segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Opinião - A Rainha Corvo

Título Original: The Raven Queen
Autor: Jules Watson
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 568

Sinopse
 Depois de A Lenda do Cisne, Jules Watson traz-nos a continuação desta história deslumbrante de encantamento e desejo, baseada numa das mais incríveis lendas celtas, trazendo à luz a vida de Maeve, a Rainha Corvo.

Maeve nasceu para ser um joguete que o seu pai poderia usar como bem entendesse de forma a manter as suas terras em segurança. Forçada a casar-se, os seus desejos nunca foram respeitados. Mas o espírito livre de Maeve não irá suportar muito mais as maquinações do seu novo marido, Conor, o astucioso rei de Ulster. Quando a morte do seu pai deixa a sua terra natal à mercê de senhores gananciosos e das forças de Conor, Maeve apercebe-se de que precisa de usar o seu próprio poder de modo a travá-los.

Com perícia e inteligência, Maeve prova que é igual a qualquer outro guerreiro no campo de batalha e, para combater a perigosa magia dos mais antigos deuses, procura ajuda junto a Ruán, um druida errante, cuja paixão inesperada e estranha ligação ao mundo dos espíritos revelam a Maeve a verdade sobre si mesma, colocando-a em guerra com o seu dever e o seu destino.


Opinião
Nascida na Austrália e filha de pais ingleses, Jules Watson há muito que é fascinada por lendas Celtas e não foi difícil convencer o marido, escocês por nascimento, que precisava de viver no meio das brumas e terras altas da Escócia, cercada por magia e mitos senão morreria. Quando não está a escrever novos livros sobre histórias passadas e terras místicas, gosta de se sentar frente à lareira enquanto a chuva caí lá fora ou de ir ao pub local ouvir o marido tocar música típica escocesa.
O seu amor pelos Celtas influenciou não só a escrita como outras decisões da sua vida como a licenciatura em arqueologia, cujos conhecimentos usa para tornar os seus livros mais verosímeis. É, também, licenciada em Relações Públicas e já teve muitos trabalhos diferentes antes de se dedicar escrita, desde escritora freelancer à arqueóloga passando pelo trabalho nas minas e à consultora de relações públicas. Apesar de ter apenas dois livros traduzidos em Portugal, que apesar de independentes se relacionam com o mesmo ciclo mitológico celta, o ciclo de Ulster, a autora tem mais uma trilogia passada na Escócia do tempo da invasão romana, a trilogia Dalriada.

Situada no mesmo espaço de tempo que A Lenda do Cisne, a história da rainha Maeve partilha com esta a mesma beleza, o mesmo encanto e a mesma magia que apenas as lendas místicas são capazes de transmitir. Num tempo longínquo em que os mitos ganham vida, em que os filhos dos deuses caminhavam entre os homens e os druidas e os sidhé ainda tinham algo a dizer sobre o desenrolar da vida, uma mulher vai sobressair de entre a ira e a força bruta dos homens para unir o que a ambição do homem separa, para ser a personificação da Deusa, da Mãe e da Mulher entre o seu povo e o salvar e proteger da loucura trazida pela luxúria, pelo ódio e a inveja. Num relato, onde a astúcia, a coragem e o poder antigo ganham vida, guerreiros batalham pela justiça e pela glória, druidas concedem a vontade das estrelas e amores mortais nascem das brumas.

Com Deirdre, Maeve partilha um homem que lhes trouxe apenas infelicidade, dor e medo mas é aí que acabam as parecenças com a protagonista de A Lenda do Cisne. Usada como joguete nas mãos dos homens, incluindo o próprio pai, depressa aquela que foi rainha três vezes percebe que nunca será mais do que uma moeda de troca destinada a perder tudo o que ama e a ser subjugada à brutalidade, a menos que se insurja e lute por um lugar entre aqueles que tanto a fizeram sofrer. De donzela usada a guerreira lasciva, Maeve é capaz de tudo para não ver o seu povo submetido à vontade de um louco que a magoou mil vezes, mesmo que tenha de matar, mesmo que tenha de desistir dos anseios do seu coração, mesmo que tenha de se tornar a rainha fria e mortal que nunca quis ser. Por baixo da crueldade e astúcia do seu semblante, a Rainha Corvo esconde segredos obscuros, dores demasiado dolorosas, perdas que a marcaram tão fundo quanto o gume de uma espada e um amor que não aceita a ter ser tarde demais.

