Autor: John Green
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 344
Sinopse
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot.
Opinião
John Green tomou de assalto as prateleiras das livrarias portuguesas no último ano e tanto tem sido pouco compreendido como se tornou o autor favorito de muitos dos que se atreveram a ler os seus livros. Um autor dos nossos tempos, um escritor que olha a parvoíce e honestidade da adolescência como ninguém, Green tem arrebatado corações e mentes com o seu humor intelectual e as suas complexas filosofias que nos apanham de surpresa e nos fazem parar, pensar e sorrir.
Nomeado para dois prémios, vencedor de outros quatro, Cidades de Papel é o terceiro livro de
John Green e antecedeu o seu grande sucesso, A Culpa é das Estrelas. Sendo mais uma obra que enaltece a
juventude, é normal que muitos vejam nele parecenças com outra obra do autor, À Procura de Alaska, pois este livro tem
um propósito, o de acertar o que Green falhou no outro livro, o de lembrar mais
uma vez que amar não significa divinizar e que raparigas como Margo e Alaska
não acabam da mesma maneira mas marcam tudo e todos à sua volta mesmo cometendo
erros. Um livro sobre a passagem da adolescência para a idade adulta, do fim do
secundário e das expectativas para o futuro, Cidades de Papel é feito de palavras, de crescimento e promessas.
Quando o secundário acaba, há uma porta que se fecha, há
mudanças que ainda não são visíveis mas que sentimos bem no fundo de nós pois
há um adeus que tem de ser dito, tantos adeus a tantas coisas, tanta coisa que
perde importância, tantos novos significados no caminho em frente. Há um
excesso de sonhos, há expectativas, há planos para o futuro pois o fim das
nossas vidas está a meses, dias, horas de começar e a melhor parte está prestes
a ficar fechada naquela caixinha que guardámos no fundo da gaveta, aquela
caixinha bonita que guarda memórias, gargalhadas e lições, aquela caixinha que
vamos guardar para sempre, que vamos recordar sempre. Mas, neste fim que é
início, também há perda, também existe falta de sonhos, há uma ansiedade pelo
nada, pelo parar no tempo, para partir para a Terra do Nunca, para dizer não,
isto não vai acabar como acaba para todos, vai acabar como eu quero, mesmo que
signifique não acabar mas sim, pairar no tempo, ser imortal no agora.
John é um autor intemporal, um autor do agora e um autor do
futuro, alguém que compreende a pureza de uma atitude sem intenções, da beleza
de um pequeno plano, um autor que torna o hilariante em complexidade, um autor
que aprofunda, que vasculha e encontra aquela parte brilhante e doce do ser
humano enquanto criador de sonhos, enquanto ser apaixonado, enquanto ser
inquisitivo que precisa de mais e mais. É incrível e enternecedor a forma como
escreve, como dá e dá, sem pedir nada, como cada palavra não tem segundas intenções,
como cada coisa é o que é e, ao mesmo tempo, nada é branco ou preto mas uma
quantidade imensa de cores e degradés, de significados, de uma lógica tão ilógica.
É a pureza e a selvajaria, é o mistério e a normalidade. Este livro é tudo isto
e mais ainda.
Mais do que o relato do fim da adolescência, é a busca, a
procura do entendimento do ser, o fortalecimento dos laços e a noção plena do
que somos que glorificam esta narrativa, que nos prende e subjuga ao perigo, o
maldito perigo de romantizarmos quem amámos, de ver um ser divino onde só
existem sombras, de procurarmos e procurarmos alguém que só existe na nossa
mente, no nosso profundo desejo de perfeição e entrega. Por entre pistas,
monólogos filosóficos e uma busca incessante, conhecemos o encanto da normalidade
da adolescência, a beleza de amar as imperfeições, a surpresa dos recantos e
curvas do nosso caminho, a intemporalidade do que se espera. Mas, mais do que
isso, aprendemos que amar o que não existe, enaltecer o que lá não está, é uma
aventura cheia de perigos mas que nos muda de uma forma que só amores assim
podem mudar.
Quentin e Margo são opostos, são a luz e a sombra, a
normalidade e o sobrenatural. São duas faces encostadas, unidas por um olhar e
uma sensação, separados no tempo por um vidro tão fino que quase podia não
estar lá. Eles são o fim, o começo, o chegar e o partir. Eles são as escolhas
que fazem. São dois adolescentes com dúvidas, crises existenciais, manias e
medos, são a infância perdida um do outro e, juntos eles são a glória e o
exagero do amor pois querer ficar, não é o mesmo que dizer sim e amar, amar não
tem sempre o mesmo fim.
Quentin é eu, és tu, somos nós. Ele procura, ele não
desiste, ele acredita e desespera, ele ama e sofre com todo o seu ser. Ele é a
solidez, o seguro, o correcto mas que anseia e quer a ilusão, a temeridade, a
luz que Margo é, ela é que o desejo e o sonho, ela que é tão inalcançável e
está para lá de nós, está noutro lado, ela que afinal é o mistério, as sombras
e a dor.
Ler este livro é uma experiência que assoberba qualquer um,
é uma experiência que será não só inesquecível como marcará toda a vossa forma
de pensar. Cidades de Papel não é só
sobre o fim e o começo, não é só sobre a amizade verdadeira, não é só sobre
camaradagem e parvoíce do auge das vidas. É, também, sobre amores que ecoam
pelos tempos, sobre o inesperado, sobre despedidas que nunca serão para sempre.
É uma história de vitórias, de lições. É um livro onde “o para sempre é feito
de agoras”.
7*

Adorei a opinião. Quero muito ler este :)
ResponderEliminarObrigada Sandra!=D
EliminarEsta é uma opinião excelente e que descreve muito bem os livros de John Green. Nunca li nenhum o que é quase um crime literário mas planeio em ler. Estou só à espera de encomendar uns quantos do Book Depository porque quero ler os livros dele em inglês. Mas pelo que ouvi falar deste escritor, ele é um dos únicos que consegue captar a verdadeira essência da adolescência que outros livros (tais como Twilight e afins) acabam por transformar em algo demasiado romântico, onde tudo é perfeito, onde amar é tão simples como trocar um olhar. A adolescência é muito mais do que isso, é um tempo em que as nossas emoções se misturam, onde as nossas filosofias infantis são derrubas e erguemos novas filosofias mais maduras mas que, mesmo assim, serão destruídas com a chegada da idade adulta, é um tempo em que tudo se torna num paradoxo que temos de resolver quer queiramos quer não. Resumindo, o John Green é dos únicos autores que descreve quase de uma maneira perfeita o que é ser-se adolescente. :D
ResponderEliminarÉ engraçado referires o Twilight porque dois dos livros dele, este e o À Procura de Alaska, nasceram como uma forma de combater a romantização ou perfeccionismo exagerado do par que esse tipo de livros trouxe à literatura ;)
EliminarEu costumo dizer que o Green sabe tocar em pontos que nos dizem muito e compreende mesmo a adolescência como ninguém e mais, não a ridiculariza, torna-a algo único e especial aquilo porque muitos passámos...
Ola, eu concordo plenamente com a opinião! Alias este livro mudou aninha maneira de pensar e muitas vezes me identifico com ele! As até penso 'opa porque é que sou amiga dela/es são mesmo pessoas de papel! Amei.o livro e estou ansiosa por ver o filme! Sugiro a todos que o leiam!
ResponderEliminarBeijo, Ana