domingo, 9 de junho de 2013

Opinião - A Filha do Conspirador

Título Original: Kingmaker's Daughter (#4 A Guerra dos Primos)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 496

Sinopse
 "Perdi o meu pai numa batalha, a minha irmã às mãos de uma espia de Isabel Woodville, o meu cunhado às mãos do seu carrasco e o meu sobrinho às mãos de um seu envenenador, e agora o meu filho foi vítima da sua maldição…"

A apaixonante e trágica história de Ana Neville e da sua irmã Isabel, filhas do Conde de Warwick, o nobre mais poderoso da Inglaterra durante a Guerra dos Primos. Na falta de um filho e herdeiro, Warwick usa cruelmente as duas jovens como peões, mas elas desempenham os seus papéis de forma previdente e poderosa.

No cenário da corte de Eduardo IV e da sua bela rainha Isabel Woodville, Ana é uma criança encantadora que cresce no seio da família de Ricardo, Duque de Iorque, transformando-se numa jovem cada vez mais corajosa e desesperada quando é atacada pelos inimigos do seu pai, quando o cerco em seu redor se aperta e quando não tem ninguém a quem possa recorrer, a quem possa confiar a sua vida.

Opinião


  Nasceu no Quénia mas actualmente vive numa quinta no Yorkshire, abandonando os leões, as zebras e as girafas por cavalos, patos e galinhas. Estudou na Universidade de Sussex antes de trabalhar na rádio da BBC e, mais tarde, havia de se doutorar em Literatura do século XVIII na Universidade de Edimburgo. Já deu aulas em quatro universidades, escreve críticas para várias revistas e jornais e regularmente é locutora na rádio e televisão. Para além da escrita, dedica-se ainda à caridade, tendo fundado há vinte anos a associação Gardens for the Gambia.

  A série Tudor é a sua série mais conhecida mas recentemente dedicou-se a escrever romances sobre os protagonistas da Guerra das Rosas. A série vai já com quatro livros e o quinto irá ser publicado para o mês que vem lá fora e a série televisiva produzida pela BBC irá para o ar no próximo dia 16, contando com dez episódios.

  A Filha do Conspirador é o quarto livro da série e tal como A Rainha Vermelha e A Rainha Branca, a acção volta a passar-se durante a guerra civil, retratando a vida de Anne Neville, mulher de Ricardo III, cunhada de Isabel Woodville e filha do Fazedor de Reis, o conde de Warwick.

  Num tabuleiro de xadrez arriscam-se os peões, protege-se o rei e a rainha é a melhor arma. Mas, se é fácil arriscar um peão e perdê-lo, a verdade é que sem ele, o jogo nem pode começar. Numa época de divisões, traições e batalhas, muitos são aqueles que são esquecidos, muitos são aqueles que sem a menor importância podem virar tudo do avesso. Ligada aos homens mais importantes do seu tempo, a herdeira mais rica de Inglaterra e uma das mais importantes da realeza, uma rainha esquecida, Anne Neville foi o peão numa troca de favores, alianças e ambições e conheceu a roda da fortuna pela qual todas as rainhas do seu tempo passaram. Um joguete às mãos dos outros, uma jogadora de mote próprio, do lado certo e por vezes do lado errado da contenda, ela foi uma das esquecidas mas esta na hora de a relembrarmos.

  Por mais altos e baixos que a minha relação com os livros de Philippa tenha, a série de A Guerra dos Primos não é só a sua melhor obra como a minha preferida do género. Como sempre, Philippa mostra não só o seu enorme talento para dar vida aos factos através de uma escrita forte, arrojada e intensa como consegue humanizar e recriar personagens históricas de uma maneira que muito poucos conseguem, deixando-nos amar e odiar, apoiar e torcer. Numa narrativa que marca por um ponto de vista por onde muito se pode especular, a autora consegue transmitir-nos uma veracidade e coerência que muitos com mais informação estão longe de conseguir e isto é só uma das provas de como Philippa é capaz de criar uma excelente história. Apesar de eu continuar a achar que a autora se deixa levar muitas vezes pela sua preferência pessoal quanto a personagens, neste caso resultou muitíssimo bem, conseguindo romancear a vida da protagonista respeitando muitos dos factos e as perspectivas que já nos apresentou desta época.

