Título Original: Runemarks (#1 Crónicas das Runas)
Autor: Joanne Harris
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 528
Sinopse
Maddy Smith nasceu com
uma marca que ditou o seu destino. A runa inscrita na sua pele é um
símbolo dos Antigos Deuses, uma marca mágica. E perigosa. Na pequena
aldeia onde vive todos a receiam e excluem. Mas Maddy não renega a sua
sorte. Pelo contrário, ela adora magia. Mesmo que isso a condene à
solidão. Quinhentos anos passaram desde Ragnarók - o flagelo que marcou o
Fim dos Tempos -, e a Nova Ordem impôs regras que ditam o aniquilamento
do Caos, da Magia, dos Sonhos e da Imaginação. À medida que os seus
feitiços ficam cada vez mais fortes, Maddy sabe que será apenas uma
questão de tempo até os Examinadores da Ordem a identificarem e
perseguirem. E tempo é algo que o Mundo não tem... agora que a ameaça de
destruição é cada vez mais real. Isolada, Maddy pode apenas contar com o
ancião seu mentor, que lhe dá a conhecer as lendas nórdicas, com os
seus deuses e criaturas maravilhosas. Invisível para a maioria das
pessoas, este Mundo Subterrâneo encerra a chave do seu passado. Dela
depende o destino do Mundo, mais uma vez...
Opinião
Nos primeiros dez anos da sua vida, Joanne refugiou-se na
leitura, nos dez anos seguintes escreveu histórias a imitar as dos seus autores
preferidos e depois, finalmente, começou a escrever as suas próprias histórias
mas houve uma história, escrita durante os seus dezanove anos que a autora
acabou por recuperar, uma história inspirada pelo seu amor à mitologia nórdica,
originalmente chamada Witchlight e
que foi recusada pelos editores devido ao seu tamanho, complexidade e
obscuridade. Esta história um dia saiu da gaveta e tornou-se uma história de mãe
para filha, uma história que Joanne lia e adaptava para a sua filha Anouchka,
uma história divertida e privada até a filha de Harris a convencer a publicá-la
e assim nasceu A Marca das Runas.
Publicado em 2007, e reeditado agora pela ASA, editora da
autora em Portugal, este é o primeiro volume da duologia de fantasia da autora
de Chocolate, uma série juvenil que
não deixa de apresentar a profundidade sombria de Joanne mas que contém diversão,
mitologia e aventura e, mais uma vez, o combate entre magia e religião.
Maddy nunca foi uma menina como as outras. Renegada desde a
nascença por causa da marca que apresenta na pele, Maddy é uma estranha na sua
própria casa, olhada de lado pelos que a viram crescer, diferente em todos os
aspectos, ela sonha com outro mundo, onde não seja uma estranha, um símbolo de
algo que é temido e há muito esquecido… mal Maddy sabe que algo está mudar, que
o que está adormecido voltará, que a magia está mais entranhada nela do que
alguma vez ela pode supor e que está na hora de ela cumprir a sua parte nos
desígnios do destino. Encarregada de uma missão, ela parte para o desconhecido
e descobre que as fábulas que o seu mentor lhe contava são mais reais e
perigosas, que existe um inimigo que está prestes a torná-las nada até ao esquecimento
absoluto, que ela própria é muito mais do que aparenta. Numa guerra onde o Caos
e a Ordem se enfrentam mais uma vez, inimigos tornam-se amigos, aliados mudam
de lado e uma Nova Era pode morrer antes de puder crescer.
Autora que brilha em livros esotéricos de alguma estranheza
e muita complexidade, Joanne dá-nos este A
Marca das Runas, um livro juvenil de fantasia, muito diferente do seu
estilo habitual mas que não deixa de surpreender, nem que seja pelo lado
refrescante e divertido, jovem e espirituoso, uma faceta desconhecida da autora,
cujos livros pontuam, por regra, pela
densidade e obscuridade. Numa linha mais simples mas com a mesma escrita
envolvente que perde o seu lado tentador pra um mais ingénuo e satírico, a
autora de Chocolate mostra que quando
se nasce com um dom se pode escrever qualquer coisa, até uma fábula de
aventuras, demandas e objectos mágicos.
