terça-feira, 12 de março de 2013

Opinião - A Million Suns

Título Original: A Million Suns (#2 Across the Universe)
Autor: Beth Revis
Editora: Razorbill
Número de Páginas: 322

Sinopse
 GODSPEED WAS FUELED BY LIES. NOW IT IS RULED BY CHAOS.
It's been three months since Amy was unplugged. The life she always knew is over. Everywhere she looks, she sees the walls of the spaceship "Godspeed."
But there may just be hope: Elder has assumed leadership of the ship. He's finally free to act on his vision--no more Phydus, no more lies.
When Elder learns shocking news about the ship, he and Amy must race to discover the truth behind life on "Godspeed." They must work together to unlock a mystery that was set in motion hundreds of years earlier. Their success--or failure--will determine the fate of the 2,298 passengers who remain aboard "Godspeed." But with each step, the journey becomes more perilous, the ship more chaotic, and love between them more impossible to fight.


Opinião

Amante de viagens, esta antiga professora que deixou todo para seguir o seu sonho de escrever, até a profissão que adorava, já visitou quarenta e um locais diferentes mas Londres, a cidade onde estudou, continua a ser a sua cidade preferida apesar de Malta, a sua primeira viagem, continuar a ter um lugar no seu coração.

Indiferente a clássicos, apaixonada pelos livros de C.S. Lewis, Beth começou a escrever histórias com que se identificava, o tipo de histórias que procurava nas prateleiras das livrarias e desse desejo nasceu Across the Universe, o primeiro volume de uma trilogia que conquistou os leitores e que se tem destacado no género distópico, tendo recebido diversos prémios e sido traduzido para mais de vinte e quatro línguas da qual, infelizmente, o português não faz parte.

A Million Suns, a sua continuação, foi publicado em 2012 e foi escolhido como livro do ano por duas entidades, uma delas a Kirkus, e já conta com edição em vinte e quatro línguas. Segunda parte de uma trilogia, confirmou Beth Revis como uma autora capaz de surpreender os fãs e fez com que a ansiedade para o último livro, Shades of Earth, fosse ainda maior pois este livro, mais do que uma caixinha de surpresas, prova que esta série é diferente de muito do que se tem feito no género.

Privados da esperança mas agora donos da sua própria vontade, os habitantes de Godspeed podem agora escolher, decidir, aceitar ou recusar… Agora sabem o que liberdade significa. Mas será que estão preparados? Será que o sonho é capaz de combater o de sempre? A verdade é que a liberdade arrancou a segurança. A verdade é que o certo e o errado se tornaram demasiado difusos e, agora, Elder tem de viver com as suas decisões, com o que se espera dele, com o que ele quer e, ainda com os sonhos quebrados de Amy. Sozinha, incompreendida, ela sabe que o céu é o limite mas também sabe que é a única que vê para lá do metal das paredes da nave e, quando a esperança afinal parece voltar, ela sabe que nada, nem a vontade de uma sociedade inteira, a podem afastar do que a levou a estar séculos congelada mas esquece que a escolha de cada um pode mudar tudo.

Pouco depois de ler   Across the Universe, peguei neste livro a pensar que já sabia o que esperar mas afinal, a autora não só me trocou as voltas, como mostra que é capaz de se superar, criando mistério onde havia certezas, dando revelações de onde menos se esperava, conseguindo agarrar da primeira palavra até a última pois o virar de cada página obriga-nos a não parar. Com uma escrita fluída, onde a acção nunca para e cada momento tem um significado, Revis mostra-nos que o género YA ainda tem muito para dar e que afinal os clichés não se encontram por toda a parte. Num enredo onde a relação dos protagonistas é secundário e uma lufada de ar fresco, são as questões da vida, as questões da liberdade, da escolha, da aceitação e do que é certo ou errado, verdade ou mentira, que tomam o controlo desta narrativa, fazendo-nos pensar, questionar, duvidar.

No espaço, em anos longínquos da nossa realidade, há questões que não foram esquecidas, há escolhas e modos diferentes de olhar as coisas, há certezas e há as opiniões de cada um. Tocando em assuntos como ética médica, justiça institucional ou políticas de governo, a autora mostra o poder da escolha, o poder da liberdade, o poder da vontade própria, a forma como a escolha de um todo pode desfazer ou construir, de como a opressão pode dar segurança e a liberdade faz nascer perigos, de como as emoções humanas podem perder a racionalidade, como a racionalidade pode desfazer a esperança. Colocando dualidade em várias situações e personagens ao longo do livro, Beth mostra o bom e o mau de cada um, até onde a obsessão pode chegar e como o bem se pode tornar errado.

A forma mais perfeita de dualidade são Elder e Amy, nascidos em sociedades diferentes, com éticas e educações diferentes, vindos de mundos diferentes, e que representam as dúvidas e as certezas não só como indivíduos mas como um todo, representado as suas facções e mostrando as discrepâncias e como as diferenças podem ser vencidas. Mais maduros neste livro, capazes do bom e do pior, eles não são o típico casal protagonista pois eles pensam e agem não em função do outro mas deles próprios e de um grupo mais alargado de pessoas mostrando que para lá das emoções, eles pensam, amam, são egoístas ou altruístas, que vêm o certo e o errado de cada um mas que não desistem das suas próprias convicções.

Mas o livro acaba por ser sobre escolhas, sobre esperança e conhecimento, sobre segurança e coragem, sobre partir e ficar. Fala-nos sobre o desejo de partir para um mundo que pode dar-nos aquilo de que sentimos saudades, fala-nos sobre ficar onde tudo nos é familiar e amado, fala-nos sobre novas oportunidades, fala-nos sobre olhar as estrelas e alcançá-las. Mostra-nos como é estar onde não somos aceites, onde nada é como conhecemos, onde somos tão diferentes. Mostra-nos que às vezes ter escolha não significa aproveitá-la mas que também pode significar abusar dessa escolha. Diz-nos que visões diferentes podem dar as mãos ou virar a cara. É um livro que é muito mais do que aparenta.

Cheio de reviravoltas, com surpresas da primeira à última página, este A Million Suns é um livro que vai prender a atenção, que vai fazer o tempo parar, que nos faz olhar este género com outros olhos e nos deixa apreciar cada momento. Com um enredo onde nada é o que parece, faz-nos suster a respiração até ao capítulo final e ansiar desesperadamente pelo último volume. Uma série que seria uma grande aposta por cá e que me parece poder conquistar um público vasto.

6*
As minhas opiniões da série:
Across the Universe

Sem comentários:

Enviar um comentário