Tanto rainha guerreira renascida das lendas como mulher e mãe mortal, Maeve vai comandar toda esta narrativa com a mesma presença com que comanda os seus exércitos e nela teremos um vislumbre de todas as mulheres pois ela é a Mãe e a Deusa, ela personifica a feminilidade e a fertilidade em toda a sua força e garra. Nesta personagem, Jules consegue incorporar tudo o que significava ser mulher nesta época, desde o papel quase raro de mulher de armas ao de amante e mãe. Tanto doce como fria, tanto lasciva como controlada, Maeve é tudo isso, é tudo o que significa ser mulher.

Numa narrativa brilhante, onde mitos celtas, história e ficção se misturam com primor, a escrita de Jules é poderosa, evocativa de antiguidade, de sangue e misticismo. É de uma forma apaixonante que a autora dá vida a heróis de espadas, druidas, reis e rainhas, dando às suas personagens tanto divindade como humanidade, umas vezes tão perto de nós e outras tão inalcançáveis. Cheios de honra, lealdade e vontades próprias, cada um segue o caminho que acha mais correcto e cada um vai lutar até ao último suspiro por aquilo em que acredita. No decorrer desta leitura, muitas são as emoções que nos assaltam, desde à raiva ao medo, do orgulho à admiração, enquanto o desenrolar da vida típica de um povo nos é mostrado nestas páginas. Pormenores das crenças e religião celtas, da vida diária e da guerra, enriquecem este relato que dá vida a um dos mitos mais conhecidos deste povo, permitindo que vejamos para lá dos heróis que foram enaltecidos como escolhidos dos deuses. Entre batalhas sangrentas que evocam a coragem de tempos passados, uniões místicas cheias de profundidade e as demonstrações de poder dos reis, A Rainha Corvo é um hino à cultura mas principalmente, à essência do povo celta.

Forte em momentos marcantes e recheado de misticismo, este livro tem o dom de nos transportar para lá do passado e fazer-nos sentir o cheiro do mar misturado com os dos campos, faz-nos ver céus tão azuis como tumultuosos e ouvir os cânticos tanto de guerra como de amor que uma vez ressoaram pelas planícies de outros tempos. Uma obra digna da história que conta, A Rainha Corvo deve ser lido pelos que adoram lendas, pelos que se fascinam pelos Celtas e admiram aqueles que pelas mãos criaram o berço do nosso mundo.

6*

4 comentários:

  1. Olá,

    Bem um livro com o nome A Rainha Corvo, deixa logo aqui o corvo em alerta :D

    Parece ser muito interessante e claro lá está uma critica excelente parabéns ;)

    PS: Temos um fascinio pela cultura celta :D

    BJS

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    1. Olá!

      Muito Obrigada =D

      P.S. Quem é que não tem?;)

      beijinhos

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  2. oiii :) Venho cá pedir os teus conselhos literários. Não sei se viste mas a wook está com descontos de 50% em alguns livros de fantasia, e estou mesmo indecisa entre comprar este e a Lenda do Cisne, ou o da Lissa Price, Destinos Interrompidos. Como vi que leste as 2 autoras e eu confio muito na tua opinião queria saber qual preferiste. (já vi tb que não deste mt boa pontuação ao 2º da Lissa).

    Obrigada e beijinhos*

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    1. Olá!!

      Eu prefiro esta autora, de longe. A Rainha Corvo e o A Lenda do Cisne estão interligados mas aconselhava-te a começar pelo de Cisne, apesar de gostar mais deste =)

      Beijinhos**

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