Mas desenganem-se se pensam que este livro é uma leitura
básica e banal, muito pelo contrário, está repleta de segredos, profecias e
ligações obscuras que se unem numa narrativa de
acção rápida e momentos únicos que nos levam
a ler a toda a velocidade. Onde as gargalhadas são sempre bem-vindas, o
inesperado acontece nos momentos menos propícios e o coração se aperta quando
só queremos que tudo acabe bem, a mitologia nórdica ganha outra graça e
dimensão, uma versão mais colorida, trapaceira e trapalhona que nos faz voltar
à idade em que acreditávamos em tudo e em que o entusiasmo era quase infantil e
extravagante. Mesmo assim, como sempre, a autora não nos deixa de espantar com
a forma como o Bem e o Mal são uma única e só moeda, como ambos os conceitos se
entrelaçam e desmontam dependendo da perspectiva de cada lado, mostrando que
por baixo da cor e risada há uma mensagem mais profunda do que transparece a um
primeiro olhar.
Também este livro é marcado pelos temas habituais. O conflito
entre a religião e a magia, a fábula e a realidade, a ordem e o caos, pautam
toda a narrativa, onde as coisas não são tão lineares quanto aparentam e que
são apresentadas de uma forma tão imaginativa pela autora, que cada descrição
nos faz viver os acontecimentos, deixando a nossa mente voar mais longe pelas
páginas ao encontro das milésimas tarefas que Maddy e companhia cumprem ao
longo da sua jornada. Em cada momento nota-se que este é um livro feito por
diversão, um livro para extravasar ideias, para fazer rir e abrir os olhos mas
com a certeza que respiraremos de alívio no fim, pelo menos até ao próximo
livro.
As próprias personagens são tal como a narrativa em que se
inserem. Ingénuas, rezingonas, irónicas e divertidas, um grupo para nos animar
e enternecer que colocarão até ao fim da leitura a visão Marvel longe das
nossas mentes. Desde os deuses aos habitantes da aldeia, cada um apresenta um
conjunto de características que nos impedem de odiar profundamente e apelam ao
perdão e isto, sendo um factor que algumas personagens de Joanne chegam a
apresentar em outros livros, acaba por ter a sua certa ironia porque estas
personagens são tão menos pesadas e intricadas que apelam desde logo ao nosso
lado bom.
Sem deixar de ter aquela marca inimitável de Joanne, A Marca das Runas é um conto para a
família, um livro em que podemos voltar atrás no tempo, sozinhos ou
acompanhados mesmo dos mais novos. Sem a complexidade e mistério mais
envolvente típicos, este livro é para se desfrutar, para descansar a mente das
coisas tristes, para ler sempre com um sorriso. Uma leitura pitoresca e
colorida que mesmo não atingindo a soberba dos outros romances de Joanne traz,
sem dúvida, uma inocência e doçura que se deve recuperar, mesmo de vez em
quando.
6*
Podem encontrá-lo aqui em formato livro e ebook
Mais uma aposta ASA na autora de Chocolate


Também já li este livro, gostei muito e já comprei o próximo.
ResponderEliminarTambém comentei no meu blog: http://azul-rosaeestrelas.blogspot.pt/2013/08/livros-que-ja-li-este-verao-ii.html.
Eu já li os dois volumes, e na minha opinião são ambos muito fracos!
ResponderEliminarPela primeira vez (e já li bastantes livros de fantasia, e adoro), a história não me cativou. Nem tive vontade de passar do primeiro, mas como já me tinham oferecido os dois, lá li... Enredo fraco, dão ênfase aos cenários secundários apenas para acrescentar páginas, e o principal fica muito aquém do que poderia ter sido alcançado!
Contudo o 2º volume é ligeiramente melhor que o 1º...
Olá Silvana!
EliminarSendo uma grande fã da Joanne Harris, claro que comparando estes livros aos outros, eles não têm a mesma qualidade, mas isso é porque são livros mais infantis, como digo na opinião, mais brincalhões e divertidos, não tendo aquela escuridão e complexidade dos restantes trabalhos da autora.
Mesmo assim gostei, exactamente por serem mais leves e porque a autora dá umas reviravoltas giras à mitologia. Compreendo que não agrade a todos, mas se agrada-se é que seria de estranhar.
Já leste outros livros da autora?
Boas leituras!