  A Guerra das Rosas é um dos meus temas preferidos da História inglesa e meu Deus, Philippa escreve-a como ninguém. Mesmo sendo o terceiro livro dela que leio sobre os mesmos factos, há sempre algo novo a descobrir, novas perspectivas a ver, personagens a adorar e a melhor compreender. Durante uma leitura marcada por factos, datas e muitos pormenores, tal como já estão habituados os leitores regulares, há sempre uma voracidade, uma vontade enorme de ler e não mais parar. A História aqui nunca é aborrecida, é palpável, vívida, cheia de emoções e intrigas, verdades e mentiras. 

  Representando o lado contrário ao que encontrámos em A Rainha Branca, este livro é magnífico porque apesar de ter uma pequena perdição por Isabel Woodville, não consegui deixar de compreender, sentir compaixão e até torcer por Anne. A verdade tem muitos lados e este livro é a prova como nada é apenas preto e branco. Conhecendo a história de Warwick mais a pormenor, há momentos que ficam melhor explicados, há razões que mudam tudo e quase, quase se tem vontade de trocar de lado e torcer por outro veredicto. É desta forma que esta história nos marca, é isto que melhor define uma série que a cada livro apenas mostra ainda mais qualidade.

  Mais uma vez, as personagens são marcantes, descem do seu pedestal de reis, rainhas, loucos e heróis e aproximam-se de nós pelos seus medos, sonhos e ambições. Anne foi uma surpresa do início ao fim, uma personagem que suscita uma curiosidade inerente ao seu papel de quase desconhecida e ao mesmo tempo quase não parece ter importância até que lemos a sua história. De convicções fortes mas de uma fragilidade imensa, sonhadora e temerosa mas ao mesmo tempo forte e hábil, Anne conquista-nos e surpreende em cada momento, satisfazendo-nos, relembrando-nos que ela existiu, ela viveu. Conhecer um outro lado de personagens mais conhecidas foi um ponto que não só apraz como traz à personagem mais humanidade, mais camadas e camadas como só o ser humano pode ter.

  A Filha do Conspirador foi uma surpresa bem-vinda, um livro que marca e ensina muito mais do que História e que abriu ainda mais o apetite para aquele que é o livro que venho a aguardar loucamente que saía, a história da Princesa Branca, Isabel York, a mãe de Henrique VIII e que parece-me vai suplantar todas as expectativas. 

4* segundo a classificação do Goodreads
 
As minhas opiniões da série

4 comentários:

  1. Olá,

    Só leio comentários a elogiar os livros desta escritora, há quem diga que a sua serie Tudor, são os melhores, o que me parece unanime é que é um nome em crescendo e que é muito boa a escrever romance histórico, algo que me agrada.

    Ando numa de não comprar livros (apenas conto comprar o 3 volume da trilogia do Joe Abrecombrie) mas se surgirem boas oportunidades, que sabe.

    Ando com esta escritora debaixo de olho :)

    Bjs e boas leituras (já terminei a Carey, lindo :D)

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    1. Olá!

      Pessoalmente, como digo na opinião, prefiro esta série, acho que está muito melhor mas é conforme o gosto de cada um ;)

      É uma autora a ler e a comprar!=)

      Já vi =p Eu bem te avisei!

      beijos e boas leituras

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  2. Esse é o próximo livro da minha lista dos da philippa gregory (acabei de ler lady of the rivers e a rainha branca mas não sei se vou conseguir ler a rainha vermelha). Eu tenho uma relação de amor e ódio com esses livros mas já estou achando a série centrada na guerra dos primos muito superior aos livros que giram em volta dos Tudors, principalmente depois daquela versão imperdoável da Ana Bolena, mais parecida com uma bruxa de história infantil que qualquer outra coisa. Infelizmente são livros que não consigo me ver relendo porque todos eles dão uma estagnada intensa bem no meio da história e para uma suposta feminista, essa autora escreve suas personagens demonstrando ter muito machismo internalizado.

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    1. Bruna, concordo com tudo o que disseste! Eu também tenho uma relação amor/ódio com a Gregory e por favor não me fales da versão dela da Ana Bolena -.-'

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