quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Opinião - A Noite dos Elfos

Título Original: La Nuit des Elfes (#2 La Trilogie des Elfes)
Autor: Jean-Louis Fetjaine
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 215

Sinopse
 O mundo mergulhou no caos quando os homens exterminaram os últimos reinos anões. Só os elfos se podiam opor a eles, mas estes refugiaram-se nas suas imensas florestas, inconscientes do perigo que também os ameaçava.
Para impedir o duque Gorlois de expandir o domínio dos homens sobre a terra, em nome de Deus, o druida Merlim junta-se ao cavaleiro Uter, o amante de Lliane, rainha dos elfos.
Investido do poder de Lliane, Uter torna-se Pendragon, chefe de guerra de todos os povos livres e passa a reter doravante nas suas mãos o poder de restaurar a antiga ordem. Mas ele é obrigado a escolher entre o amor de duas rainhas: Lliane, inacessível, refugiada na ilha de Avalon; ou Ygraine, tão real, tão humana...
Narração emocionante do combate entre dois mundos, duas religiões, duas mulheres, A Noite dos Elfos traz uma dimensão violenta e sensual à génese do ciclo arturiano.

Opinião
Símbolo do melhor que se fez em fantasia na língua francesa, A Trilogia dos Elfos, escrita entre 1999 e 2000, foi o marco na carreira do seu autor, colocando-o entre os melhores autores de fantasia europeus. O sucesso foi tal que Fetjaine decidiu escrever uma prequela dedicada à rainha dos elfos Lliane e outra trilogia dedicada à Merlim. Apenas os seus livros As Rainhas Púrpura não fazem parte do ciclo arturiano, sendo dedicados às rainhas merovíngias.

Colocada nas mãos erradas, ela pode ser uma arma mal usada e os seus guardiões podem perder mais do que todos esperam pois as lendas estão mais vivas do que eles acreditam e só a destruição de um dos elementos do mundo os pode fazer perceber que desenterraram algo inalcançável. Uma luta entre a velha fé e a nova, entre a ordem e a subjugação de uns a outro, A Noite dos Elfos mostra o que acontece quando a ordem das coisas se desequilibra, quando se ama algo que não se entende, quando o destino é maior do que a própria vontade. Um recontar da lenda arturiana num mundo onde Avalon é um refúgio de outras coisas, onde as origens remontam a algo ainda mais antigo, este livro retira às influências tolkeninas o protagonismo e conta-nos outra história, uma história de amores entre dois mundos, de esperança num homem e de um objecto que depois da destruição pode vir a ser símbolo de paz.

Mais uma vez, Fetjaine desarma-nos com uma escrita que fluí como se viesse de outros tempos, quando as lendas caminhavam ao nosso lado e os seres fantásticos eram nossos companheiros de aventuras, pura e envolvente como a água mais cristalina e, ao mesmo tempo, tão profunda e negra quanto um pântano, capaz de descrever as cenas mais belas e delicadas e os maiores terrores e actos de crueldade. A ambiguidade do mundo criado por si torna-se ainda mais palpável neste volume pois se num momento podemos estar no local de maior serenidade, noutro podemos estar no mais desolador dos cenários e esta complexidade acompanha todo o enredo, desde os diálogos cuidados às personagens que ora são capazes de bondade e amor, ora são capazes de matar e enganar. Numa narrativa onde a magia e o destino estão entrelaçados de forma perfeita, o desespero dá lugar ao reencontro, o amor à união, a fome de liberdade a um caminho que pode mudar a vida de todos.

Num lugar tão antigo de que nem há memória, um povo é destruído e um amor inesperado pode dar frutos que todos temem menos o mais temível dos seres. Neste lugar, amantes trocam juras mas só um é capaz de desistir de tudo enquanto o outro sonha com algo mais alto. Este é o berço da mais amada das lendas, o ninho de cinzas e traições do qual os sonhos de paz e união nasceram. Numa encruzilhada entre desejos e deveres, um homem está prestes a tomar o seu destino nas mãos enquanto todos à sua volta param à espera, à espera para saber qual a mulher que ele escolheu, qual o reino que ele quer, qual o filho que ele vai beneficiar para que a balança volte a estar equilibrada e os dados para o próximo jogo comecem a ser lançados.

Nesta reinvenção única da lenda de Artur, não há feiticeiras em Avalon mas rainhas elfos que cedem perante a força da paixão mas não perante os caminhos tenebrosos do futuro, que farão de todo para defender a sua linhagem mesmo que a tenham de entregar ao mais odiado dos seres, mesmo que o seu coração tenha de sangrar pela dor da traição. Entre momentos de uma força estonteante, é o impasse que caracteriza este livro pois ele está entre o que foi e o que será. É o livro onde os laços se fortificam e as alianças quebram, onde os ventos da mudança alteram totalmente o rumo, onde as lealdades mudam de lado, onde o que parece perdido regressa e o que é não passa de uma névoa. Em poucas páginas, o autor altera todo o rumo da história que conhecemos, quebra-nos as esperanças e dá-nos, ao mesmo tempo, um novo rumo do qual já conhecemos o fim mas ainda estamos prestes a conhecer o início.

Ao dar uma nova vida a uma velha lenda, Fetjaine reanima as raízes da cultura ocidental com novos detalhes que lhe dão uma chama mais fulgurante mas sem esquecer a essência da história que está a contar. Se no primeiro volume podemos achar que esta é uma adaptação das influências tolkenianas à lenda arturiana, rapidamente percebemos neste volume, que está é uma visão própria e original que nos irá abrir a mente e fazer olhar para as raízes da fantasia de outra maneira.

6*
As minhas opiniões da série:
O Crepúsculo dos Elfos

3 comentários:

  1. Parece um livro interessante :) o que mais me chamou a atenção foi a pintura de Waterhouse na capa, que dá um aspecto muito mais mágico ao livro:)

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  2. Olá,

    Bem já tinha ficado interessado com o teu comentário ao 1º volume, mas penso que se confirma que me anda a passar ao lado algo muito bom...tenho que ver se encontro ai algures pela feira do livro ou assim :D

    Bela critica ;)

    BJS

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    Respostas
    1. Olá!

      Se quiseres que te empreste é só dizeres ;)

      Obrigada!=D

      beijinhos

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