domingo, 12 de maio de 2013

Opinião - O Grande Gatsby

Título Original: The Great Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 176

Sinopse
 Justamente considerada uma das mais importantes obras de ficção do século XX, O Grande Gatsby é um retrato notável da era dourada do jazz em toda a sua decadência e excessos. Pelos olhos do provinciano Nick Carraway, conhecemos a história do misterioso Jay Gatsby, um milionário que subiu na vida a pulso, movido pela paixão quixotesca que nutre pela jovem Daisy, uma rica herdeira bela e frívola. A sua obsessão por ela fá-lo reinventar-se para por fim poder reclamar a sua amada, numa autêntica encarnação do sonho americano. Porém, o reencontro de ambos acaba por desencadear uma série de acontecimentos trágicos, com Gatsby a ser vítima não apenas da sua ambição, mas da insensibilidade e falta de valores que imperam na sociedade americana da época.

Opinião

  Nascido em 1896, Francis Scott fez parte de uma geração que viu o seu mundo ser abalado para se erguer em glória. Desde cedo dedicou-se às suas aptidões literárias com artigos em revistas e jornais bem como contos e por isso acabou por não terminar o curso em Princeton. Partiu para a guerra em 1917 como voluntário e voltou para se tornar um dos grandes nomes da chamada Geração Perdida Americana senão mesmo, o autor por excelência da Era do Jazz e um dos melhores autores americanos do século XX.
O amor obsessivo pela sua mulher, Zelda e a vida louca e inconsequente que ambos viveram durante os anos 20 deram azo a uma procura delirante por riqueza, luxo e festas e para viver essa vida de ostentação era necessário dinheiro e Scott tinha o seu jeito literário, uma visão clara do seu tempo e uma musa inspiradora e, assim, criou uma carreira fulgurante que terminaria em sucesso a sua vida trágica. Zelda acabou no hospício e Scott abandonou-se ao álcool. No fim da sua vida ainda foi trabalhar para Hollywood como roteirista e terminou um último romance antes de morrer.

  O Grande Gatsby, a obra de eleição dos leitores de Scott foi escrito em 1925, no auge da década mais louca que a Humanidade conheceu e este livro representa claramente esse auge que atingiu a sociedade americana. O seu sucesso só deu após a morte do autor e da II Guerra Mundial mesmo com uma peça de Broadway e um filme. Hoje, é o livro obrigatório para quem estuda a literatura dos Estados Unidos. Considerado o grande romance americano e um dos melhores do século XX, O Grande Gatsby volta ao cinema com realização de Baz Luhrman e com DiCaprio no papel principal.

  A guerra acabou e com ela veio a vontade, de gozar cada dia como se fosse o último. Uma geração enfrentou a morte e agora quer celebrar a vida com todos os excessos e ostentações a que tem direito. Gatsby é o modelo dessa geração desvairada, rica, apaixonada mas por trás das festas e do luxo esconde-se um coração com desejos e sonhos que apenas esta vida lhe pode dar mas será que valerá a pena?

  Fitzegrald espelha em perfeição uma geração, um tempo, uma sociedade. Ao escrever de uma forma que nos ilumina sobre a ilusão da prosperidade e da felicidade o autor conduz-nos através de uma narrativa muitas vezes de aparência louca, alegre e temerária que esconde os desejos e um profundo desgosto com a vida. Com uma simplicidade envolta em brilhantismo, é notório o porquê deste livro ser considerado uma obra literária de excelência. Com um olho crítico, Scott viu e analisou a podridão por trás da ostentação, o desgosto por trás do amor, a fraqueza por trás da glória, numa história que nos leva a olhar a Era do Jazz, os loucos anos 20, para lá da loucura, das festas, da bebida e da riqueza. Uma história que enquadra não só uma sociedade de desvairos após uma guerra terrível mas também sobre amar a pessoa errada, ter os sonhos trocados e baixar a cabeça perante o que não queremos ver, O Grande Gatsby é uma obra de profundidade, um relato de quem viveu e sentiu toda a emoção de uma década de ouro.

  Aqui venera-se o glamour. Aqui está o sonho americano. E aqui o dinheiro pode tudo. Numa sucessão de acontecimentos que levarão à tragédia, conhecemos Jay Gatsby e com ele descobrimos a decadência, a necessidade de dinheiro não importa as causas ou consequências e a forma como os bens materiais e as festas determinam se mereces um lugar no teu paraíso pessoal ou não. Num enredo que coloca a olho nu as frivolidades e a falta de moral de uma sociedade que tudo quer e que tudo pode, vemos a verdade por trás do sonho e esta não é nada bela mas sim maldita. O amor é a base para o mistério que envolve Gatsby mas este, tal como todos os outros, usa os meios errados para conquistar aquela que ele sabe só vê brilho e riqueza a frente e este amor está destinado ao fracasso porque eles procuram sonhos diferentes. Demonstrando que por trás das ilusões, brilhos e música apenas existiam aparências, frieza e uma vontade de estar por cima, este livro é um símbolo, uma condenação e uma previsão da sociedade americana.

  Tal como o mundo que os rodeia, não há personagem que esteja envolta em escrúpulos. Eles vivem do luxo, dos rumores, de quem tem mais, eles estão obcecados, encandeados pela ostentação e os valores mais altos, as verdadeiras buscas perdem-se no egoísmo e insensibilidade que a todos marca. No fim, é Gatsby que adorámos. É dele que sentimos pena, que acabamos por compreender e perdoar pois ele é a vítima de toda esta história. Já o nosso ódio concentra-se no casal perdido na obsessão. Daisy e Tom são frívolos, idiotas, irritantes e, principalmente ela, vai ganhar todo o nosso ódio por no fim acabar por voltar as costas a quem fez tudo por ela. Já Nick é o narrador perfeito, o que está iludido e depois acorda para a fragilidade da vida em que está inserido. 

  Um clássico que merece toda a atenção, O Grande Gatsby é uma história de paixões e desilusões, de aparências e verdades. Um livro que relembrará para sempre os anos de perdição como uma década não só de beleza como de raíz para os males que seguiram.

6*

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