terça-feira, 21 de maio de 2013

Opinião - Insurgente

Título Original: Insurgent (#2 Divergente)
Autor: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 376

Sinopse
 A tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica consequências, e à medida que as várias fações começam a insurgir-se, Tris Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria.
O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a fação escolhida. No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre as diferentes fações e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda completamente o que poderá vir a perder.
A muito esperada continuação da saga Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas, romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza humana.

Opinião


  Nascida em Chicago, Veronica começou a escrever aos 12 anos e mais tarde viria a tirar o curso de Escrita Criativa durante o qual, em vez de fazer os trabalhos de casa, escreveu o seu primeiro livro, Divergente. 2011 foi assim o ano desta jovem, que além de ter publicado o seu livro também subiu ao altar. Aos 24 anos é uma das autoras actuais mais conhecidas e o ano passado foi mesmo nomeada como Autora do Ano pelos membros do Goodreads e a sequela de Divergente, o melhor livro de fantasia juvenil. Quando não está a escrever faz pesquisa no Wikipédia com o seu pijama vestido e acompanhada de uma taça de cereais e se estivesse dentro do seu livro seria uma Intrépida apesar de também poder pertencer aos Abnegados.

  Divergente, o seu primeiro livro, tornou-se um fenómeno a escala mundial, estando traduzido para mais de 50 línguas e o filme está neste momento a ser produzido para estrear no próximo ano. A última parte da trilogia já tem título e capa e deverá sair nos EUA a 22 de Outubro deste ano. Insurgente é o segundo volume muito ansiado pelos leitores portugueses e chega agora às nossas livrarias. Sequela que tem dividido aos fãs mas sem deixar ninguém indiferente, promete provocar ataques cardíacos e uma ansiedade louca pelo fim.
O caos está espalhado, o equilíbrio desfez-se por ambição, por arrogância, pela incapacidade de aceitar as diferenças. As facções enfrentam-se e pela primeira vez discute-se quem é o mais forte, o mais preciso e quem pode ser dispensado. Agora, ou se domina ou se começa tudo de novo.

   Enquanto a sua cidade se quebra em mil pedaços, Tris está em guerra com ela própria. As suas escolhas, as suas perdas, quem é realmente, são dúvidas que a assolam, a culpa corroí-a, a dor cega-a. Mas Tris é mais do que uma Intrépida, mais do que uma filha de Abnegados, ela é uma Divergente e neste mundo, nesta guerra, isso já não é só sinal de murmúrios e segredos, é sinal de mudança, de confronto. Ser Divergente já não é um papel solitário e está na altura de todos se insurgirem e tomarem as suas decisões, está na altura de todos se revelarem, dos panos caírem e as verdades, as lutas, assolarem tudo e todos.

  Depois do arraso que foi Divergente, Veronica tinha de superar as elevadas expectativas dos seus leitores e este livro não só o faz como supera tudo o que pudéssemos esperar. Viciando-nos da primeira palavra à última, mantendo o nosso ritmo cardíaco acelerado, a autora escreve com temperamento, garra e audácia, sem nunca lhe faltar o sentido, o racional e as segundas intenções. Mestre em criar momentos de alto risco, surpresas nunca esperadas e desvendar o inimaginável, Roth apresenta-nos uma sociedade pós-apocalíptica como mais ninguém faz e cria uma ponte entre o primeiro livro e o último de tal forma perfeito que lê-lo é como estar suspenso no nada para cair à alta velocidade e voltar a ser puxado para cima uma e outra vez.

  A adrenalina é a alma deste livro, a angústia, uma segunda pele e a expectativa a aura que nos rodeia. Do início ao fim, Veronica faz-nos sofrer de todas as formas possíveis e imaginárias e isso só serve para percebermos que esta história é feita de matéria dura, de incontáveis erros, de pequenas vitórias, de esperança tremeluzente. Aqui os laços desfragmentam-se, as motivações e os ideais separam-se e não existe maneira da união regressar sem ser através do caos mas nada irá voltar a ser como dantes. Num enredo em que é necessário endurecer o coração e esperar sempre o pior, está sempre presente os ventos de mudança, a procura da renovação, alianças frágeis e quebradiças. Aqui não existe doces momentos mas sim intensos, desesperados, duros, o que se reflecte no fortalecimento tanto das personagens como na história. 

  O mais importante neste livro é a humanidade. É humano duvidar, é humano ceder, é humano lutar, é humano ser-se imperfeito. E é pelas imperfeições deste livro, tantas que nos obriga a identificarmo-nos com elas, que este livro é perfeito. Em pequenos gestos, pequenas palavras, relembrámos o que nos faz quem somos. A família, que nos cria e nos molda, a sociedade que nos educa e nos forma, a religião que apesar de nunca presente aqui, está enraizada nos corações e mentes. Nada disto é esquecido neste livro e cada uma apresenta um papel importante na intricada história que ele nos apresenta.

