Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 312
Sinopse
Estamos em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente. Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de 17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos por toda a Europa.
Obedecendo a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam Isolde.
No pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura – Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da Ordem das Trevas.
Opinião
Autora histórica incontestável, escritora de inúmeros
sucessos literários, Philippa Gregory é a senhora da ficção histórica no que à
História de Inglaterra concerne. Historiadora e escritora, Philippa estreou-se
na escrita em 1987 com a trilogia Wideacre
mas foi com os seus livros sobre a corte Tudor que atingiu a fama e o
sucesso. Agora a escrever uma nova série sobre os Plantagenetas, a autora que
sempre se dedicou à ficção histórica decidiu enveredar por outras épocas e
géneros literários. Enquanto escrevia A
Filha do Conspirador, Philippa decidiu escrever outro tipo de livro, um
livro que a divertisse, que reflectisse um tempo histórico mas que não
estivesse enraizado tanto na realidade. Assim nasceu o primeiro livro de uma
nova série para jovens adultos, uma série de outra época diferente do que a
autora já nos habituou.
Publicado em 2012, Predestinado
surpreendeu, deixou alguns de pé atrás e dividiu opiniões mas sem dúvida
que deixou curiosos os leitores regulares da autora que nunca a tinham lido
fora do género do costume e se viram presenteados com esta aventura pela Itália
medievalista num mundo prestes a quebrar-se pela perda de Constantinopla às
mãos dos infiéis, mais perto do que nunca...
Demasiado inteligente para o seu próprio bem, Luca passa de
herege a instrumento da fé, de rapaz órfão a membro de uma ordem que tem de
parar a ascensão do Império Otomano a todo o custo e defender a igreja de todos
os males e inquiridor do Santo Padre cuja missão é erradicar tudo o que possa
colocar em causa a fé cristã neste momento de desordem. Isolde, criada para
herdar o poderio do pai e ser a dama e senhora perfeita, acaba por ver todo o
seu mundo virado ao contrário quando o pai morre e descobre que afinal de
senhora do castelo vai passar a ser abadessa de um convento, um convento que
com a sua chegada vai ser palco de bruxaria e desordem. Os destinos de Luca e
Isolde unem-se no meio de desconfiança e meias verdades, por entre acusações de
bruxaria, visões e crenças, eles vão ter de aprender a confiar um no outro e
deixar que os seus caminhos andem lado a lado.
Philippa Gregory é uma escritora que escreve a história como
ninguém mas este livro foi como uma facada directa ao coração. Quem está
habituado a sua forma de escrever detalhada, clara e verosímil vai, não só,
estranhar este livro como sentir-se muito, muito desiludido. Esta não é a praia
da autora e nota-se a léguas pois se ela costume encantar-nos com a forma como
desenvolve e recria uma história, como entrelaça história e ficção, aqui isso,
pura e simplesmente não acontece. A verdade é que esta narrativa é uma
trapalhada imensa, sem pés nem cabeça onde os acontecimentos e as personagens
parecem que não se ligam, não se conjugam de uma forma natural mas antes de
forma confusa e pouco credível. A culpa não será do género escolhido, longe
daquele que é o habitual da autora mas parece-me que do facto de que ela não
consegue desenvolver algo que não se baseia nem em personagens nem em factos
conhecidos, parece que quando se trata de deixar só a imaginação funcionar que
a autora se perde e não consegue construir algo que soe ao leitor.
Claro que o seu costume de apresentar detalhes históricos
está lá e estes enriquecem a leitura mas não trazem nada de novo, pelo menos a
mim que estudo esta área, parece que servem para encher páginas com pormenores
e depois não se reflectem na restante narrativa que se desenvolve rapidamente e
sem grandes explicações. Muitos dos acontecimentos como a forma como se resolve
o mistério do convento acontecem sem nos apercebermos como pois se nos parece
que só as personagens não se estão a aperceber do que se passa, de repente,
eles sabem tudo e resolvem tudo sem chegarmos a perceber como é que eles
fizeram isso. O mistério nunca chega a ser mistério pois desde o início que se
percebe como vai acabar, quem está por trás e porquê e, aqui tenho de chamar a
atenção para a sinopse bastante enganadora do livro que nada acaba por ter a ver
com mais de metade do livro e parece-me que ou a tradução está uma desgraça ou
a autora cometeu uns errozinhos ali pelo meio.
Depois temos as personagens e estas não são nada, nada como
é hábito em Philippa que escreve personagens de força e presença imensa e aqui
não há profundidade, apego ao leitor, nada. As personagens são bidimensionais,
pouco credíveis e apelativas exceptuando Freize e Ishraq pois os protagonistas
para além de insonsos nem reais parecem. As ligações estre eles são fracas,
pouco desenvolvidas e pontuam por momentos estranhos.
Sim este livro foi uma desilusão daquelas e não vou ler o
resto da trilogia. Gosto muito da autora em ficção histórica mas neste género
ela não tem a presença a que nos habitou, quer se concorde com ela ou não. Sinceramente
nem sei que diga sobre este livro, acho que abismada é a expressão certa para o
que sinto dele.
2*

Olá, deixei te um selo no meu blog http://esmiucar-pag-a-pag.blogspot.pt :)
ResponderEliminarBem, agora que li a tua opinião, vou eu própria tentar inspirar-me para fazer a minha opinião!
ResponderEliminarQuando estava a ler a opinião, lembrei-me da parte do lobisomem, e como aquilo parece que caiu do céu na história. Por momentos, pensei que tinha mudado de livro!
Ainda bem que pude ajudar =P Quando acabei a opinião estava com uma dor de cabeça daquelas...
EliminarTambém eu! É que eu não percebi de onde saiu aquilo...e afinal não era lobisomem nenhum -.-'
Estou com vontade de te dar um abraço, finalmente alguém que achou o mesmo que eu do livro. Já estava a achar que o problema era meu, de nunca ter lido a autora. :/
ResponderEliminarHonestamente, acho que a autora tinha uma ideia errada do que era YA, porque se ela achava que bastava escrever uma história simplória para captar a audiência YA enganou-se. Podia ter feito tão melhor, e captado futuros leitores das suas histórias mais adultas, mas assim... :/
E eu a ti!!!*.* Na, o problema é mesmo da Phi que não dá para isto =/
EliminarÉ que é mesmo simplória =s Não sei se é por ela escrever histórias com personagens e histórias reais e aqui isso não ter acontecido e ela ter andado perdida...olha não sei! Só sei que isto foi uma desilusão =(