para o gosto de quem quer que seja.
Tirando isso, não foi uma leitura má de todo mesmo com os clichés e segredos demasiado óbvios para toda a gente perceber. A autora consegue mexer bem com os espaços que criou e a narrativa não falha em acção e aventura, mantendo o leitor agarrado ao livro. Ao dividir o livro igualmente pela prisão e pelo Exterior, vai aguçando a curiosidade e mantendo o interesse do leitor mas o que realmente salva o livro é o final que salta à vista do restante livro pelos grandes momentos que proporciona e a personalização da Prisão, com diálogos que nos fazem pensar que deviam ter durado mais páginas e nos fazem arrepiar e pensar em Big Brother.
Para mim não é, de todo, um dos melhores livros de fantasia que já li, nem chega a ser distopia ou steampunk mas parece-me que antecede um segundo livro muito melhor que irei ler só para tirar as teimas. Aconselho a leitura a leitores com muita imaginação e que detestem livros muito descritivos mas caso contrário não me parece que irão gostar.

4*

9 comentários:

  1. Olá!

    Vejo que já leste :D
    Pois, é assim mesmo. Tem algumas pequenas "falhas". Gostei bastante, é como dizes, não tem muita descrição. Gostei por causa das sequências de ação =D

    Boa review! =D

    Bjs

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    1. Olá!

      Já =p Eu não lhe chamar-lhe-ia pequenas falhas por elas tiraram muita da graça ao livro e daí muita gente nem o ter acabado =/
      Ele ganha realmente é pela acção, principalmente pelo final =)

      Obrigada!

      beijinhos

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  2. Ola ! A historia de facto parece fascinante... tenho-o de olho à bastante tempo, mas todas as opinioes que li até agora parecem ser algo negativas... penso que talvez se o ler será só para tirar teimas ^^'

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    1. Olá Flower Shell!

      Eu não achei que fosse tão mau assim, tem realmente falhas, mas só lendo para tirar as teimas. Mais vale leres sem expectativas nem imaginares muita coisa =P

      beijinhos

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  3. Não queria dizer isto, mas... told you so. xP Ao menos percebes porque fiquei desiludida com este livro... os pontos negativos que apontas são os mesmos que me desanimaram. :/

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    1. Não sei porquê o teu comentário estava no spam -.-'

      Loool já sei, já sei xD

      Realmente este livro merecia muito mais desenvolvimento =s E o que mais desanima é que é de uma autora conceituada, nem é um primeiro livro =s

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  4. Olá,

    Muito bem a minha carteira agradece este tipo de comentário, a evitar :D

    BJS

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  5. Estou a ficar senil... eu não deixei um comentário aqui ontem? :s Bem, era qualquer coisa sobre como até ficaste com a mesma ideia que eu sobre o livro. Esperava muito mais dele (o worldbuilding e o conceito merecem), daí que tenha sido uma decepção.

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