  Em clima de revolta e tensão, Veronica consegue cimentar o caminho de uma sociedade perfeita e unida para uma desfeita e a destruir-se. Há uma aura diferente neste livro, uma aura de morte, perda, sofrimento e angústia. Há uma divisão criada por ideias e sonhos diferentes, há uma ambição que nasce dos que têm finalmente uma oportunidade para poderem dominar e isso torna este livro real, palpável porque uma transição nunca é feita com graça e precisão, é feita de erros e lições, de vitórias que deixam um sabor amargo na boca. Cada facção reage de forma diferente, cada personagem luta com as armas que tem porque eles não são heróis nem vilões, são humanos que irão sobreviver o melhor que puderem. E, claro, começa-se agora a descobrir que como qualquer perfeição, esta sociedade estava construída sobre alicerces de mentiras, segredos, coisas escondidas e, quase como numa dança, cada pista é dada de forma subtil até ao grande final.

  Se o ambiente muda, mais mudam as personagens. Tris não é mesma protagonista que conheceram, o que é mais do que justificável pela culpa, pela dor, pelos erros, e entra numa atitude que leva a Intrépida em si ao extremo mas nunca deixa de ser a grande protagonista que era, só que agora, é alguém com cicatrizes, traída, desconfiada e que se revela ainda melhor. Quatro também mostra que não é perfeito mas não perde o encanto com que nos conquistou anteriormente. As surpresas sucedem-se nas personagens secundárias e algumas revelações poderão deixar-vos de queixo caído. 

  Depois de um fim que nos deixa literalmente a salivar pelo próximo livro, Roth mostra porque é considerada a Rainha das distopias YA e alcançou o enorme sucesso que tem. Insurgente é arrasador, destrutivo e ainda melhor do que a nossa imaginação podia crer. Uma sequela digna do seu antecedente.

7*
 
As minhas opiniões da série

12 comentários:

  1. Aahhhh... Tenho de ir escrever a minha também. Mas raios, que este livro é tão, tão bom e tão, tão complexo que uma pessoa nem sabe bem o que dizer na opinião. =O

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    1. Eu escrevi a minha maior opinião de sempre!=O E faltou tanta coisa!!;_; Isto é o raio de um vício!! Ela superou-se *.*

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    2. Superou-se por completo! É mesmo daqueles livros que lutas por não divulgar demasiada informação mas, ao mesmo tempo, não podes deixar de explicar o porquê de te ter marcado tanto. Oh, foi uma leitura maravilhosa, e estou super impressionada com ela por se ter conseguido superar... nem quero imaginar o que virá aí, com o Allegiant!

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    3. Exacto! Eu ainda nem acredito que já li e que falta não sei quanto tempo para o Detergent ;_; Vamos morrer até lá e se não morrermos antes, ainda morremos quando finalmente lhe pegarmos!

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    4. Nem eu! Ontem, quando me apercebi que já era o último capitulo, só conseguia pensar: não quero lê-lo, não quero acreditar que já vai acabar. =(
      Oh, vamos morrer de certeza e acho que vai ser uma leitura maravilhosa porque será como se estivéssemos a descobrir o Divergente outra vez, pois vão navegar no desconhecido. Oh, aquele final, ainda me dá arrepios!

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    5. Eu fiquei imenso tempo a olhar para a última página ;_;
      Ai pois vai, tem de ser! Nem consigo imaginar o que raios ela vai fazer no fim mas só de pensar, oh meu Deus, quero tanto!

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    6. Cinco meses, Homónima, cinco dolorosos, angustiantes, meses até podermos saber como é que esta mulher maravilhosamente torturante vai acabar a trilogia. Nem quero pensar em todas as coisas que podem acontecer! Eu sei que li a última frase e pensei: oh... o caos começou!

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    7. Em inglês!!;_; Eu se calhar vou esperar pela versão portuguesa ;_;
      Aquela última frase é uma dor no coração ;_;

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  2. Vais esperar, Homónima? Are you sure? Porque, na melhor das hipóteses, será editado daqui a 1 ano. 1 ano! Que sacrilégio de tempo, eu cá acho que não vou aguentar... não estou mesmo a ver como é que isso irá ser possível. Lol.

    Mesmo! É de terminares a leitura de boca aberta, sem saber o que pensar, fazer, dizer, nada. Ainda nem consegui pegar noutro livro, pah, isto não é nada normal. Lol. Mas, bem, aconteceu-me o mesmo com o Divergente... é melhor que me vá habituando. =)

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    1. Ai meu Deus não me digas isso! Epa não sei, depois logo se vê, tenho aguentado com o Scarlett xD

      Podes crer! Eu só consigo pensar e agora? E agora??
      Eu estou a ler o Corações Gelados... God este livro vai dar cabo de mim!

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    2. Esse é outro livro poderosíssimo! A escrita é super crua e quase chocante, mesmo, e a história em si... ui! Outro que foi uma leitura absolutamente perfeita.

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    3. Acabei-o a pouco...estou desfeita...esta opinião vai custar tanto God!

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